InícioAnimeGostaste de Attack on Titan? Estes 10 animes podem ser ainda melhores

Gostaste de Attack on Titan? Estes 10 animes podem ser ainda melhores

Quando se fala nos melhores animes de sempre, Attack on Titan raramente fica de fora. Ainda assim, ser excelente não é o mesmo que ser insuperável. Aqui ficam 10 animes que, em aspetos concretos, fazem o que Attack on Titan faz com mais profundidade, mais consistência ou mais impacto.

10
Vinland Saga

Vinland Saga vol 1 cover (1)

Baseado no mangá de Makoto Yukimura, Vinland Saga arranca como uma história de vingança passada na Europa da era viking. O jovem Thorfinn cresce à sombra de uma perda e de uma sede de vingança que parece não ter fim, num cenário violento onde a guerra faz parte do quotidiano. É um início brutal, que à primeira vista não promete muito mais do que ação e sangue.

O que mudou a perceção do público foi a direção que a história tomou. Tal como Attack on Titan, a série interessa-se pelos ciclos de violência e pelo preço que as personagens pagam por eles, mas pega nessa premissa e leva as personagens para um caminho completamente diferente, em que a redenção e o perdão ganham peso. Os grandes conflitos servem sobretudo de pano de fundo para o percurso interior de cada personagm, e isso dá às emoções o espaço de que precisam para respirar.

A primeira temporada, de 2019, foi produzida pelo Wit Studio, o mesmo que animou Attack on Titan, e a segunda, de 2023, passou para o MAPPA. Cada uma tem 24 episódios e, no conjunto, constroem uma mensagem de paz e compaixão que fica muito para além das cenas de combate.

9
Monster

capa Monster 04 pela Devir

Produzido pelo Madhouse e exibido entre 2004 e 2005, Monster tem 74 episódios e adapta o mangá de Naoki Urasawa. Tudo começa quando o neurocirurgião Kenzo Tenma, a trabalhar na Alemanha, decide salvar a vida de um rapaz e, anos depois, percebe que a criança se tornou um assassino em série chamado Johan Liebert. A partir daí, o médico passa a persegui-lo num jogo de gato e rato que se vai tornando cada vez mais inquietante.

Attack on Titan também mexe na ambiguidade moral e na capacidade do ser humano para a crueldade, mas fá-lo dentro de uma aventura fantástica cheia de ação. Monster aborda temas muito semelhantes num registo totalmente realista, sem monstros gigantes nem poderes, e o resultado é um thriller psicológico de ritmo lento, mas absorvente. Cada personagem, mesmo as secundárias, parece ter vida própria e motivações credíveis.

É também uma adaptação muito fiel ao material de origem, com uma escrita minuciosa em que as peças se vão encaixando ao longo de dezenas de episódios. Para muitos espectadores, o desfecho das histórias mais elaboradas chega a igualar, ou até superar, as melhores reviravoltas da série de Hajime Isayama.

8
Hunter x Hunter

Hunter x Hunter vol 38 cover

Quando se discute qual é o melhor shonen de longa duração, Hunter x Hunter costuma ser a primeira resposta. A versão de 2011, produzida pelo Madhouse a partir do mangá de Yoshihiro Togashi, tem 148 episódios e foi emitida até 2014. Começa de forma leve e até algo convencional, com Gon a tentar tornar-se Hunter e a conhecer Killua pelo caminho, mas não demora a transformar-se numa série muito mais ambiciosa.

O grande trunfo está na forma como o universo se expande. Os protagonistas nunca são tratados como escolhidos do destino, são apenas uma pequena parte de um mundo enorme onde cada personagem, de Kurapika a Hisoka, tem os seus próprios objetivos. Isso dá à narrativa uma imprevisibilidade que se mantém de arco em arco.

A isto soma-se o sistema de poderes baseado no Nen, um dos mais bem pensados do género, e uma variedade de histórias que passa do torneio ao thriller e à guerra. Attack on Titan tem uma narrativa global mais grandiosa, mas em matéria de construção de mundo, complexidade do sistema de poderes e diversidade de histórias, Hunter x Hunter continua a ter poucos rivais entre os shonen.

7
Fullmetal Alchemist: Brotherhood

Fullmetal Alchemist: Brotherhood

Exibida entre abril de 2009 e julho de 2010, Fullmetal Alchemist: Brotherhood é a segunda adaptação do mangá de Hiromu Arakawa e a que segue o enredo original até ao fim. A primeira, de 2003, tinha 51 episódios e seguiu um rumo próprio a certa altura. Já esta, produzida pelo estúdio Bones e com Yasuhiro Irie na direção, conta a história completa dos irmãos Elric em 64 episódios.

Edward e Alphonse procuram a lendária Pedra Filosofal para reverter as consequências de uma tentativa falhada de alquimia, e a viagem leva-os a descobrir segredos que ligam o governo, o exército e o próprio país. O argumento é tão bem estruturado que quase não deixa pontas soltas, e cada personagem, dos mais próximos aos antagonistas, tem um arco de evolução que compensa.

Se Attack on Titan teve momentos menos conseguidos ao longo dos anos, Fullmetal Alchemist: Brotherhood mantém um nível alto de forma muito consistente. A série equilibra aventura e emoção com temas mais pesados, como a corrupção do poder, os efeitos devastadores da guerra e o valor da vida humana, e é por isso que é frequentemente apontada como uma das melhores aventuras shonen de sempre.

6
Gintama

visual IMAX de Gintama New Film Version Yoshiwara in Flames

À primeira vista, Gintama e Attack on Titan parecem de universos opostos. Uma é um thriller de fantasia sombria, a outra é uma comédia de ficção científica absurda, adaptada do mangá de Hideaki Sorachi, em que Gintoki, Kagura e Shinpachi se metem em confusões a cada episódio. Muitos espectadores abandonam a série cedo por a julgarem apenas uma paródia.

