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Star Wars Zero Company é um sucesso, mas 80% da equipa está em licença sem vencimento

Star Wars Zero Company foi lançado dia 27 de agosto com críticas muito positivas e boas vendas nas plataformas digitais, mas por trás desse sucesso esconde-se uma realidade bem mais complicada. O estúdio responsável pelo jogo, a norte-americana Bit Reactor, colocou a maior parte do seu staff em regime de licença temporária ainda antes do lançamento e enfrenta agora um processo judicial que pode determinar o futuro da própria empresa.

Fundada em Hunt Valley, no estado norte-americano de Maryland, a Bit Reactor reúne vários veteranos da série XCOM, incluindo o seu fundador e diretor criativo, Greg Foertsch, antigo diretor de arte da Firaxis Games. Depois de anos de desenvolvimento em parceria com a Respawn Entertainment e a Lucasfilm Games, e com distribuição da EA, o estúdio via em Star Wars Zero Company a oportunidade de se afirmar no mercado com o seu jogo de estreia. O problema é que o dinheiro acabou antes de essa aposta poder dar frutos.

Cerca de 80% dos trabalhadores da Bit Reactor foram colocados em licença temporária a 12 de agosto, menos de três semanas antes da data de lançamento do jogo, e precisamente no mesmo dia em que surgiam as primeiras antevisões positivas de Zero Company.

Um representante do estúdio confirmou junto do Game File que a decisão partiu inteiramente da Bit Reactor, sem qualquer indicação da EA ou da Disney, detentora da licença de Star Wars. Nos Estados Unidos, quem é colocado em furlough (licença temporária) deixa de receber salário, mas mantém formalmente o vínculo à empresa, com a expectativa de regressar caso a situação financeira melhore. No caso da Bit Reactor, esse regresso parece depender quase exclusivamente do desempenho comercial de Zero Company, pelo que não há qualquer garantia de que todos os funcionários afastados venham a ser reintegrados. Ainda assim, o estúdio afirma que pretende também repor os salários em falta assim que possível.

Star Wars Zero Company Review: um excelente XCOM numa galáxia muito, muito distante

Um processo judicial que já dura há dois anos

A somar às dificuldades financeiras, a Bit Reactor enfrenta ainda um litígio interno que envolve diretamente a sua liderança. Alison Kelly, que exerceu o cargo de diretora de operações do estúdio até 2024, processou o cofundador e atual diretor executivo Greg Foertsch, alegando ter sido afastada da empresa apesar de deter uma participação como coproprietária.

O processo foi inicialmente apresentado num tribunal federal em julho de 2024, tendo sido depois refeito no condado de Baltimore, em Maryland, com acusações de incumprimento contratual e enriquecimento ilícito por parte de Foertsch. Kelly pede uma indemnização superior a 20 milhões de dólares, alegando que a Bit Reactor vale, na realidade, mais do que o dobro desse valor.

O julgamento, inicialmente marcado para junho deste ano, acabou por ser adiado para o início de 2027, com ambas as partes ainda a recolher depoimentos e a apresentar novas alegações.

Apesar de surgir entre os títulos mais populares em várias lojas digitais, a Bit Reactor não divulgou até ao momento números concretos de vendas de Zero Company.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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