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Os 7 animes de 2026 que mais desiludiram

Quando falta pouco mais de dois meses para o fim do ano, já é possível fazer o balanço do que 2026 trouxe ao universo do anime. Houve regressos muito aguardados, estreias memoráveis e uma quantidade invulgar de adaptações de mangá e de webtoon. Mas nem tudo correspondeu ao entusiasmo quando os animes foram anunciados.

7
Tomb Raider King

Tomb Raider King visual main (1)

Baseado no webtoon coreano com o mesmo nome, o anime do Studio EEK chegou em julho com uma premissa que logo despertou comparações com Solo Leveling. Seo Joo-heon, um saqueador de túmulos traído pela própria equipa, recebe uma segunda oportunidade e regressa quinze anos ao passado com o conhecimento necessário para reclamar relíquias sobrenaturais. Com um elenco de vozes de peso, onde se incluem Yoshimasa Hosoya e Saori Hayami, tudo apontava para um sucesso fácil entre os fãs de ação e fantasia.

O problema surgiu na escrita. O enredo foi apontado como repetitivo e o protagonista como pouco cativante, o que pesa muito numa série que depende da empatia com o herói e da sensação de progressão. As personagens secundárias e os vilões também não ajudaram, por serem vistos como unidimensionais e genéricos, o que reduz o impacto de qualquer confronto. Não foi o pior anime do ano, longe disso, mas a receção ficou claramente dividida.

A primeira temporada teve 12 episódios e terminou a 30 de setembro, depois de um adiamento de uma semana na emissão japonesa. Não foi anunciada qualquer continuação e, como a história original ainda tem muito para contar, não é certo que o anime chegue a adaptá-la por inteiro.

6
Drops of God

The Drops of God anime visual 2

O mangá de Tadashi Agi e Shu Okimoto começou a ser publicado em 2004 na revista Morning, da Kodansha, e tornou-se uma obra de culto pela forma como transforma a prova de vinhos em drama e mistério. A adaptação anime, produzida pelo estúdio Satelight, demorou mais de vinte anos a chegar. A história acompanha Shizuku Kanzaki, funcionário de uma empresa de cerveja, a Taiyo Beer, que entra numa competição com Issei Tomine para herdar a coleção de vinhos do pai, algo que passa por identificar determinadas garrafas, incluindo o lendário vinho Drops of God que dá nome à obra.

Foi aqui que o anime tropeçou. Os visuais pareceram rígidos e o uso de CGI foi considerado desajeitado, a ponto de alguns espectadores especularem sobre o recurso a inteligência artificial, uma suspeita que nunca foi confirmada nem demonstrada. Mais importante ainda, a série não conseguiu reproduzir o que faz o mangá funcionar: as descrições poéticas e exageradas dos vinhos, em que cada gole desencadeia reações dramáticas e memórias vividas.

Com 24 episódios divididos em dois blocos, o anime estreou a 10 de abril e terminou em setembro. Perante os problemas de produção e a baixa audiência, não surpreende que ainda não exista qualquer anúncio de segunda temporada.

5
Liar Game

Liar Game anime visual 2 (1)

Poucas estreias de 2026 geraram tanta expectativa como Liar Game. O mangá de Shinobu Kaitani, publicado na Young Jump entre 2005 e 2014, é muito respeitado pelos jogos psicológicos que coloca em cena. Nao Kanzaki, uma estudante bondosa, recebe um pacote com cem milhões de ienes e é arrastada para um jogo de engano e traição, em que acaba por se aliar a Shinichi Akiyama, um burlão experiente. Com o estúdio Madhouse a assegurar a produção, parecia garantido que a adaptação estaria à altura.

Não esteve. A animação foi criticada por ser rígida e os desenhos das personagens por parecerem estranhos, o que levou muitos a concluir que a série teria enfrentado dificuldades de produção e de orçamento. O ritmo apressado dos primeiros episódios acabou por esvaziar a tensão psicológica que é a marca do original, uma falha séria numa história que vive de lentas reviravoltas e de duelos mentais.

A primeira temporada estreou a 6 de abril, teve 26 episódios e terminou a 28 de setembro, e é já tida como um dos grandes fracassos do ano, com avaliações baixas. Ainda assim, foi confirmada uma segunda temporada, ainda sem data, e resta saber se a qualidade será corrigida.

