
Quem não for residente em Quioto vai pagar 2000 ienes para visitar o castelo de Nijo, quase o dobro dos atuais 1300. O presidente da câmara, Koji Matsui, anunciou o plano na quinta-feira, 1 de outubro, numa sessão da assembleia municipal, segundo o Japan Times. Para os moradores da cidade, o bilhete combinado do castelo e do Palácio Ninomaru desce para 1000 ienes.
O castelo, classificado como Património Mundial da UNESCO, é um caso curioso entre os castelos japoneses. Enquanto a maioria foi construída por um senhor samurai local, este foi pensado para quem vinha de fora, servia de residência em Quioto a Tokugawa Ieyasu, fundador do xogunato Tokugawa, e aos seus herdeiros, sempre que viajavam desde Edo, o nome por que Tóquio era conhecida na época, em missões oficiais. Quatro séculos depois, a lógica mantém-se, só que agora é o visitante de fora que vai pagar a diferença.
O novo preço não visa apenas os turistas estrangeiros. O critério é a residência, japoneses de outras cidades pagam os mesmos 2000 ienes, incluindo quem vive noutros pontos da prefeitura de Quioto. Este será o primeiro equipamento turístico da cidade a adotar um sistema de dois escalões.
A justificação oficial passa pelo dinheiro e pelos moradores. “Ao aumentar o preço de entrada [para os não residentes], podem ser aplicados fundos adicionais na manutenção, e esperemos que os residentes da nossa cidade possam visitar o castelo com mais facilidade“, afirmou Matsui. A verba extra servirá para a conservação e a reparação das instalações, que são geridas pela câmara municipal.
O castelo recebeu cerca de 2,07 milhões de visitantes no ano fiscal de 2025, que terminou em março. Um inquérito feito durante o outono passado indica que os habitantes de Quioto representaram apenas cerca de 2% do total. A câmara admite que não dispõe de dados detalhados sobre a residência dos visitantes.
A medida não se fica pelo castelo. A mesma agência noticia que a câmara pretende aplicar a lógica dos dois preços aos autocarros municipais: 360 ienes para não residentes e 200 para residentes. O plano prevê ainda descontos para utilizadores frequentes que venham de outras zonas para trabalhar ou ir a unidades de saúde.
A câmara de Quioto vai submeter à assembleia municipal, em novembro, a proposta de alteração do regulamento que sustenta os novos preços. Se for aprovada, o objetivo é aplicá-los no ano fiscal de 2027, que no Japão começa em abril.









