
A reestruturação da Xbox ainda está longe de terminar. Segundo um artigo da Fortune publicado esta terça-feira e dedicado a Asha Sharma, a atual CEO da divisão, estão previstas novas rondas de despedimentos ainda este mês, em novembro e em janeiro de 2027. A informação é atribuída a pessoas familiarizadas com os planos, e a própria publicação ressalva que estes podem sofrer alterações.
Até agora, Sharma já dispensou 1868 pessoas. O número faz parte de um plano muito mais vasto, anunciado a 6 de julho, que prevê reduzir o quadro da Xbox em cerca de 3200 trabalhadores, o equivalente a 20% dos efetivos. Na altura, 1600 pessoas seriam afetadas de imediato e as restantes 1600 ao longo do ano seguinte. Os cortes surgiram no contexto de uma redução mais ampla na Microsoft, que deverá afetar cerca de 2% dos seus 228000 funcionários. No mesmo dia, a Xbox revelou também que ia separar-se de quatro estúdios.
A Fortune não avança pormenores sobre as próximas rondas. Não identifica as equipas ou os estúdios que poderão ser atingidos, nem esclarece se haverá mais projetos cancelados ou estúdios encerrados. Sabe-se apenas que o plano vai continuar nas próximas semanas e meses.
Entre quem já saiu há funcionários com décadas de casa, o que, segundo a publicação, pode traduzir-se numa perda de conhecimento acumulado. A divisão dos cortes em várias fases também está a pesar no ambiente interno, há quem aprecie a transparência de Sharma, mas outros sentem-se a trabalhar debaixo de uma nuvem durante um ano inteiro, à espera de saber se serão os próximos. A Fortune encontrou ainda, pelo menos, um caso de um trabalhador que foi despedido e depois recebeu a oportunidade de ficar na Xbox.
Sharma assumiu a liderança da Xbox em fevereiro, sucedendo a Phil Spencer, e tem justificado as medidas com a situação financeira da divisão. A Fortune refere que a margem de lucro da Xbox, medida pela Microsoft, ronda os 3%, valor entre um terço e um décimo do que registam os concorrentes. No memorando enviado aos funcionários em julho, a própria CEO afirmou que as margens operacionais da Xbox são entre três e dez vezes inferiores às de negócios comparáveis.
No último relatório financeiro, a Microsoft registou uma quebra de 7% na receita trimestral de jogos, arrastada por uma descida de 33% na receita de hardware da Xbox e de 5% em conteúdos e serviços.
Ao explicar a estratégia, Sharma foi direta: “A medida número um da vossa estratégia é aquilo em que colocam os vossos recursos, e nós simplesmente dispersámo-nos demasiado“. O plano passa por concentrar o investimento na consola, que representa 80% do negócio, nas grandes marcas como Minecraft e numa estrutura mais centralizada, com menos camadas de gestão e menos apoio a estúdios de menor dimensão.
E o futuro da Xbox dentro da Microsoft?
A sucessão de cortes alimenta também a especulação sobre o destino da divisão. Segundo a Fortune, vários funcionários atuais e antigos acreditam que a Xbox está a ser preparada para uma eventual venda, separação, entrada de investimento externo ou transformação em subsidiária. Algumas dessas pessoas disseram ter conhecimento de uma apresentação interna, feita depois da chegada de Sharma, que analisava esses cenários.
Judson Althoff, responsável pela vertente comercial da Microsoft, rejeitou essa leitura junto da Fortune: “A Asha é uma das melhores líderes que temos em toda a empresa. Não a teríamos colocado num negócio que pretendemos vender. Vai haver muita especulação sobre tudo isto. O tempo o dirá“. Questionada diretamente sobre se a Xbox ainda será uma divisão da Microsoft daqui a dois anos, Sharma respondeu: “Acho que vamos ser uma parte importante da Microsoft durante muito tempo“.
O próximo teste está marcado para este mês, com a divulgação dos resultados trimestrais da Microsoft. Sharma disse à Fortune que espera ver melhorias financeiras refletidas no ano fiscal de 2027 da empresa.









