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Microsoft terá usado a revelação de Senua para tentar vender a Ninja Theory

Ninja Theory em risco de encerramento: Microsoft, Senua e a reestruturação da Xbox explicados

Senua game visual

Nove dias. Foi esse o intervalo entre a Ninja Theory subir ao palco do Xbox Games Showcase para revelar Senua, a terceira entrada na franquia Hellblade, e os funcionários receberem a notícia de que o futuro do estúdio estava em risco. Mas o que torna a situação ainda mais perturbante é o que terá acontecido antes, quando o jogo foi revelado a 7 de junho, a Microsoft já teria planeado encerrar ou desfazer-se do estúdio.

Segundo Stephen Totilo do Game File: “O mais extraordinário é que a Ninja Theory chegou a estrear um novo jogo, um terceiro título Hellblade chamado Senua, no Xbox Game Showcase 2026 a 7 de junho. Na altura em que esse jogo foi revelado, a Microsoft já tinha planeado encerrar ou separar-se do estúdio. O raciocínio era que a promessa de um jogo recém-anunciado ajudaria a atrair o interesse de investidores no estúdio”. A mesma fonte indica que não é claro se a liderança do estúdio tinha conhecimento deste plano.

O que era suposto ser um momento de celebração para uma equipa de 85 pessoas que apostou tudo num novo projeto terá sido, alegadamente, uma jogada estratégica para valorizar o estúdio aos olhos de potenciais compradores.

Quem é a Ninja Theory e porque importa

Fundada em Cambridge em março de 2000, inicialmente sob o nome Just Add Monsters, a Ninja Theory construiu ao longo de 25 anos um percurso marcado pela ambição criativa e pela sobrevivência em condições adversas. Heavenly Sword, Enslaved: Odyssey to the West, DmC: Devil May Cry, e sobretudo Hellblade: Senua’s Sacrifice em 2017 definiram um estúdio que se reinventou repetidamente quando o mercado ditava o seu fim.

Hellblade: Senua’s Sacrifice foi o ponto de viragem. Desenvolvido por uma equipa pequena com um orçamento limitado, o jogo tornou-se um sucesso crítico e comercial que gerou conversas sobre saúde mental raramente vistas nos videojogos, desenvolvido em estreita colaboração com neurocientistas de Cambridge. O conceito de “Independent AAA” que a Ninja Theory cunhou para descrever aquela produção ganhou reconhecimento em toda a indústria.

Foi esse historial que levou a Microsoft a adquirir o estúdio em junho de 2018, no mesmo evento E3 em que também comprou a Compulsion Games, outra das casas atualmente em situação incerta. Senua’s Saga: Hellblade II foi lançado em maio de 2024, com elogios pela sua fidelidade visual e design sonoro, mas com críticas à duração e à profundidade mecânica.

Senua é o novo jogo de ação e aventura ambientado no universo de Hellblade

O que se sabe sobre a situação atual

Segundo remores os funcionários da Ninja Theory foram informados de que o estúdio poderá encerrar. O estúdio estará ativamente à procura de um comprador que permita à equipa continuar a trabalhar de forma independente, o que significa que a situação ainda não está resolvida e que um encerramento definitivo não é garantido.

O destino de Senua, revelado há menos de duas semanas com janela de lançamento prevista para 2027, permanece por esclarecer. A propriedade intelectual da franquia Hellblade pertence à Microsoft, não ao estúdio. Independentemente do que aconteça à Ninja Theory, caberá à Microsoft decidir o que fazer com o projeto, seja passá-lo a outro estúdio, a um parceiro externo, ou outra solução. Nenhuma posição oficial foi divulgada sobre este ponto.

Uma reestruturação mais ampla na Xbox

A Ninja Theory não é o único estúdio nesta situação. A Double Fine e a Compulsion Games estão alegadamente em negociações com a Microsoft para tentar evitar o encerramento ou alcançar a independência. Estas movimentações inserem-se numa reestruturação mais ampla da divisão de jogos da Microsoft, sob a liderança da CEO Asha Sharma, que também reduziu os preços do Game Pass e reintroduziu exclusividade para alguns títulos.

Um executivo da Xbox afirmou entretanto que a empresa não está a reverter a sua estratégia de jogos exclusivos.

O que ressalta desta situação é a imagem de um estúdio que passou décadas a sobreviver a crises de todos os feitios, da quase falência antes da Sony financiar Heavenly Sword, à reinvenção com Hellblade, e que agora se vê alegadamente a um passo do fim pelas mãos da mesma empresa que em 2018 prometeu dar-lhe estabilidade e recursos. A história ainda não terminou, mas o caminho não parece fácil.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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