
A Nintendo lançou esta semana uma das maiores investidas contra emuladores da Switch que se recordam no GitHub. Em apenas 24 horas, a empresa japonesa enviou sete notificações DMCA por circunvenção de proteções tecnológicas à plataforma, o que levou à remoção de mais de 400 repositórios relacionados com estes programas.
O alvo principal foi o suyu, o emulador que ganhou popularidade depois do desaparecimento do Yuzu. Como a rede de repositórios associada ao projeto ultrapassava os 100, o GitHub optou por processar a notificação contra toda a estrutura de uma só vez, o que fez com que 311 repositórios ligados ao suyu fossem retirados do ar de imediato.
As restantes seis notificações abrangeram desde um único repositório até redes com dezenas de projetos associados. Entre os visados esteve também o Skyline, um emulador independente para Android que já tinha sido descontinuado pelos próprios criadores em 2023, mas cujo código continuava disponível online. A distribuição dos alvos ficou assim:
- Suyu (rede completa) — 311 repositórios
- Skyline (rede completa) — 29 repositórios
- Um fork do Yuzu associado ao utilizador NicolasArvani — 14 repositórios
- Uma versão do Yuzu para Android — 8 repositórios
- Uma build de acesso antecipado do Yuzu (EA4176) — 21 forks listados
- MonoNX, um emulador escrito em C# — 17 forks listados
- Um fork adicional do Yuzu — apenas o repositório principal
Para os visitantes que agora tentam aceder a estas páginas, a maioria mostra uma mensagem oficial a confirmar a remoção por infração de direitos de autor. Noutros casos, o resultado é simplesmente um erro 404, o que sugere que alguns programadores optaram por apagar voluntariamente os seus projetos assim que foram notificados.
Em todas as sete notificações, a Nintendo repete essencialmente o mesmo argumento, os emuladores dependem de cópias não autorizadas das chaves criptográficas que protegem os jogos da Switch para conseguirem descodificar ROMs igualmente não autorizadas no momento em que são executados. Os repositórios visados “oferecem, dão acesso ou permitem de alguma forma o acesso a emuladores da Nintendo Switch“.
Para sustentar este raciocínio, a Nintendo recorre a dois processos judiciais anteriores, nenhum dos quais chegou a ser efetivamente discutido em tribunal:
- O acordo alcançado em 2024 com a Tropic Haze, empresa por trás do Yuzu, que terminou com uma indemnização de 2,4 milhões de dólares
- A decisão por revelia contra o streamer Jesse Keighin, conhecido online como EveryGameGuru, condenado a pagar 17.500 dólares depois de um tribunal do Colorado ter decidido a seu desfavor por falta de resposta, alegadamente depois de o próprio ter destruído provas
Em nenhum dos dois casos um juiz chegou a analisar em profundidade, com um julgamento completo, se a circunvenção alegada pela Nintendo se verifica de facto. Ainda assim, é este o precedente que a empresa usa repetidamente para justificar novas notificações.
O próprio GitHub reconhece que analisa este tipo de reclamações com cautela e que, em caso de dúvida sobre a validade do pedido, tende a “dar o benefício da dúvida ao programador e manter o conteúdo online“. Ainda assim, o histórico já construído pela Nintendo com casos como o do Yuzu tornou este tipo de notificação praticamente rotineiro.
Uma luta que já dura vários anos
Nenhum dos projetos agora afetados era propriamente uma novidade para a Nintendo. O Yuzu chegou a acordo com a empresa em fevereiro de 2024 e encerrou operações, enquanto o Ryujinx, que durante algum tempo foi visto como o principal sucessor, seguiu o mesmo caminho em outubro desse ano. Desde então, sucessivos forks e novos projetos têm tentado manter viva a possibilidade de correr jogos da consola fora do hardware oficial, apenas para acabarem também na mira da empresa.
O caso do Skyline ilustra bem esta dinâmica, apesar de ter sido encerrado pelos próprios criadores há já alguns anos, o código-fonte nunca desapareceu de facto da internet, continuando a circular através de cópias e derivações. A limpeza feita esta semana no GitHub resolve o problema apenas na superfície, trava o acesso direto através da plataforma, mas não impede que o código reapareça noutros locais ou seja de novo carregado sob nova identidade.
Para a Nintendo, remover estes repositórios do GitHub tende a ser a parte mais simples do processo. Garantir que o código não volta a aparecer é um desafio bem mais difícil de resolver, já que novos forks costumam surgir mais depressa do que as notificações conseguem eliminá-los.









