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Após 17 anos, Japão enforca autor de incêndio que matou cinco pessoas numa sala de jogos em Osaka

Japão retoma execuções: o que se sabe sobre o primeiro caso do governo de Sanae Takaichi

Shaking Tokyo movie screenshot Japão

O Japão executou esta sexta-feira, 21 de agosto, um homem condenado pelo incêndio de uma sala de pachinko em Osaka, em 2009, que provocou cinco mortos. Sunao Takami, de 58 anos, foi enforcado quase 17 anos depois de ter ateado o fogo, tornando-se o primeiro condenado a ser executado desde a chegada de Sanae Takaichi à liderança do governo japonês, em outubro de 2025.

A confirmação foi feita pelo Ministério da Justiça do Japão, que só divulga estes casos depois de consumada a execução. É prática habitual no país que os próprios condenados só sejam informados da data na manhã em que vão morrer, um procedimento repetidamente criticado por organizações de direitos humanos.

O que aconteceu em Osaka em 2009

Takami tinha ficado desempregado em abril de 2009 e não conseguia arranjar novo trabalho. Segundo documentos do processo, decidiu levar a cabo um ataque indiscriminado como forma de vingança contra a sociedade e contra pessoas que, de forma delirante, considerava responsáveis pelo seu infortúnio.

A 5 de julho de 2009, por volta das 16h15, espalhou gasolina pelo chão de uma sala de pachinko perto de sua casa, no bairro de Konohana, e ateou-lhe fogo. O pachinko é um jogo mecânico muito popular no Japão, semelhante a um cruzamento entre um flipper e uma slot machine, que funciona com milhares de pequenas esferas metálicas.

No momento do incêndio, o edifício de seis andares tinha 131 pessoas no seu interior, 95 das quais dentro da própria sala de jogo. As chamas alastraram rapidamente pelo espaço e mataram quatro clientes e um funcionário, além de terem ferido outras dez pessoas. Takami entregou-se à polícia no dia seguinte.

O Tribunal Distrital de Osaka condenou Takami à morte a 31 de outubro de 2011, por homicídio, tentativa de homicídio e incêndio. A defesa argumentou, sem sucesso, que o arguido sofria de um transtorno mental na altura dos factos e que a sua responsabilidade criminal deveria ter sido considerada limitada.

O Supremo Tribunal do Japão rejeitou o recurso e confirmou a pena de morte em fevereiro de 2016. A execução acabou por acontecer 17 anos depois do crime e cerca de dez anos e meio depois de a sentença se ter tornado definitiva, um intervalo que ilustra a lentidão habitualmente associada aos processos de pena capital no país.

Em conferência de imprensa, o ministro da Justiça japonês, Hiroshi Hiraguchi, confirmou pessoalmente a ordem de execução. As suas palavras, citadas pela CBS News:

Isto causou consequências extremamente graves e provocou um choque profundo e um sentimento de medo na sociedade“.

O ministro acrescentou ainda: “As vítimas cujas vidas foram tiradas devem ter sentido uma dor e um medo inimagináveis, e aqueles que ficaram feridos… foram forçados a viver com efeitos de longo prazo“.

Sobre a decisão em si, Hiraguchi afirmou: “Como ministro da Justiça, ordenei uma execução após uma reflexão cuidadosa e aprofundada“.

A execução ocorreu durante um período de recesso parlamentar, o que gerou críticas de que o momento teria sido escolhido propositadamente para evitar um debate público mais alargado sobre o caso. Hiraguchi negou que tenha existido qualquer intenção nesse sentido.

Uma pausa de mais de um ano

Antes deste caso, a última pessoa executada no Japão tinha sido Takahiro Shiraishi, conhecido como o assassino do Twitter, enforcado a 27 de junho de 2025 por ter assassinado e esquartejado nove pessoas num apartamento em Zama, na província de Kanagawa.

Olhando mais atrás no tempo, o histórico recente de execuções no Japão inclui:

  • Julho de 2022 — enforcamento de Tomohiro Kato, condenado por matar sete pessoas em Tóquio em 2008, ao atropelar transeuntes com um camião e depois esfaqueá-los
  • 2021 — três execuções
  • 2019 — três execuções
  • 2018 — quinze execuções, o ano com maior número de casos da última década

O Japão e os Estados Unidos são atualmente os únicos dois membros do G7 que mantêm a pena de morte em vigor. Apesar de críticas recorrentes de organizações internacionais, sobretudo quanto à falta de transparência do processo e às condições em que as execuções são comunicadas às famílias e aos próprios condenados, sondagens indicam que a esmagadora maioria da opinião pública japonesa continua a apoiar este tipo de sentença como algo inevitável em determinados casos.

Há atualmente cerca de cem pessoas no corredor da morte no Japão, das quais 43 têm pedidos de revisão de julgamento em curso. O debate sobre a manutenção ou abolição da pena capital no país é descrito pelo próprio ministro da Justiça como uma questão central para o sistema de justiça criminal japonês, que exige uma reflexão cuidada e um debate público alargado.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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