
Um novo levantamento do Yano Research Institute, instituto de pesquisa ligado ao grupo de comunicação Kyodo News, veio confirmar aquilo que muitos suspeitavam, apesar de o anime e o mangá continuarem a reunir o maior número de fãs no Japão, é a comunidade das idols que mais dinheiro tira do bolso todos os anos. O estudo, feito junto de cerca de dez mil homens e mulheres entre os 15 e os 69 anos, analisou o comportamento de consumo em 31 categorias diferentes de otaku, cruzando essa informação com estimativas sobre a dimensão de cada nicho de fãs no país.
Em termos de número de seguidores, o anime continua isolado na liderança, com cerca de 5,49 milhões de otaku, seguido de perto pelo mangá, com 5,1 milhões. As idols surgem apenas em terceiro lugar, com 3,55 milhões de fãs, à frente dos jogos para smartphone e das consolas, que fecham o top cinco. No entanto, quando a análise passa dos números de fãs para os números da carteira, a ordem inverte-se por completo.
De acordo com os dados recolhidos, os fãs de idols gastam, em média, 121 054 ienes por ano (cerca de 775 dólares), o valor mais alto entre todas as 31 categorias analisadas, superando até quem coleciona cartas colecionáveis (105 928 ienes) ou quem investe em computadores personalizados (101 930 ienes). Para se perceber a diferença face à média geral, o gasto anual médio de um otaku, olhando para todas as categorias em conjunto, ronda apenas os 50 472 ienes, e cerca de 31,3 por cento dos inquiridos afirma gastar entre 10 mil e 50 mil ienes por ano no seu passatempo.
A tendência não é propriamente nova, mas tem vindo a acentuar-se claramente com o passar dos anos. Um levantamento anterior do mesmo instituto já tinha identificado os fãs de idols como o grupo mais consistente em termos de tempo e dinheiro investidos, com uma média então situada nos 81 mil ienes anuais, uma fasquia hoje largamente ultrapassada. Segundo esse mesmo estudo, o rendimento familiar deste grupo de fãs não é muito diferente do de outros otaku, mas a diferença está na fatia do orçamento pessoal que decidem reservar para a paixão, nessa altura, cerca de 25,3 por cento dos fãs de idols já dedicava mais de dez horas semanais e mais de 50 mil ienes por ano à sua atividade de fã.
O conceito de oshi, palavra japonesa usada para descrever a pessoa ou personagem que cada fã escolhe apoiar de forma mais intensa, também surge com destaque no levantamento mais recente. De acordo com o Yano Research Institute, 64,2 por cento dos otaku japoneses tem um oshi, sendo as idols reais o alvo mais comum dessa devoção, à frente de personagens de anime e mangá e de artistas musicais em geral. Curiosamente, mesmo entre quem não se identifica como otaku, uma fatia de 21,5 por cento afirma ter um oshi, ainda que nesse grupo os artistas musicais surjam primeiro, seguidos das idols e só depois das personagens de ficção.
Para quem acompanha de perto este universo, os números ajudam a explicar por que motivo tantos grupos musicais japoneses têm vindo a apostar em fórmulas híbridas, que juntam elementos de idol a produções ligadas ao anime e ao jogo, tentando assim captar as duas fatias de público que mais gastam.









