
A situação financeira da Xbox já era conhecida, margem de lucro de 3%, cortes a caminho para julho, reestruturação em curso sob a nova CEO Asha Sharma. Mas um detalhe do relatório de Jez Corden, editor executivo do Windows Central, veio tornar tudo ainda mais concreto, a Microsoft está neste momento a perder centenas de dólares em cada Xbox Series X|S que vende. Não dezenas. Centenas.
A raiz do problema está nos componentes. Segundo Corden, a Xbox não conseguiu garantir memória em quantidade suficiente a preços fixos, o que tornou impossível manter margens saudáveis na produção de hardware. A própria Asha Sharma reconheceu que os preços grossistas de memória subiram 700% desde que o preço da Xbox Series X|S foi definido.
A citação de Corden não deixa margem para dúvidas: “Soube que a Xbox está a perder, não dezenas, mas mais na ordem das centenas de dólares por cada consola Xbox Series X|S vendida neste momento, com Asha Sharma a notar que os preços grossistas de memória subiram 700% desde que a Xbox Series X|S foi orçamentada. Isso não pode ser saudável de todo”.
Este problema não é exclusivo da Microsoft. A inteligência artificial transformou os centros de dados nos maiores consumidores mundiais de RAM e armazenamento NAND, desviando capacidade de produção que até aqui abastecia a indústria de consumo, incluindo consolas. O resultado está à vista, toda a indústria está a sentir o impacto ao mesmo tempo.
Um modelo que sempre dependeu de recuperar o que se perde no hardware
Vender consolas abaixo do custo de produção não é novidade na indústria. A lógica tradicional é simples, absorver a perda inicial no hardware e recuperar através de jogos, acessórios e subscrições ao longo da vida útil da consola. Phil Spencer confirmou em 2022 que a Microsoft subsidiava cada venda da Xbox em 100 a 200 dólares, esperando compensar esse investimento a seguir.
O que mudou agora é a escala e o momento. Os preços de DRAM convencionais deverão subir entre 58 e 63% apenas no segundo trimestre de 2026, com o armazenamento NAND a crescer entre 70 e 75% no mesmo período. O IDC descreveu a situação em fevereiro de 2026 como “uma realocação estratégica potencialmente permanente da capacidade mundial de produção de silício”, não um desequilíbrio cíclico.
Para a Xbox, que já vinha enfraquecida por um Game Pass sobrecarregado e por vários jogos que ficaram aquém das expetativas comerciais, este é mais um peso num momento em que a divisão tem muito pouco espaço de manobra.
Sharma reconheceu publicamente que o modelo atual de hardware precisará de ser repensado para o Project Helix, nome de código da próxima consola Xbox. Estão a ser exploradas alternativas, incluindo potenciais parcerias com fabricantes de PC que possam ajudar a distribuir os custos, mas nada está confirmado por enquanto.
O lançamento do GTA 6, que deverá ser um dos maiores momentos da história recente das consolas, aproxima-se sem que a Xbox tenha ainda uma resposta clara sobre como vai ter hardware suficiente para aproveitar essa onda.






