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10 animes que tens de ver se gostas de Frieren

Frieren é uma série difícil de substituir. Não é o ritmo de ação, não é a magia espetacular, é a forma como o tempo pesa em cada cena, como as despedidas ficam e como os laços se formam devagar, quase sem se dar por isso. Mas há outros animes que tocam nessa mesma corda…

10
Spice and Wolf: Merchant Meets the Wise Wolf

Há algo na dinâmica entre Kraft Lawrence e Holo que faz lembrar a relação entre Frieren e Fern, dois temperamentos completamente diferentes que se complementam numa viagem sem destino fixo. Lawrence é um mercador pragmático que percorre aldeias a comprar e vender; Holo é uma divindade lobo que esteve ligada a uma aldeia durante séculos e que agora quer simplesmente ir para norte, em direção à terra de onde veio. O que os une é o percurso, e o que torna a série especial é a forma como essa parceria cresce através de conversas, debates e pequenas revelações.

O reboot de 2024, disponível na Crunchyroll, é uma adaptação fiel e visualmente mais rica do que o original de 2008, e é um ponto de entrada ideal para quem nunca conheceu a série. Não há batalhas épicas nem momentos de alta tensão, mas há economia, política medieval, humor bem calibrado e uma química entre personagens que raramente se consegue em anime. Para quem aprecia Frieren pelo ritmo pausado e pela construção de relações, Spice and Wolf é uma escolha quase óbvia.

9
Mushishi

Mushishi Zoku Shou: Suzu no Shizuku

Mushishi é um anime que existe numa categoria própria e que deveria ser muito mais falado do que é. Ginko é um caçador de mushi, criaturas que representam a forma mais primitiva de vida, situadas algures entre o mundo físico e algo que não tem nome. Não são monstros, não são aliados, não são bons nem maus, existem simplesmente, e às vezes essa existência interfere com a vida das pessoas. Ginko percorre o Japão rural para estudar esses seres e ajudar quem foi afetado por eles.

O que faz de Mushishi um anime extraordinário é o que não faz. Não há arcos narrativos longos, não há protagonistas a crescer em poder, não há cliffhangers a cada episódio. Cada episódio é uma história fechada, quase uma curta-metragem, com uma atmosfera entre o melancólico e o sereno que fica muito depois dos créditos. Para quem aprecia a dimensão mais filosófica de Frieren, a forma como a série reflete sobre a passagem do tempo e o peso do que fica para trás, Mushishi é essencial. É um anime que parece ter sido feito com muita calma, por alguém que acredita mesmo no que está a contar.

8
Secrets of the Silent Witch

Monica Everett é a única pessoa no mundo capaz de usar magia sem recitar encantamentos, uma capacidade raríssima que a poderia ter tornado numa figura pública e respeitada. Em vez disso, ela usa-a para se esconder. Criou uma vida confortável na solidão dos seus aposentos, rodeada de livros e longe de olhares, e estava perfeitamente satisfeita com isso, até um Sábio de alto escalão lhe pedir que protegesse o príncipe herdeiro de forma encoberta, infiltrando-se numa academia de magia.

É um dos animes mais surpreendentes de 2025 e um dos mais subvalorizados. A série tem uma protagonista cuja ansiedade social não é tratada como detalhe cómico mas como parte genuína da sua personalidade, e o humor que daí resulta funciona porque é construído com afeto. A academia é vibrante, os personagens secundários têm substância, e há uma leveza no tom que não compromete os momentos mais sérios.

7
Hell’s Paradise

Hell's Paradise Jigokuraku 2 visual estreia janeiro 2026 (1)

Hell’s Paradise é para quem gosta do lado mais sombrio de Frieren, a fantasia que não se desculpa, os adversários que são genuinamente ameaçadores, o mundo que tem regras próprias e não as explica todas de imediato. Gabimaru é um ninja considerado o mais perigoso da sua aldeia, preso e condenado à morte, ao qual é oferecida uma última hipótese: encontrar o Elixir da Vida numa ilha misteriosa, de onde nenhuma expedição anterior regressou. A motivação que o mantém em movimento é simples, quer voltar para a mulher que o espera.

A segunda temporada tem uma qualidade de animação ainda superior à já excelente primeira, com o estúdio MAPPA a mostrar o tipo de consistência técnica que é difícil de manter em duas temporadas seguidas. A ilha tem uma lógica própria, os antagonistas são fascinantes à sua maneira, e há uma tensão constante que raramente abranda. É um anime que exige atenção, mas recompensa quem a der.

6
Natsume’s Book of Friends

Natsume's Book of Friends 7 teaser visual 2

Takashi Natsume cresceu a ver espíritos e cresceu sozinho por causa disso. Depois de anos a mudar de família em família, sem nunca pertencer verdadeiramente a nenhum lugar, chega a uma aldeia rural onde descobre que herdou da avó um livro com os nomes de espíritos que ela subjugou ao longo da vida. Cada episódio acompanha Natsume a devolver um nome ao seu dono, e com isso, inevitavelmente, a ouvir uma história sobre perda, sobre gratidão, sobre o que fica depois de alguém partir.

É um anime que partilha com Frieren algo que poucos conseguem, a capacidade de fazer o espectador sentir o peso do tempo sem nunca o verbalizar diretamente. As histórias são breves e contidas, passam-se entre campos ao entardecer e santuários cobertos de musgo, e têm essa qualidade particular de deixar o coração mais suave em vez de mais pesado, mesmo quando o que acontece é triste. É um anime de conforto no melhor sentido da palavra.