4
From Far Away

From Far Away anime visual

Publicado a partir de 1991 na revista LaLa, o mangá de Kyoko Hikawa é um dos nomes maiores do shojo fantástico, e durante décadas foi apontado como uma das obras que mais mereciam uma adaptação que nunca chegava. Narra a história de Noriko, uma estudante transportada para um mundo mágico onde conhece o espadachim Izark, e reúne 14 volumes. Quando o anime foi confirmado, no início deste ano, a reação foi de entusiasmo genuíno.

Esse entusiasmo durou pouco. A produção ficou a cargo do Studio Deen, com Noriyuki Abe na direção, e bastou a divulgação das primeiras imagens para o ambiente mudar. Quem conhecia a arte elegante dos anos 90 do mangá encontrou visuais planos e muito diferentes do que esperava, e a série estreou a 4 de outubro, já integrada na temporada de outono, sem conseguir desfazer essa impressão.

Os primeiros episódios ainda estão a ser emitidos, pelo que o balanço final pode vir a ser diferente. Mas, se o nível de animação se mantiver, a adaptação arrisca-se a ser uma grande desilusão, sobretudo para quem já nem contava ver a obra animada.

3
Red River

Anime Red River visual 2 (1)

Serializado na Sho-Comi entre 1995 e 2002, o mangá de Chie Shinohara reúne 28 volumes e conquistou leitores e crítica, ao ponto de vencer o 46.º Shogakukan Manga Award, na categoria shoujo, em 2000. A história de Yuri, uma adolescente transportada para a antiga Anatólia, onde é tida como a encarnação da deusa da guerra Ishtar, ficou como um dos grandes clássicos do género. Mais de três décadas depois do início da publicação, a Tatsunoko Production e a VAP trouxeram-na finalmente para anime.

O resultado ficou muito aquém do que a obra merecia. O principal ponto fraco é visual, uma animação que não faz justiça à beleza do traço de Shinohara. A isto soma-se o facto de a história incluir elementos típicos do género que, para o público atual, soam a datados. O juízo é severo, se a adaptação tivesse chegado no início dos anos 2000 e com melhor animação, seria hoje provavelmente considerada um clássico.

A série estreou a 7 de julho e estão previstos 24 episódios, sem pausa entre os dois blocos, pelo que o final deverá chegar em dezembro.

2
Snowball Earth

Snowball Earth anime visual 2

Baseado no mangá de Yuhiro Tsujitsugu, publicado desde 2021 na Monthly Big Comic Spirits, da Shogakukan, este anime de ficção científica decorre num mundo pós-apocalíptico em que Tetsuo, um adolescente com dificuldades sociais, passa uma década em combate solitário a bordo de um mecha gigante. O mangá é muito elogiado pela originalidade e continua em publicação, tendo anunciado recentemente o início do seu arco final.

A adaptação do Studio Kai ficou longe de ser a pior do ano, mas deixou a sensação de que podia ter sido muito mais. O primeiro episódio gerou interesse, só que a partir do segundo o ritmo abrandou de forma evidente, a ponto de um único combate se prolongar mais do que seria razoável. Nem as personagens nem o cenário conseguiram, entretanto, criar o gancho necessário para prender o espectador, e os visuais e o foco narrativo também foram alvo de críticas.

A primeira temporada estreou a 3 de abril, teve 13 episódios e terminou a 26 de junho, com o anúncio imediato de uma segunda temporada. Ainda não há data de estreia nem mais detalhes.

1
Fist of the North Star: HOKUTO NO KEN

Hokuto no Ken -Fist of the North Star- visual (1)

Na primeira posição está um dos projetos mais mediáticos do ano. O mangá de Buronson e Tetsuo Hara, publicado na Weekly Shonen Jump a partir de 1983, é um marco do género de ação, e o reboot foi anunciado para assinalar os 40 anos da obra. A série original dos anos 80, produzida pela Toei Animation, nunca adaptou o mangá por completo e teve os seus próprios problemas de ritmo e de qualidade de animação, o que alimentou a ideia de que esta seria a oportunidade para fazer justiça à história de Kenshiro.

A TMS Entertainment não a aproveitou. O anime, que estreou a 10 de abril, foi criticado por visuais desajeitados e por um CGI 3D pesado e rígido que não faz jus à força do traço de Tetsuo Hara. Houve, aliás, sinais prévios, as primeiras imagens e os trailers já tinham deixado antever o que aí vinha, e foi essa fase de promoção que fez cair o entusiasmo.

O primeiro bloco teve 14 episódios e terminou a 26 de junho, e um segundo bloco já está confirmado para 2027. Com a reputação já abalada, a série terá de fazer muito para recuperar.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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