
Um vídeo filmado a 16 de maio no interior do Fushimi Inari Taisha, um dos santuários xintoístas mais visitados de todo o Japão, está a gerar consternação no país. As imagens mostram o que parecem ser turistas estrangeiros a usar pedras para gravar inscrições nas canas de bambu que ladeiam o percurso do santuário.
O santuário, fundado em 711 durante o período Nara, fica na zona de Fushimi, em Quioto, e é um dos destinos mais procurados por visitantes internacionais no Japão. A sua entrada, conhecida como Senbon Torii, um túnel de portões torii vermelhos que se estendem montanha acima, é uma das imagens mais reconhecíveis do país. O arvoredo de bambu que acompanha parte do percurso, de propriedade privada, tornou-se nos últimos anos alvo recorrente de vandalismo.
Vandalismos semelhantes já tinham sido registados no interior do próprio santuário em março de 2026. Um agricultor de rebentos de bambu que encontrou os danos descreveu as marcas: “Podia ter sido feito com uma faca, uma moeda ou qualquer coisa pontiaguda. Talvez o façam como recordação da visita ao Japão”. No total, mais de 100 canas foram já encontradas com inscrições gravadas.
O problema não se limita a Fushimi. Cerca de 350 canas foram danificadas de forma idêntica num percurso de bambu em Arashiyama, outro bairro de Quioto muito popular entre turistas estrangeiros. Num dos locais afetados, o proprietário do arvoredo, Akira Nakamura, de 79 anos, deixou um apelo direto: “Quero que as memórias fiquem gravadas no coração, não no bambu”.
Quem visitou qualquer um destes locais mais recentemente encontrou graffiti em inglês, incluindo frases como “I Love You”, e inscrições em coreano. Uma das marcas estava datada de “14 de abril de 2026”. Noutro destino turístico popular junto ao monte Fuji, conhecido pela combinação visual dos campos de chá verde com a montanha ao fundo, o bambu foi igualmente alvo de vandalismos.
O bambu não se regenera depois de danificado, o que torna as incisões particularmente destrutivas. Uuma grande parte do graffiti identificado parece ter sido feito por turistas estrangeiros, com base nos nomes e caracteres gravados, maioritariamente em alfabeto romano e noutros sistemas de escrita não japoneses. Algumas canas já tiveram de ser abatidas por risco de colapso.
A retoma do turismo internacional após a pandemia de COVID-19 acelerou um problema que existe há anos mas que atingiu agora uma escala diferente. Quioto tem adotado várias medidas para lidar com o excesso de visitantes, instalação de sinalética em Gion para impedir o acesso a propriedades privadas, criação de novas rotas de autocarro turístico e um aumento expressivo da taxa de alojamento.
Face à escalada dos danos, o Fushimi Inari Taisha emitiu um aviso direto aos visitantes: “Atos como graffiti no recinto do santuário são estritamente proibidos. Pedimos que os visitantes observem as regras de conduta adequadas ao local de culto”.









