
Ficheiros internos da aplicação Xbox para PC voltaram a revelar mais do que o pretendido. A mais recente atualização do Xbox Insider contém referências a dois projetos ainda não anunciados, e um deles aponta diretamente para uma expansão do Game Pass ao mercado chinês.
A descoberta foi avançada pelo Windows Central, com base em fontes familiarizadas com o assunto e verificadas nos builds mais recentes do Xbox Insider. O projeto tem o nome de código Project Saluki e a descrição encontrada nos ficheiros é bastante direta: “expansão do Game Pass, Recompensas e níveis de subscrição para o mercado chinês”.
Segundo a mesma fonte, o Saluki não se resume a um único nível de subscrição, poderão existir várias variantes adaptadas às condições regulatórias e às preferências dos jogadores na China. A Microsoft ainda não confirmou oficialmente nada.
Porquê a China, e porquê agora
A aposta no mercado chinês não surge do nada. A nova CEO da Xbox, Asha Sharma, já tinha deixado claro na sua visão estratégica que a expansão para a China e outros mercados emergentes era uma prioridade. No documento em que apresentou os objetivos da divisão de jogos da Microsoft, o objetivo de “crescer e expandir para a China e outros mercados emergentes” estava explicitamente listado.
Do ponto de vista de mercado, faz sentido. Alguns analistas projetam que a China poderá ultrapassar os Estados Unidos como o maior mercado de jogos do mundo ainda em 2026, com um crescimento que já supera o dos mercados ocidentais tradicionais. O sucesso de títulos como Black Myth: Wukong demonstrou que o público chinês tem cada vez mais apetite por jogos AAA de alto perfil, algo que durante anos foi dominado pelo mercado mobile.
A Microsoft já tem presença significativa no país através da Activision Blizzard, com parcerias estabelecidas com empresas locais como a NetEase. Uma versão localizada do Game Pass seria um passo natural nessa direção.
O grande desafio continua a ser o ambiente regulatório. A China exige aprovação governamental para cada jogo comercializado no país, e muitos títulos disponíveis no catálogo global do Game Pass nunca receberam, nem receberão, luz verde por parte das autoridades chinesas. É um processo moroso e imprevisível que afeta todas as editoras estrangeiras que tentam operar na região.
A solução mais provável, segundo a especulação que circula, seria lançar um catálogo mais restrito, composto apenas por títulos já aprovados, com uma maior ênfase em moedas virtuais e conteúdo dentro dos jogos, algo mais alinhado com os hábitos de consumo do mercado local.
Project Positron: converter discos em licenças digitais
A mesma atualização do Xbox Insider trouxe outro nome de código à superfície: Positron. A descrição sugere que se trata de um programa de conversão de discos físicos em licenças digitais, o chamado “disc-to-digital”.
A ideia não é nova para a Microsoft. Em 2012, aquando do anúncio do Xbox One, a empresa tinha planeado um sistema semelhante, mas acabou por recuar depois de uma forte reação negativa por parte de editoras e revendedores. Agora, numa era em que a maioria dos jogadores já opta pelo formato digital, o terreno poderá ser mais favorável.
Ambos os projetos permanecem sem confirmação oficial da Microsoft.








