Enquanto alguém que privilegia experiências single-player, o anúncio de Splatoon Raiders foi muito bem-vindo. Durante anos, muitos fãs da série acreditaram que o universo de Splatoon tinha potencial para ir além da sua fórmula multijogador, explorando novas abordagens e narrativas. Com este novo projeto, a Nintendo parece finalmente dar esse passo, apresentando uma aventura que procura expandir os horizontes da franquia. A boa surpresa é que não recebemos apenas um pequeno capítulo, mas sim um jogo extremamente competente, polido e com conteúdo mais do que suficiente para nos agarrar durante umas boas dezenas de horas.

Embora a jogabilidade mantenha intactos os alicerces que definem a série, é evidente desde os primeiros minutos que foram implementadas várias alterações para adaptar a experiência a uma aventura totalmente focada no single-player. Deixando de parte os tradicionais confrontos competitivos, o jogo aposta agora em expedições curtas de caça ao tesouro pelas Ilhas Spirhalite, onde assumimos o papel de um mecânico que trabalha lado a lado com os Deep Cut e usa um navio móvel como base de operações antes de ser lançado para os cenários cheios de inimigos, relíquias e recursos.

Para dar sentido a esta nova estrutura, foi construída uma narrativa mais presente, que serve basicamente para nos guiar pelas várias ilhas que precisamos de explorar. Não esperem uma história complexa, mas a verdade é que tem o seu charme, muito graças às interações entre as personagens e às suas atuações musicais, que considero até alguns dos momentos mais divertidos de Splatoon Raiders.

Um acontecimento misterioso puxa os Deep Cut para uma nova jornada.

Falando na jogabilidade, e apesar de algumas mudanças na estrutura, a movimentação vai parecer familiar a quem jogou os títulos anteriores. Nadar pela tinta que espalhamos no terreno, escalar superfícies e esquivar dos ataques dos Salmonids continua tão fluido e intuitivo como de costume, mantendo a diversão constante ao qual nos acostumaram.

O combate foi da mesma forma expandido, com um variado arsenal de armas e gadgets que vamos encontrando e desbloqueando pelos cenários. Isto convida-nos a testar várias combinações que tornam a caça ao tesouro mais cativante e estratégica. Há opções que privilegiam a agressividade a curta distância, enquanto outras funcionam melhor de longe, ao melhor estilo de um sniper, mantendo-nos confortáveis e em segurança. Se estivermos abertos a experimentar, cada nova descoberta pode mudar por completo a nossa abordagem em combate, especialmente quando combinada com os dispositivos que construímos.

A presença de três tipos de tanques acrescenta ainda mais camadas à estratégia. O Speed Tank incentiva a mobilidade constante, fugas táticas e investidas rápidas, o Power Tank recompensa quem prefere partir para o ataque direto contra inúmeros inimigos e o Tactical Tank privilegia o posicionamento, permitindo recorrer a armadilhas e itens de apoio. A minha experiência passou principalmente pelo Speed Tank, por dar prioridade ao movimento, mas no tempo em que testei os restantes percebi que não há opções visivelmente superiores, é puramente uma questão de gosto e que todos funcionam impecavelmente.

Os combates enchem os cenários de cor.

Outro aspeto que me agradou também foi a enorme liberdade para personalizar o equipamento. Com a dificuldade a aumentar à medida que avançamos de ilha para ilha, encontrar perks passa a ser fundamental para tornar as incursões mais acessíveis. Seja a aumentar o dano e o alcance dos ataques ou a prolongar a duração, este sistema permite-nos moldar o nosso arsenal há nossa vontade.

Tudo isto culmina num ciclo de progressão extremamente agradável. Cada expedição, seja ela bem-sucedida ou não, contribui para a evolução do nosso mecânico, até porque os materiais recolhidos permanecem connosco mesmo quando falhamos. No final, há sempre uma nova melhoria por desbloquear, uma arma diferente para experimentar ou um gadget à espera de ser testado.

O nosso mecânico é um excelente surfista.

