
Em março de 2026, o insider de hardware Kepler_L2, conhecido por acertar nas especificações técnicas e nos custos de componentes de consolas anteriores, estimou que o custo de produção da PlayStation 6 rondaria os 760 dólares por unidade. Na altura, isso ainda deixava margem para a Sony lançar a consola a 699 dólares, se optasse pelo subsídio habitual. Três meses depois, esse cenário está a tornar-se menos provável.
Numa nova publicação no ResetEra, Kepler_L2 atualizou a estimativa, o custo de fabrico da PS6, o chamado Bill of Materials (BoM), que inclui todos os componentes necessários para produzir cada unidade, subiu cerca de 200 dólares desde março, colocando-o agora perto dos 960 dólares. O BoM não inclui custos adicionais como transporte, armazenamento, marketing, distribuição ou investigação e desenvolvimento, que terão de ser acrescentados por cima.
O problema é que este valor ainda não chegou ao teto. Analistas do setor tecnológico continuam a alertar que os preços de RAM e SSD ainda não atingiram o pico, consequência direta da crise de memória provocada pela corrida à infraestrutura de inteligência artificial, que levou a Samsung, a SK Hynix e a Micron a redirecionar a sua capacidade de produção para chips HBM de alto desempenho, em detrimento da memória convencional para consumo.
Isso significa que se a PS6 for lançada em 2027, janela para a qual Kepler_L2 continua a apontar, contrariando relatos que sugeriam um adiamento para 2028 ou 2029, o custo de fabrico pode entretanto atingir entre 1 400 e 1 500 dólares por unidade. A Sony tem uma longa tradição de vender consolas abaixo do custo de produção, compensando esse subsídio com as margens obtidas em software e serviços. No lançamento da PS5, estima-se que o subsídio por unidade tenha rondado os 20 dólares. Mas subsídios da ordem dos 100 a 200 dólares têm sido o padrão histórico, e isso não chegaria de perto para absorver estes custos.
O cenário mais provável é que o preço de venda ao público da PS6 possa ultrapassar os mil dólares, provavelmente anunciado a 999 dólares por razões psicológicas. Caso os custos dos componentes continuem a subir, esse valor poderia ser ainda mais alto, ou a Sony poderia optar por lançar a um preço mais acessível e ir aumentando gradualmente, padrão que já se tornou comum na geração atual com as consolas Xbox e a própria PS5.
Para contextualizar, a PS5 foi lançada em 2020 a 499 dólares. A PS5 Pro chegou em 2024 a 699 dólares. Em 2026, os preços da PS5 base já subiram para cerca de 649,99 dólares nos Estados Unidos. A geração seguinte começa, portanto, com uma baseline de custos completamente diferente.
Kepler_L2 não sugeriu que a Sony deve adiar o lançamento, pelo contrário. Em publicações recentes, o insider argumentou que atrasar o lançamento de uma consola que está essencialmente pronta não faz sentido económico. A Sony já tem contratos com a TSMC para produção dos APUs e acordos para fornecimento de memória GDDR7, e centenas de milhões de dólares em investigação e desenvolvimento já foram gastos. Cada ano de espera representa perdas sem contrapartida, especialmente com as vendas da PS5 a abrandar e sem garantia de que os preços dos componentes baixem significativamente até 2030.
A Sony ainda não confirmou oficialmente a existência da PS6, nem qualquer janela de lançamento ou preço.









