
The Super Mario Galaxy Movie estreou a 1 de abril de 2026 e, em pouco mais de dois meses, tornou-se o filme com maior receita no mundo em 2026. Com quase mil milhões de dólares em bilheteira global, o filme produzido pela Illumination em parceria com a Nintendo conseguiu uma proeza curiosa, ser amplamente rejeitado pela crítica especializada e, ao mesmo tempo, ser um fenómeno de bilheteira. O filme registou o maior fim de semana de abertura de 2026, com 372,5 milhões de dólares globalmente só no fim de semana de estreia.
No Rotten Tomatoes, a pontuação dos críticos ronda os 42%, enquanto o público lhe atribui 88%. A mesma divisão já tinha acontecido com o primeiro filme, The Super Mario Bros. Movie, em 2023, que terminou a sua carreira nos cinemas com 1,36 mil milhões de dólares.
Uma estratégia deliberada, não um acidente
Para Hiroaki Ito, professor associado na Universidade de Kumamoto e especialista em estudos de cinema, esta divisão entre críticos e público não é um sinal de fracasso, é exatamente o que a Nintendo quer. Em declarações ao jornal japonês Sankei Shimbun, Ito argumenta que tanto o primeiro filme como este segundo foram desenhados para não colocar em risco a imagem da franquia. Nas suas palavras, são produções “seguras” que evitam assumir grandes riscos com as personagens ou com a propriedade intelectual.
Segundo o professor, uma abordagem mais arrojada, com arcos narrativos mais complexos, maior profundidade das personagens ou ambições artísticas mais vincadas, poderia ter granjeado maior apreço da crítica, mas poderia igualmente alienar o público que a Nintendo realmente quer servir: os fãs de longa data das suas franquias. A prioridade não é ganhar prémios nem agradar a jornalistas especializados, mas sim garantir que quem cresceu a jogar Mario saísse do cinema satisfeito.

Uma filosofia que vai além dos filmes
Ito sugere que esta postura reflete algo mais amplo na forma como a Nintendo pensa sobre os seus produtos. A empresa não cria filmes para impressionar a crítica; cria experiências que os fãs dos seus jogos vão apreciar, mesmo que isso signifique avaliações menos entusiastas por parte dos profissionais de cinema. Na sua leitura, a divisão entre críticos e público que rodeia os filmes de Mario não é um problema a resolver, é evidência de que a Nintendo está a conseguir exatamente o que se propôs.
O cast do filme inclui as vozes de Chris Pratt como Mario, Anya Taylor-Joy como a Princesa Peach, Charlie Day como Luigi, Jack Black como Bowser e Donald Glover como Yoshi, entre outros. A direção ficou novamente a cargo de Aaron Horvath e Michael Jelenic, os mesmos do primeiro filme.
Com o sucesso desta sequela, os rumores de expansão do universo cinematográfico da Nintendo ganham força. O ator Charlie Day já manifestou interesse num eventual filme de Luigi’s Mansion, e Jack Black afirmou querer continuar a dar voz a Bowser “por mais alguns filmes”.









