Há séries que arrancam tão bem que parecem destinadas a entrar para a história. Os fãs recomendam-nas a todos os conhecidos, criam expectativas enormes para a continuação, e depois… a temporada seguinte chega e desfaz tudo isso numa questão de episódios.
10Tower of God
A chegada de Tower of God trouxe consigo grandes expectativas, já que se tratava da adaptação de um webtoon extremamente popular, com visuais cuidados e um mundo cheio de potencial por explorar. Uma história sobre traições, jogos de poder e a própria natureza humana prometia bastante, e os primeiros episódios ainda conseguiram construir alguma tensão de forma consistente.
Só que essa consistência não durou muito. Motivações importantes de personagens foram ficando por explicar, momentos essenciais do webtoon acabaram simplesmente cortados, e o peso emocional que a história pedia nunca chegou a instalar-se como devia. A traição de Rachel, que na obra original é um dos pontos mais marcantes de toda a trama, acabou por parecer vazia, justamente por ter sido apresentada de forma demasiado apressada.
9Aldnoah.Zero
Aldnoah.Zero parecia, à estreia, a próxima grande série mecha da década. Um tom militar sombrio, uma banda sonora envolvente e um elenco de personagens moralmente ambíguas davam-lhe um nível de maturidade que só Code Geass conseguia rivalizar por essa altura, o que naturalmente disparou as expectativas para a segunda temporada.
Foi exatamente aí que tudo começou a desmoronar-se. Em vez de continuar a desenvolver o conflito entre Marte e a Terra, a série passou a apostar quase tudo no espetáculo visual, com personagens principais a morrer e a voltar à vida sem grande justificação narrativa. Até o drama político, que inicialmente parecia bem construído, foi ficando cada vez mais absurdo à medida que os episódios avançavam.
Os duelos que antes tinham alguma tensão real transformaram-se em combates vistosos mas praticamente sem consequências para a história, e a série acabou por esgotar em poucos episódios os ideais que a tinham tornado tão interessante logo desde o início.
8Psycho-Pass
A primeira temporada de Psycho-Pass é praticamente irrepreensível. A série combina elementos de cyberpunk e thriller policial dentro de um mundo extremamente bem construído, com temas sobre moralidade e vigilância que continuam surpreendentemente atuais. É precisamente esse nível de qualidade que torna a queda da segunda temporada tão evidente para quem acompanhou desde o início.
O mundo deixou praticamente de crescer, e as implicações mais sombrias do Sistema Sybil, um dos grandes trunfos da primeira temporada, ficaram por explorar com o mesmo cuidado. O novo antagonista, Kamui, fica muito aquém do carismático Makishima, com motivações confusas que nunca são bem explicadas ao espectador ao longo dos episódios.
Os debates filosóficos que davam profundidade à série transformaram-se em monólogos vazios, e a evolução de Akane como protagonista praticamente estagna. Mesmo o tom geral e a animação passam a ser inconsistentes, dando a sensação de se estar perante um spin-off e não uma verdadeira continuação. Quando a franquia tentou recuperar terreno com filmes e novas temporadas, o estrago já estava feito.
7The Seven Deadly Sins
Durante as primeiras duas temporadas, The Seven Deadly Sins conseguia equilibrar comédia e aventura de forma quase impecável, ao ponto de competir de igual para igual com clássicos consagrados do shonen de fantasia. Essa qualidade, sustentada pela A-1 Pictures, manteve-se consistente até à chegada de Imperial Wrath of the Gods, quando a produção passou para o Studio Deen.
A mudança fez-se sentir de imediato em praticamente tudo. Lutas que antes pareciam cinematográficas tornaram-se rígidas e desajeitadas, e cenas emocionais perderam grande parte do impacto por causa de expressões estranhas e de uma coreografia sem vida nenhuma. A própria história também não ajudou nesse momento, o antes fascinante mundo de Britânia começou a parecer sufocante, e a tragédia de Meliodas acabou perdida no meio de lutas intermináveis e melodrama excessivo.
Nem os fãs mais fiéis conseguiram continuar a defender o que aconteceu depois da troca de estúdio, e a queda de qualidade tornou-se um dos casos mais discutidos entre os fãs de anime nos últimos anos. Tentativas posteriores de corrigir o rumo já pouco puderam fazer contra um estrago praticamente irreversível.
6Sword Art Online
Assim que estreou, Sword Art Online conquistou de imediato o público, muito graças à premissa envolvente de um jogo de realidade virtual do qual não era possível sair sem arriscar a própria vida. Foi só com a transição para o arco de Fairy Dance que as coisas começaram a mudar de forma drástica, ao deixar Asuna de lado e trocar o drama de sobrevivência por uma fantasia bem mais comum.
A segunda temporada até tentou compensar essa mudança de rumo, mas a tensão e a sensação de perigo real que tinham conquistado tantos fãs já se tinham perdido em grande parte pelo caminho. Em vez de apostar em narrativa emocional, a série passou a depender cada vez mais de fan service e de uma mitologia bastante mais complexa, o que acabou por diluir o investimento emocional que a premissa original tinha conseguido criar.
Kirito, que começou como um simples sobrevivente a lutar pela vida, transformou-se pouco a pouco num herói praticamente invencível, e com essa mudança desapareceram também grande parte das apostas dramáticas que davam peso à história. Sword Art Online continua a ser uma série influente, mas é também um dos exemplos mais citados de uma boa premissa a desmoronar-se logo depois de uma temporada menos conseguida.