As Ilhas Spirhalite servem de palco para toda a ação, colocando a exploração como um dos pontos principais da experiência. Cada bioma tem a sua singularidade, passando por florestas tropicais, áreas vulcânicas até cavernas subterrâneas, onde encontramos os cristais Spirhalite, Relíquias Salmonid e possivelmente pedaços de informação sobre este mundo desconhecido. Vale mesmo a pena vasculhar cada canto dos cenários, até porque a curiosidade é constantemente recompensada.

Pelo meio desta exploração, deparamos-nos com áreas subterrâneas onde o desafio se torna mais intenso e hostil. Nestes locais, o objetivo passa por derrotar hordas contra o relógio para conseguir escavar mais fundo e alcançar a zona final, onde nos espera quase sempre um chefe. É nestes momentos que somos postos à prova e que os genes da série vêm ao de cima. Temos de estudar a melhor forma de derrotar os inimigos, mudar o nosso estilo de combate e evoluir o arsenal com conhecimento. Mesmo que os objetivos dos níveis possam tornar-se um pouco repetitivos ao fim, garanto-vos que a diversão mantém-se sempre intacta.

Para que a jornada seja mais confortável, a progressão do nosso personagem apoia-se diretamente nos membros dos Deep Cut. Cada um assume uma função na base. A Shiver fica encarregue do fabrico de dispositivos, a Frye cuida das melhorias do arsenal e da conversão de materiais, e o Big Man organiza as descobertas enquanto apoia a investigação.

O robô está sempre ao nosso lado e apoia-nos sempre durante os combates.

A par do trio, o Exploration Bot revela-se outro aliado indispensável. Muito mais do que um mero assistente, este robô desempenha ajuda na localização de tesouros, no suporte em combate e no próprio movimento pelo mapa. Sem ele seria impossível alcançar plataformas distantes ou elevadas ou acionar os ataques especiais dos Deep Cut, este último fundamental para nos salvar a vida quando a confusão se instala contra os Salmonids.

Além disso, como sabem, Splatoon Raiders é focado em partidas a solo, com uma campanha guiada pela sua própria narrativa. No entanto, podemos convidar até 3 jogadores e construir um grupo, o que acaba por emular o conceito original da série para quem tem saudades das partidas em equipa. Para quem prefere jogar sozinho, é sempre possível usar a opção Call for Help para invocar outro jogador e receber apoio durante as expedições. Acreditem que é uma grande ajuda, alguns níveis são complicados e ter um par de mãos extra faz toda a diferença.

Não há dúvidas que Splatoon Raiders é um jogo muito competente. Contudo, não deixei de sentir falta de outro tipo de desafios nas ilhas. Para um jogo focado na aventura, teria assentado muito bem a inclusão de alguns quebra-cabeças para trazer mais variedade à jogabilidade, uma solução que, a meu ver, ajudaria a reduzir a sensação de repetição.

Armas e mais armas.

Visualmente, a identidade do jogo continua intacta e com um aspeto muito apelativo na Nintendo Switch 2. As ilhas apresentam detalhes notáveis e a Nintendo volta a superar na criatividade do design das criaturas. É verdade que há um ou outro cenário em que os elementos decorativos deixam um bocado a desejar mas nada que tire o charme a este mundo. No que diz respeito ao desempenho, não tenho nada a apontar, mesmo com os cenários carregados de inimigos, o jogo corre sem quaisquer problemas em ambos os modos, e ter a liberdade de jogar em qualquer lugar é sempre uma enorme vantagem.

Em contrapartida, a banda sonora acabou por ser o elemento que menos me convenceu. As músicas não ficam no ouvido e pecam por serem demasiado simples, falhando em acompanhar a energia habitual de Splatoon. Outro ponto que não posso deixar de lamentar é também a ausência de legendas em Português

Splatoon Raiders é um jogo que está, com certeza, a conquistar os fãs da série e quem procurava uma experiência “diferente” dentro do universo de Splatoon. Apesar de o seu ciclo se tornar um pouco repetitivo ao fim de algum tempo, o combate consegue ser extremamente desafiante, sem nunca deixar de lado a diversão da caça ao tesouro. Mostra que esta série pode ir além da competitividade habitual, colocando a Nintendo num bom caminho para continuar a explorar novas experiências single-player no futuro.

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