Pragmata chegou em abril de 2026 e rapidamente se tornou num dos títulos mais marcantes da Capcom em anos. A história é simples, um astronauta perdido numa base lunar, uma androide que se comporta como uma criança, e uma situação de sobrevivência que os obriga a depender um do outro. O que ninguém esperava era que essa dinâmica fosse tão difícil de largar depois de o jogo terminar.
10The Last of Us: parte 1
É impossível começar esta lista por qualquer outro jogo. The Last of Us é, em grande medida, o pai de toda uma geração de jogos centrados em relações parentais, e Pragmata bebe claramente desta mesma fonte. A história acompanha Joel, um homem marcado pela tragédia, que se vê encarregue de transportar Ellie, uma adolescente imune ao fungo que destruiu a civilização, por um país devastado.
O que torna The Last of Us tão especial é a forma como a relação entre os dois se desenvolve sem nunca parecer apressada. No início, é uma relação de conveniência. Com o tempo, torna-se algo muito mais difícil de definir, e muito mais difícil de esquecer. Se gostaste da dinâmica entre Hugh e Diana, é muito provável que já tenhas ouvido falar deste jogo. Se ainda não jogaste, considera que é aqui que o subgénero começou.
9God of War (2018)
Kratos é tudo o que Hugh não é enquanto figura parental. É frio, distante, incapaz de demonstrar afeto de forma direta, e carrega um passado que o pesa de maneiras que o jogo vai revelando ao seu ritmo. O filho, Atreus, é jovem, impulsivo, e anseia por uma aprovação que o pai raramente oferece. É uma relação difícil, e é exatamente por isso que funciona tão bem.
Ao contrário de Pragmata, onde o vínculo entre Hugh e Diana se constrói com relativa naturalidade, em God of War esse processo é difícil, cheio de resistência e de momentos em que ambos falham um ao outro. Mas há uma evolução genuína, e o jogo tem momentos de ternura que chegam precisamente porque não são frequentes. Para quem gosta de explorar a paternidade como tema, este é um estudo de personagem notável.
8The Walking Dead: temporada 1
A primeira temporada de The Walking Dead da Telltale é talvez o exemplo mais direto de uma relação pai-filha construída do zero no meio de uma crise. Lee Everett é um ex-condenado que, logo no início do apocalipse zombie, encontra Clementine, uma menina que ficou sozinha em casa. A partir daí, a história é sobre os dois.
O que a Telltale conseguiu aqui foi notável para a altura, uma narrativa por episódios onde as tuas escolhas moldam a relação, onde cada decisão tem peso, e onde o jogo nunca deixa de te lembrar que tens uma criança que está a contar contigo. A primeira temporada mantém-se intocável em termos de impacto emocional, e quem jogou dificilmente se esquece do episódio final.
7A Plague Tale: Innocence
Amicia não é a mãe de Hugo, nem sequer chegam a ser próximos no início do jogo. São irmãos que mal se conhecem, ela tem quinze anos, ele tem cinco, e vivem numa França medieval do século XIV onde a Inquisição persegue a família e enxames de ratos devastam tudo à volta. As circunstâncias forçam Amicia a assumir um papel de protetora que claramente não estava preparada para ter.
É essa falta de preparação que torna o jogo interessante. Amicia erra, tem medo, por vezes não sabe o que fazer. Mas não desiste. A relação com Hugo vai-se construindo à medida que os dois dependem cada vez mais um do outro, e há momentos de genuína ternura entre eles que contrastam de forma eficaz com a brutalidade do mundo à sua volta. Existe também uma segunda parte, A Plague Tale: Requiem, que continua a história dos dois.
6Brothers: A tale of two sons
Em vez de uma relação vertical entre adulto e criança, Brothers: A Tale of Two Sons explora a fraternidade, dois irmãos que partem numa aventura por um mundo de fantasia à procura de uma cura para o pai doente. A mecânica central é o elemento mais original, controlas os dois irmãos em simultâneo, um em cada analógico, o que cria uma dependência física entre eles que se sente de forma muito concreta enquanto jogas.