5The Rising of the Shield Hero
Quando estreou, The Rising of the Shield Hero destacou-se de um género isekai já bastante saturado. A série tinha apostas emocionais reais, uma construção de mundo cuidada e um protagonista que precisava mesmo de trabalhar duro para conquistar a sua redenção, em vez de a receber simplesmente de bandeja. Foi precisamente essa qualidade que tornou a segunda temporada tão dececionante para grande parte dos fãs.
O ritmo tornou-se lento, e a construção de mundo, antes tão densa e cuidada, ficou visivelmente mais fraca. Em vez de continuar a acompanhar a evolução emocional e moral de Naofumi, os espectadores viram-se perante uma sucessão de missões secundárias repetitivas e vilões praticamente descartáveis, com pouco impacto na história principal.
Até a animação perdeu brilho ao longo dos episódios seguintes. O que tinha começado como uma das histórias isekai mais realistas e sérias do momento tornou-se rapidamente esquecível, e perto do final da segunda temporada era difícil acreditar que se tratava da mesma série que tinha conquistado tantos fãs logo à partida.
4Tokyo Ghoul
A primeira temporada de Tokyo Ghoul funciona quase como um retrato perfeito de horror e tragédia. A descida de Kaneki ao mundo dos ghouls tem uma qualidade quase poética, misturando ação e trauma psicológico de forma muito bem equilibrada ao longo dos episódios. Por isso, a chegada de Tokyo Ghoul √A apanhou tantos fãs de surpresa, ao afastar-se quase por completo daquilo que tinha funcionado até ali.
Em vez de seguir o mangá de perto, √A optou por saltar arcos inteiros, alterar motivações de personagens importantes e reduzir toda a complexidade da primeira temporada a uma confusão narrativa difícil de acompanhar. O desenvolvimento de Kaneki foi praticamente apagado, e o ritmo, antes tão cuidado, tornou-se frenético, quase como se a equipa criativa estivesse apenas a correr para chegar a um final que nem sequer parecia bem pensado.
Quando Tokyo Ghoul:re finalmente chegou, a estrutura da história já estava demasiado comprometida para se recompor por completo. O que começou como uma obra elegante, sombria e introspetiva acabou por se transformar numa série apressada e confusa, muito distante do que tinha conquistado o público logo no início.
3The Promised Neverland
Poucas estreias de anime foram tão cativantes como a de The Promised Neverland. A primeira temporada é praticamente perfeita, tensa, emocionalmente avassaladora e muito bem escrita do início ao fim, sem grandes quebras de ritmo. Foi precisamente por isso que a segunda temporada, produzida pelo estúdio CloverWorks, deitou por terra grande parte desse potencial de forma quase imediata.
A produção optou por saltar arcos inteiros do mangá, eliminar vilões complexos que davam profundidade à história e comprimir anos de construção emocional em apenas alguns episódios de ritmo acelerado. O que era uma envolvente história de fuga, repleta de tensão entre perseguidores e perseguidos, ficou despida de grande parte da sua energia original.
Até a própria animação pareceu perder qualidade ao longo da temporada, como se a equipa responsável tivesse deixado de acreditar no potencial da série que tinha nas mãos. Os fãs que se tinham apaixonado por The Promised Neverland enquanto novo clássico do género ficaram praticamente incrédulos com a mudança, e a série tornou-se conhecida, de forma quase lendária, pela rapidez com que caiu de qualidade.
2Record of Ragnarok
Poucos animes tiveram um conceito tão apelativo à partida como Record of Ragnarok, um torneio onde deuses enfrentam os maiores heróis da humanidade para decidir o destino do mundo. Havia escala mitológica, designs de personagens marcantes e potencial de sobra para batalhas verdadeiramente épicas. Ainda assim, algures no processo, alguma coisa correu mal.
Em vez de entregar combates dinâmicos e cinematográficos, a série, produzida pela Graphinica, transformou cada luta praticamente numa apresentação de slides mal animada. Longos flashbacks interrompiam constantemente as cenas de ação, quebrando qualquer sensação de ritmo, e chegou a haver episódios inteiros em que praticamente nenhum golpe era desferido.
A promessa de confrontos épicos acabou diluída por um ritmo inconsistente e por uma qualidade de animação bastante irregular. O material original é, por natureza, dramático e exagerado da melhor forma possível, mas a adaptação acabou apenas por ser excessiva sem consistência nenhuma, tornando Record of Ragnarok um exemplo claro de potencial desperdiçado.
1The God of High School
The God of High School arrancou com um ímpeto tremendo. A coreografia das lutas era eletrizante, a animação fluida e a premissa simples mas cativante o suficiente para prender qualquer espectador logo nos primeiros episódios. Por trás desse brilho inicial, no entanto, a narrativa começou a desmoronar-se relativamente depressa.
A série avançou a correr sobre o material original, ignorando arcos inteiros de desenvolvimento de personagens ao longo do caminho. Motivações ficaram por explicar, e grandes revelações passaram praticamente despercebidas, sem qualquer impacto real na história que se estava a contar. O que devia ser uma série sobre perseverança e força interior transformou-se, aos poucos, numa sucessão constante de combates sem grande contexto por trás.
Apesar de toda a qualidade técnica da animação, The God of High School acabou por parecer bastante vazia por dentro. No episódio final, as lutas que tinham conquistado tantos fãs logo desde o início já pouco significavam, funcionando como o exemplo perfeito de como nem a melhor animação consegue salvar um anime que nunca para para respirar.









