
Durante pouco mais de mês e meio, AdiraFNInfo foi uma das contas mais seguidas da cena de leaks de Fortnite. Surgiu em janeiro de 2026 praticamente do nada, com um historial de acertos impressionante: a colaboração com South Park dois dias antes do anúncio oficial, Solo Leveling mais de um mês antes da revelação, e ainda The Office, 28 Years Later, Honkai Star Rail e Regular Show, tudo confirmado com uma precisão que outros leakers, mesmo os mais experientes como HYPEX e Shiina, raramente atingem. Depois, no final de fevereiro, as contas no X e no Discord desapareceram sem explicação.
A 5 de março, a Epic Games publicou um comunicado no X e partilhou a queixa judicial. A razão do desaparecimento ficou clara, AdiraFNInfo era Hayden Cohen, um produtor associado contratado pela Epic através de uma agência de trabalho temporário, que tinha assinado um acordo de não-divulgação a 11 de setembro de 2025 e passado os meses seguintes a fazer leak, anonimamente, de informação a que tinha acesso direto por força do seu trabalho.
A queixa, apresentada no Tribunal do Distrito Leste da Carolina do Norte, descreve em detalhe as leaks documentados pela Epic. Cohen terá divulgado detalhes de mais de uma dúzia de colaborações não anunciadas, incluindo cosméticos específicos e datas de lançamento. A Epic enviou-lhe uma carta de cessação e desistência a 20 de fevereiro, exigindo que parasse as leaks, devolvesse os dispositivos usados para aceder aos sistemas internos e identificasse todas as pessoas a quem tivesse partilhado informação confidencial. Segundo a queixa, Cohen não cumpriu integralmente as exigências.
O que torna o caso particularmente relevante para a comunidade é o que foi revelado antes do tempo mas ainda não foi anunciado. Antes de desaparecer, Cohen divulgou colaborações com Kingdom Hearts, Ben 10, Game of Thrones, Sonic the Hedgehog e Minecraft, projetos que a Epic confirma que Cohen “tinha acesso e visualizou” mas que ainda não foram revelados oficialmente. É possível que algumas dessas colaborações tenham sido canceladas precisamente por terem sido reveladas antes do tempo, o que seria parte dos danos reclamados pela Epic.
O que a Epic alega e o que pede ao tribunal
No comunicado oficial, a Epic foi direta: “Hoje tomámos medidas legais contra um ex-contratado que repetidamente fez leak de IP confidencial de parceiros e segredos comerciais que recebeu enquanto trabalhava com a Epic. Não permitimos isto de forma alguma e continuaremos a agir quando membros da equipa Epic partilharem informação confidencial. Isso prejudica os nossos parceiros e torna mais difícil trazer IP fantástico para os nossos jogos”.
A queixa acusa Cohen de apropriação indevida de segredos comerciais ao abrigo do Defend Trade Secrets Act federal, violação do mesmo tipo de legislação ao nível do estado da Carolina do Norte, quebra de contrato e violação da lei de concorrência desleal do estado. A Epic pede ao tribunal uma indemnização por danos, sem valor específico declarado na queixa, mas descrevendo prejuízos nas relações com parceiros, quebra de envolvimento dos jogadores, lucros cessantes e custos na investigação do caso, uma injunção permanente contra futuras leaks, e a devolução de todo o material confidencial na posse de Cohen.
Um caso que muda as regras para a comunidade de leakers
O contexto em que este processo surge não é neutro. Na mesma semana, a Activision silenciou o leaker TheGhostOfHope de Call of Duty com uma exigência legal, e o diretor Hideki Kamiya já tinha declarado publicamente que quem divulgasse spoilers de Resident Evil Requiem merecia “mil mortes”. A indústria está claramente a enrijecer a sua postura.
Mas o caso de Cohen é diferente de qualquer outro anterior. Os leakers habituais, incluindo os mais respeitados da cena de Fortnite, trabalham por datamining, por fontes externas ou por deduções. Cohen era simultaneamente a fonte e o distribuidor da informação, com acesso privilegiado obtido contratualmente. Isso remove praticamente qualquer argumento de defesa que outros leakers poderiam invocar. A queixa descreve a sua conduta como “apropriação indevida e divulgação pública dolosa e maliciosa dos segredos comerciais da Epic”.









