
A Nvidia lançou o DLSS 5 e mudou outra vez as regras do jogo na renderização gráfica. Agora, um conhecido leaker da área das placas gráficas garante que a AMD já está a preparar a sua própria resposta, batizada internamente de Neural Lighting. A má notícia para quem tem uma Radeon é que a tecnologia só deverá chegar com a próxima arquitetura RDNA 5, cujo lançamento ainda vai demorar bastante tempo.
A informação foi avançada por Kepler_L2, um dos nomes mais respeitados quando se trata de antecipar os planos da AMD, numa série de mensagens publicadas no fórum da Anandtech. Segundo o leaker, a Neural Lighting insere-se na categoria mais ampla da renderização neuronal, um conceito que descreve como qualquer tecnologia capaz de substituir os shaders tradicionais por redes neuronais. Nas suas próprias palavras, “a AMD vai ter a sua própria versão de Neural Lighting, tal como o DLSS 5, na próxima geração“.
O que se sabe sobre a tecnologia
Ao contrário do que seria de esperar, a Neural Lighting não deverá funcionar exatamente da mesma forma que a solução da Nvidia. Kepler_L2 fez questão de esclarecer que não se trata de uma alternativa ao Ray Reconstruction, mas sim de uma resposta direta ao conceito de renderização neuronal introduzido pelo DLSS 5.
Um dos pontos mais discutidos é a exigência de processamento que este tipo de solução acarreta. Questionado sobre se a funcionalidade ficaria reservada às futuras placas RDNA 5, o leaker respondeu apenas que “provavelmente, isto é bastante pesado“, deixando perceber que o hardware atual da Radeon não terá capacidade suficiente para correr a tecnologia de forma eficiente. Esta limitação deverá também depender de hardware dedicado à inteligência artificial que a AMD ainda não confirmou oficialmente para a nova arquitetura.
Kepler_L2 foi mais longe e partilhou aquilo que considera ser a abordagem ideal para a AMD conseguir destacar-se da Nvidia neste campo. Segundo o leaker, o modelo neuronal devia trabalhar diretamente com os dados tridimensionais do jogo, como a geometria, os materiais e a informação de ray tracing, em vez de tentar interpretar apenas aquilo que aparece no ecrã. Defende ainda que a iluminação e o tratamento de superfícies complexas deviam ficar a cargo de dois modelos distintos, sem que a gradação de cor original da imagem fosse alterada no processo.
Esta separação de tarefas teria um objetivo concreto, evitar o efeito muitas vezes apelidado de AI slop, ou seja, o aspeto artificial e pouco natural que este tipo de tecnologia por vezes produz. O próprio leaker admitiu que “é possível ter uma versão disto com alucinações mínimas e sem o aspeto de AI slop“, uma preocupação que muitos jogadores já manifestaram em relação ao DLSS 5, disponível desde há pouco tempo em títulos como NBA 2K27.
É importante sublinhar que tudo isto corresponde à visão pessoal de Kepler_L2 sobre a forma ideal de implementar a tecnologia, e não a uma confirmação de que a AMD vai seguir exatamente este caminho.
Quando chega a RDNA 5
Quem esperava uma resposta rápida da AMD ao domínio da Nvidia neste campo vai ter de ser paciente. A empresa ainda nem confirmou oficialmente o nome da arquitetura RDNA 5, e o calendário de lançamento continua envolto em incerteza.
O próprio Kepler_L2 já tinha apontado para meados de 2027 numa publicação anterior, feita ainda em dezembro de 2025. Vários parceiros de placas gráficas terão reforçado essa expectativa junto de órgãos de imprensa durante a Computex 2026, indicando também um lançamento a meio de 2027. Outro leaker de peso na comunidade, Moore’s Law Is Dead, chegou a uma conclusão semelhante depois de falar com um parceiro fabricante de equipamento original. Ainda assim, há quem acredite que os prazos possam escorregar para a segunda metade de 2027 ou mesmo para o início de 2028.
Este atraso não é propriamente uma boa notícia para a AMD, que continua a perder terreno para a Nvidia no mercado das placas gráficas dedicadas. A Nvidia detém atualmente cerca de 90% da quota deste mercado, uma vantagem que só tende a crescer enquanto a Radeon não conseguir apresentar uma alternativa credível às funcionalidades de inteligência artificial da concorrente.
Ainda assim, a espera pode trazer alguma vantagem à AMD. Ao contrário da Nvidia, que lançou o DLSS 5 isoladamente, a AMD poderá beneficiar do facto de a arquitetura RDNA 5 estar destinada a equipar também a próxima geração de consolas. Este alinhamento entre PC e consolas poderá dar à Neural Lighting um impulso adicional junto dos estúdios de desenvolvimento, algo que o DLSS 5 não tem por não estar ligado a nenhuma consola específica.









