
Kumi Tanioka, compositora japonesa conhecida sobretudo pelo trabalho na saga Final Fantasy Crystal Chronicles, veio a público alertar para a existência de um álbum gerado por inteligência artificial que está a ser distribuído em plataformas de streaming como se fosse da sua autoria.
Tudo começou no dia 19 de agosto, quando Tanioka partilhou na sua conta pessoal de X um screenshot de um álbum intitulado A Village Built on Wind, questionando por que motivo o seu nome surgia associado a um trabalho que garante nunca ter feito. Na publicação, a compositora deixou claro que o disco não tem qualquer ligação a ela, admitindo apenas como hipótese remota a existência de outra pessoa com o mesmo nome e apelido. O problema é que, em plataformas como o Spotify, o álbum aparece listado lado a lado com os seus trabalhos verdadeiros, incluindo discos ligados ao universo Final Fantasy, o que torna fácil a confusão para quem ouve.
Tanioka trabalhou mais de dez anos na Square Enix antes de seguir carreira a solo, e é precisamente esse historial, associado à saga Crystal Chronicles, que dá peso e credibilidade a qualquer lançamento com o seu nome, mesmo quando este não passa de uma imitação gerada por máquina.
Horas depois da publicação de Tanioka, a editora Digital Sonic Design, responsável por parte da música da compositora, avançou com um comunicado próprio partilhado no X. Segundo a editora, foi possível confirmar através do YouTube Music que o álbum em causa foi integralmente gerado por inteligência artificial. A Digital Sonic Design sublinhou que a situação não constitui uma violação dos direitos de autor de Tanioka, mas mostrou-se preocupada com a confusão que a atribuição incorreta pode gerar junto do público. Nas suas próprias palavras: “isto parece ser um caso de alguém a explorar uma vulnerabilidade técnica no sistema do serviço de streaming”. A editora aproveitou ainda para pedir medidas mais eficazes por parte das plataformas de streaming para evitar situações semelhantes no futuro.
Este episódio junta-se a uma lista cada vez maior de casos em que músicos veem o seu nome associado, sem consentimento, a conteúdo gerado por inteligência artificial em plataformas como Spotify ou YouTube Music, muitas vezes através de falhas na verificação de identidade dos artistas que publicam material nestes serviços.