5
Delicious in Dungeon

A comparação com Frieren é recorrente nos fóruns de anime, e não é por acaso. Os dois partilham uma abordagem ao worldbuilding que parece genuinamente curiosa sobre o mundo que criou, personagens que crescem de forma orgânica sem grandes declarações, e uma capacidade de equilibrar momentos mais leves com outros de peso emocional real. Laios Touden e a sua equipa desceram ao fundo de uma masmorra para resgatar a irmã Falin, que se sacrificou para os salvar e como estão sem fundos para comida e equipamento, decidem cozinhar os monstros que vão encontrando pelo caminho.

O que poderia ser uma premissa de comédia ligeira transforma-se numa série sobre ecologia fantástica, sobre como uma equipa funciona sob pressão, e sobre o que as pessoas são capazes de fazer umas pelas outras. O estúdio Trigger adaptou o mangá premiado de Ryoko Kui com uma atenção ao detalhe que se nota em cada cena, desde o design dos monstros até ao modo como as personagens evoluem na forma de se relacionar. É um dos animes mais completos dos últimos anos e é fácil perceber porquê continua a aparecer em qualquer lista do género.

4
Violet Evergarden

Violet Evergarden é sobre alguém que não sabe o que são emoções e que decide aprendê-las através das emoções dos outros. Violet foi criada como soldado durante a guerra, tratada como arma, e quando a guerra acaba não tem referências para o que vem a seguir, exceto as últimas palavras do único homem que a tratou como pessoa. A série acompanha o seu percurso como Auto Memory Doll, uma espécie de escritora de cartas por encomenda, através do qual começa, devagar, a entender o que significam as palavras que escreve.

A Kyoto Animation fez com Violet Evergarden aquilo que faz melhor, construiu uma série emocionalmente devastadora com uma animação que parece rivalizar com o melhor cinema de animação. Cada episódio tem uma história de cliente diferente, e algumas dessas histórias são das mais marcantes que a animação japonesa produziu na última década. Para quem aprecia Frieren pela forma como trata a perda e a memória, o peso do que ficou por dizer, das pessoas que partiram antes do tempo, Violet Evergarden toca nas mesmas cordas, com uma intensidade diferente mas igualmente real.

3
Yona of the Dawn

Akatsuki no Yona vol 44 cover

Yona of the Dawn confirmou sequela em dezembro passado, depois de mais de uma década a deixar fãs à espera enquanto o mangá caminhava para o fim. A série começa onde muitas histórias terminariam, uma princesa que perde tudo numa noite, o pai, o lar, a ilusão de segurança, e que tem de decidir o que fazer com o que sobrou. O que se segue é uma longa viagem através de um reino dividido por pobreza e corrupção, com uma protagonista que cresce de forma credível e sem atalhos.

O que distingue Yona of the Dawn de outras fantasias históricas é a honestidade com que trata esse percurso. Yona não se torna poderosa de um dia para o outro, não tem um talento escondido que resolve tudo, aprende, comete erros, tem medo, e continua na mesma. A relação com Hak, o seu guarda-costas, é o fio condutor emocional da série e está construída com uma paciência que se encaixa bem em quem aprecia o ritmo de Frieren. Com a sequela finalmente confirmada, é um bom momento para começar do início.

2
To Your Eternity

To Your Eternity 3 main visual 2 (1)

To Your Eternity começa com uma esfera lançada para a Terra que aprende a existir ao observar o que a rodeia, primeiro como rocha, depois como lobo, depois como ser humano. A série acompanha Fushi ao longo de séculos de existência, através de encontros com pessoas cuja vida ele testemunha inteiramente, o crescimento, as alegrias, os medos, a morte. Cada despedida fica marcada nele de forma permanente, porque a imortalidade não o protege da perda, apenas o obriga a repeti-la.

A ligação a Frieren é quase literal, as duas séries exploram o que significa sobreviver a todas as pessoas que se amou, e o custo emocional de uma existência que não tem fim. To Your Eternity é mais crua, mais direta na forma como apresenta o sofrimento, não há a contenção elegante de Frieren, há episódios que são simplesmente devastadores. Mas há também momentos de ternura que são difíceis de encontrar noutro sítio, e uma escala narrativa que poucas séries de anime conseguem sustentar.

1
Fullmetal Alchemist: Brotherhood

Fullmetal Alchemist: Brotherhood

Antes de Frieren chegar ao topo do MyAnimeList, Fullmetal Alchemist: Brotherhood ocupou esse lugar durante anos. Continua a ser, para muita gente, o anime mais bem construído alguma vez produzido, e ver os dois seguidos ajuda a perceber porquê ambos merecem estar tão perto do topo. Edward e Alphonse Elric cometeram quando eram crianças o maior tabu da alquimia ao tentarem ressuscitar a mãe, e o preço foi alto: Edward perdeu uma perna e um braço, Alphonse perdeu o corpo inteiro e existe aprisionado numa armadura. A série que se segue é a tentativa dos dois irmãos de encontrar a Pedra Filosofal e desfazer o que fizeram.

Fullmetal Alchemist: Brotherhood consegue algo que parece impossível, ser ao mesmo tempo uma aventura épica, uma crítica ao poder e à guerra, uma história de família, e uma série com genuíno sentido de humor, e não perder nenhuma dessas camadas ao longo de 64 episódios. Cada personagem tem substância própria, cada arco contribui para o todo, e o ritmo nunca perde o fio. É um anime que se pode rever anos depois e continua a surpreender em algum detalhe que tinha passado despercebido.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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