Shawn Layden, antigo presidente dos PlayStation Worldwide Studios, foi convidado para uma recente entrevista na PSI, na qual voltou a defender que a Sony Interactive Entertainment cometeu um grave erro ao abandonar a estratégia de lançar os exclusivos single-player da PlayStation 5 no PC. Para Layden, esta mudança representa um claro erro estratégico.
O antigo executivo esclareceu ainda que a decisão de levar os jogos da PlayStation para o PC nunca teve como objetivo aumentar as receitas e revelou que a iniciativa partiu, originalmente, de si.
“Houve muita confusão em relação à minha decisão de levar jogos para o PC e nunca teve a ver com aumentar as receitas.”
Segundo Layden, o verdadeiro propósito era dar a conhecer as propriedades intelectuais da PlayStation a um público muito mais vasto.
A recorrer a séries, tais como Horizon e God of War, Layden explicou que a Sony sabia que a maioria dos jogadores de PC nunca iria comprar uma consola PlayStation apenas para jogar estes jogos. No entanto, acreditava que, ao experimentá-los, estes jogadores passariam a conhecer e a interessar-se pelas séries.
Esse aumento de notoriedade permitiria que estas propriedades intelectuais ultrapassassem o universo dos videojogos e fossem adaptadas para outros meios, tais como comics, televisão ou cinema, algo que, na verdade, acabou por acontecer.
“É preciso que estas histórias e personagens sejam conhecidas pelo maior número possível de pessoas. Se ficarem limitadas às consolas PlayStation, a transição para outros meios torna-se muito mais difícil.”
Por isso, Layden reforça que os lançamentos para PC nunca tiveram como principal objetivo gerar receitas. O antigo responsável questionou ainda as análises que sugerem que esta estratégia possa canibalizar as vendas da PlayStation 5.
“Não conseguiram provar a teoria de que lançar um jogo para PC 18 meses depois resulta numa consola PS5 vendida a menos, aliás os jogadores de PC nunca iriam comprar uma consola.”
Apesar das críticas à atual estratégia para os jogos single-player, Layden mostrou-se de acordo com a abordagem da Sony em relação aos jogos multiplayer e live service, e defende que faz sentido que estes continuem a ser lançados em várias plataformas.
No final, concluiu que existem duas visões estratégicas distintas para o futuro da PlayStation, mas apenas uma acabará por prevalecer. Para já, jogos como Ghost of Yotei, Saros, Marvel’s Wolverine e os futuros grandes exclusivos AAA da PlayStation 5 deverão continuar a ser exclusivos da consola da Sony. Resta saber se esta será, a longo prazo, a estratégia mais acertada, porque com o atual rumo da indústria as consolas representam cada vez mais um orçamento a considerar.









