
Em meados de abril, a editora indie tinyBuild fez algo que, à primeira vista, parece comercialmente absurdo, disponibilizou o Graveyard Keeper, um simulador de gestão de cemitérios medievais que normalmente custa 19,99 dólares, completamente de graça no Steam, PS4 e Xbox One, durante vários dias. O resultado? Quase 250 mil dólares em receitas. Só no Steam.
Os números foram partilhados por Alex Nichiporchik, CEO da tinyBuild, numa publicação no X (Twitter) onde respondia às inúmeras questões que lhe chegaram sobre se a estratégia fazia sentido. A resposta foi clara: “Muitos estão a perguntar se vale a pena dar um jogo assim de graça. Para além das atuais 400 mil wishlists para a sequela, também fizemos quase 250 mil dólares a vender DLC para o original. Isto é só no Steam. Ainda não temos os números das consolas. Por isso, faz sentido”.
Many are asking if it’s worth it, to give away a game like this for free
Outside of the currently 400k wishlists for the sequel, we’ve also
Made almost 250k usd from selling DLCs for the original. This is just on Steam. Haven’t gotten the console numbers yet
So it makes sense… https://t.co/37DHqMAgyY
— Alex Nichiporchik (@aNichiporchik) April 13, 2026
Como é que se ganha dinheiro a dar um jogo de graça
A promoção decorreu entre 9 e 13 de abril de 2026, e foi lançada em simultâneo com o anúncio oficial de Graveyard Keeper 2. A coincidência não foi acidental, foi o ponto central de toda a estratégia.
Quando a base do jogo ficou disponível sem custo, os jogadores chegaram em massa. O pico de jogadores simultâneos no Steam atingiu 46305 pessoas, mais do dobro do recorde anterior do jogo, que data de 2018. Nesse momento, o Graveyard Keeper chegou a ocupar o 39.º lugar entre os jogos mais jogados na plataforma.
O truque, se é que se pode chamar isso, está nos DLC. O Graveyard Keeper tem quatro expansões pagas lançadas ao longo de quase oito anos, que introduzem funcionalidades como a ressurreição de cadáveres, sistemas de investigação expandidos e novos finais. Durante a promoção, todos esses conteúdos adicionais foram colocados a 80% de desconto, o que, combinado com a chegada de dezenas de milhar de novos jogadores ao mesmo tempo, criou condições para uma vaga de compras.
O resultado foi quase 250 mil dólares em vendas de DLC só no Steam, sem contar ainda com o que foi gerado nas lojas da PlayStation e da Xbox, cujos dados ainda não tinham sido apurados à data das declarações de Nichiporchik.
Vale também notar que, tecnicamente, a tinyBuild não fez um “fim de semana gratuito” convencional. O jogo foi listado com 100% de desconto diretamente na loja do Steam, o que significa que quem o adicionou à biblioteca ficou com ele para sempre, sem restrições de tempo. Segundo o próprio Nichiporchik, esta distinção importa, é a razão pela qual o jogo “disparou tão rápido e tão forte”.
O outro objetivo: construir audiência para a sequela
As receitas de DLC foram, de certa forma, um bónus. O objetivo principal da promoção era gerar visibilidade para o Graveyard Keeper 2, e essa parte também correu bem. Segundo os dados partilhados por Nichiporchik, a sequela acumulou 450 mil wishlists no Steam até ao dia 14 de abril, colocando-a entre os 100 jogos mais esperados da plataforma antes sequer de ter uma data de lançamento confirmada.
O próprio Nichiporchik foi cuidadoso a contextualizar os resultados. A estratégia faz sentido quando existem duas condições em simultâneo: um catálogo de DLC robusto para monetizar os novos jogadores, e uma sequela ou outro produto a anunciar para aproveitar o pico de atenção. Sem essas duas peças no lugar, a equação muda completamente.
No caso do Graveyard Keeper, o jogo já tinha quase oito anos e o seu ritmo de vendas estava claramente estabilizado. A promoção reativou uma base de jogadores adormecida, trouxe dezenas de milhar de pessoas novas à série e posicionou a continuação de forma favorável ainda antes de esta ter sequer uma janela de lançamento. Graveyard Keeper 2 está previsto para algures em 2026.








