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Strauss Zelnick, presidente executivo da Take-Two Interactive, empresa-mãe da Rockstar Games, veio a público esta semana descartar a hipótese de publicidade intersticial no Grand Theft Auto 6. As declarações foram feitas numa entrevista ao The Game Business e rapidamente geraram debate por uma razão que vai além da questão dos anúncios.
A polémica à volta de publicidade em jogos premium não é nova, mas voltou a ganhar força à medida que o lançamento do GTA 6 se aproxima. A ideia de que um jogo da dimensão de um Grand Theft Auto poderia integrar marcas reais no mundo de jogo, publicidade em outdoors, rádio patrocinada, ecrãs entre missões, circulou por fóruns e redes sociais durante meses. Zelnick tratou de afastar esse cenário de forma direta: “É muito difícil para mim acreditar que gostaríamos de ter publicidade intersticial num jogo por que alguém pagou 70 ou 80 dólares. Pareceria injusto”.
O CEO foi cuidadoso a distinguir o modelo do GTA 6 do que já existe noutros jogos da própria Take-Two. No NBA 2K, por exemplo, a publicidade de marca está presente nos pavilhões, nos uniformes e nos painéis de bancada, mas Zelnick argumenta que isso é contextualmente justificado, porque replica o que qualquer espetador veria numa arena real. “Temos alguma publicidade limitada dentro de jogos como o NBA 2K porque se enquadra no vernáculo do jogo. Queremos ver publicidade num estádio, porque é isso que veríamos na vida real. Mas não é um grande contribuidor económico”, afirmou.
Para jogos gratuitos, a equação é diferente e a Take-Two também o reconhece. O problema está, segundo Zelnick, em colocar anúncios interruptivos num produto pelo qual o consumidor já pagou um preço de entrada premium, algo que, nas suas palavras, seria simplesmente injusto.
O número que ninguém pediu mas toda a gente reparou
O que alimentou mais debate do que a questão dos anúncios foi a referência ao intervalo de preço. Zelnick mencionou “70 ou 80 dólares” sem que nenhuma pergunta específica sobre o preço do GTA 6 tenha sido feita. A Take-Two nunca vendeu um jogo a 80 dólares, o patamar habitual é 70 dólares para os seus títulos AAA. A inclusão espontânea dos 80 dólares num contexto em que falava do jogo mais aguardado dos últimos anos não passou em branco.
Há analistas que defendem que Zelnick estava simplesmente a falar em termos genéricos do mercado AAA, sem qualquer referência implícita ao preço do GTA 6. Outros, consideram que o comentário pode ser lido como o sinal mais claro até à data sobre o que os jogadores vão pagar. Do outro lado do espetro, analistas chegaram a prever um preço de 100 dólares para o lançamento, argumentando que o GTA 6 tem dimensão suficiente para quebrar a barreira psicológica dos preços atuais.
Por agora, não existe qualquer anúncio oficial sobre o preço. O GTA 6 está previsto para 19 de novembro de 2026 para PS5 e Xbox Series X|S. A versão para PC não tem data confirmada, e, tendo em conta o historial da Rockstar, é improvável que chegue ao mesmo tempo que as versões de consola.
A entrevista ao The Game Business abordou também outros temas que têm alimentado a conversa à volta do GTA 6. Zelnick reiterou que a IA generativa não teve qualquer papel no desenvolvimento do jogo, ao contrário do que se descobriu esta semana no Crimson Desert da Pearl Abyss. Segundo o CEO, o mundo do GTA 6 foi construído inteiramente à mão, rua por rua, edifício por edifício, e é precisamente isso que diferencia os jogos da Rockstar dos restantes.