É um jogo curto, podes terminá-lo em três horas, mas denso em termos emocionais. Há momentos que chegam sem avisar, e a forma como o jogo usa a mecânica para contar história é algo que dificilmente esqueces. Para quem procura uma experiência mais contida mas igualmente impactante, Brothers é uma escolha excelente.
5Resident Evil: Revelations 2
Barry Burton é uma das personagens mais queridas da saga Resident Evil, e Revelations 2 dá-lhe finalmente um papel de destaque. A história divide-se em duas linhas narrativas, numa delas acompanhas Claire Redfield e Moira, a filha de Barry; na outra, acompanhas o próprio Barry, que parte para uma ilha hostil à procura da filha desaparecida.
Durante essa missão, Barry cruza-se com Natalia, uma miúda com capacidades inexplicáveis, e acaba por assumir o papel de protetor de uma criança que não conhece enquanto tenta encontrar a que ama. É uma dinâmica familiar para quem jogou Pragmata, o adulto que protege uma criança vulnerável num ambiente que os quer matar a ambos. Para quem já é fã da série, é um capítulo muito satisfatório. Para quem não conhece, é uma entrada acessível com uma história que funciona de forma bastante autónoma.
4BioShock
BioShock é, à superfície, um shooter de ficção científica ambientado numa cidade de baixo de água em colapso. Mas por baixo disso há uma camada emocional que poucos esperavam quando o jogo saiu em 2007. As Little Sisters, crianças transformadas em algo que não deviam ser, são um dos elementos mais perturbadores e, simultaneamente, mais comoventes do jogo.
A forma como escolhes lidar com elas ao longo da história define o tipo de jogador que és e o final que obténs. Salvar uma Little Sister não tem grande recompensa imediata, mas tem um peso moral que o jogo usa de forma inteligente. É um jogo muito diferente de Pragmata em tom e mecânicas, mas o impulso de proteger crianças num mundo que as quer destruir está lá, muito presente.
3Death Stranding
A relação de Sam com o BB, a criança num casulo que carregas às costas para conseguir detetar criaturas invisíveis, é estranha, assimétrica, e de certa forma é precisamente isso que a torna tão eficaz. Sam não pediu para ser responsável por ninguém. O BB não é uma criança no sentido convencional. E ainda assim a ligação que se desenvolve entre os dois é inevitável.
É um jogo difícil de recomendar de forma genérica porque é genuinamente diferente de tudo o resto, lento, meditativo, mais focado na travessia do que no combate. Mas para quem consegue sintonizar com o seu ritmo, há algo de muito particular na forma como o jogo usa o BB para criar um laço emocional sem recurso a diálogos ou cinemáticas elaboradas.
2Fallout 4
Em Fallout 4, o ponto de partida é imediatamente pessoal, és um pai ou uma mãe, tens uma família, e nos primeiros minutos do jogo essa família é destruída. O teu filho é raptado e acordas sozinho num mundo devastado por bombas nucleares, com uma única motivação: encontrá-lo.
É uma premissa com muito potencial emocional, e o jogo usa-a de forma eficaz nos momentos-chave da história principal. O mundo aberto e as suas muitas distrações podem diluir essa urgência ao longo das horas, mas a motivação parental está sempre lá como fio condutor. Para quem gosta de RPGs com muita liberdade e quer uma história com esse tema central, Fallout 4 entrega.
1The Witcher 3: Wild Hunt
Geralt de Rívia não é o pai biológico de Ciri, mas a relação entre os dois é o coração de The Witcher 3. Toda a estrutura do jogo, um dos maiores e mais elaborados mundos abertos alguma vez criados, gira em torno de uma única motivação, encontrar Ciri antes que a Wild Hunt o faça. É uma história sobre parentalidade adoptiva, sobre responsabilidade, e sobre o que estás disposto a fazer para proteger alguém que escolheste como teu.
O jogo tem mais de cinquenta horas de história principal e uma quantidade enorme de conteúdo secundário de qualidade. Mas o que fica é mesmo a relação entre os dois personagens, os flashbacks que mostram como Geralt a criou, os momentos em que os seus caminhos se cruzam ao longo da aventura. Para quem procura uma experiência longa com um laço emocional no centro, The Witcher 3 é uma das melhores escolhas que podes fazer.