Quem fica descobre que o humor é só a camada visível. Os episódios cómicos, aparentemente independentes, vão construindo o mundo e as personagens com uma complexidade que não se nota logo, e isso prepara o terreno para os momentos em que a série decide levar-se a sério.

Quando isso acontece, Gintama atinge alturas dramáticas difíceis de igualar, com arcos de ação intensa, emoção à flor da pele e uma profundidade temática que foge às convenções do shonen. É esta mudança de registo, sem perder a identidade, que explica a devoção dos fãs.

5
Cowboy Bebop

Cowboy Bebop visual 25 anos (1)

Nem todas as grandes histórias precisam de dezenas de episódios, e Cowboy Bebop é o melhor exemplo disso. Original da Sunrise, dirigido por Shinichirō Watanabe e estreado em 1998, tem apenas 26 episódios, a que a série chama sessões, e acompanha uma tripulação de caçadores de recompensas a bordo da nave Bebop, em 2071. A banda sonora de Yoko Kanno é parte inseparável da identidade da série.

Cada episódio funciona quase como uma pequena história própria. Há assaltos cómicos pelo espaço, episódios de atmosfera noir e dramas muito terra a terra, com personagens como Spike, Jet, Faye e Ed a cruzarem-se com todo o tipo de figuras marginais. Essa mistura de géneros nunca parece forçada e dá à série um estilo que ainda hoje é muito difícil de copiar.

Por baixo da diversão, há um fio condutor mais sério. Cowboy Bebop é sobre pessoas que tentam fugir ao passado e sobre a solidão, o luto e a impossibilidade de ignorar o que ficou por resolver. Tudo isto culmina num final trágico que muitos consideram superior ao de qualquer sucesso moderno de longa duração, incluindo Attack on Titan.

4
Jujutsu Kaisen

Jujutsu Kaisen 4 visual 2 (1)

Se o critério for a ação pura, a escolha recai sobre Jujutsu Kaisen, adaptação do mangá de Gege Akutami produzida pelo estúdio MAPPA, o mesmo estúdio que concluiu Attack on Titan.

Attack on Titan tem cenas de ação memoráveis, mas Jujutsu Kaisen leva a coreografia e a animação a um nível que raramente se vê na televisão.

Os combates são tratados como confrontos de cinema, com direção experimental, planos arrojados e uma fluidez que deixa as lutas de Yuji Itadori, Gojo e companhia sempre com ar de acontecimento. Momentos como o arco do Incidente de Shibuya tornaram-se referência entre os fãs de anime pela escala e pela ambição visual.

A narrativa é mais simples do que a de Attack on Titan, mas a série não vive só de imagem. Tem uma história de fantasia sombria intensa, implacável e de ritmo acelerado, que facilmente agrada a quem gostou da crueldade e da tensão da obra de Isayama.

3
Neon Genesis Evangelion

Neon Genesis Evangelion vol 1 cover

Attack on Titan tem muito em comum com os mecha de estilo real, tanto na forma como na mensagem antiguerra. Evangelion, criado pelo estúdio Gainax e estreado em 1995, é o mecha mais influente dos anos 90 e usa esse mesmo formato para falar de algo bem diferente: a vida interior de adolescentes obrigados a pilotar robôs gigantes enquanto o mundo caminha para o apocalipse.

Shinji, Misato, Gendo e Ritsuko vivem num cenário que ameaça o fim da humanidade, mas a série interessa-se mais pelo que se passa dentro de cada um. O trauma, a solidão e a dificuldade em comunicar com os outros estão no centro da história, e são retratados de forma mais crua do que em Attack on Titan, que também não foge ao sofrimento das suas personagens.

Apesar do alcance épico da história, Evangelion mantém um tom muito íntimo, e é essa ligação pessoal que tantos espectadores desenvolveram com a série que a mantém relevante há mais de 30 anos.

2
Berserk

Berserk vol 1 cover

A influência de Berserk na fantasia sombria é difícil de exagerar. O mangá de Kentaro Miura marcou gerações de autores e a sua marca é visível em grande parte dos animes e mangás do género, incluindo Attack on Titan. O tom é ainda mais negro, centrado em Guts, um herói traumatizado e moralmente ambíguo que sobrevive num mundo dominado pelo horror e pelo sofrimento.

Este é o ponto onde Attack on Titan leva vantagem, a adaptação completa. O anime de 1997, produzido pelo estúdio OLM, tem 25 episódios, é considerado a melhor adaptação de Berserk e foi emitido entre outubro de 1997 e março de 1998, mas ficou incompleto. Seguiram-se uma trilogia de filmes, em 2012 e 2013, e duas séries, em 2016 e 2017, estas últimas muito criticadas pelos fãs, sobretudo pelo uso de animação 3D.

O mangá, que continuou a ser publicado depois da morte de Kentaro Miura, em 2021, continua a ser a forma mais completa de conhecer a história, e a reputação da obra mantém-se intacta mesmo sem uma adaptação à altura.

1
Legend of the Galactic Heroes

Legend of the Galactic Heroes manga vol 1 cover (1)

Uma passa-se num mundo de monstros devoradores de humanos e a outra num futuro distante onde a humanidade se espalhou pelas estrelas, mas Attack on Titan e Legend of the Galactic Heroes acabam por convergir num ponto, ambas se transformam em dramas militares em que dois lados se enfrentam num conflito ideológico sem resolução clara.

A diferença está na forma como a série trata essa disputa. Adaptada das novels de Yoshiki Tanaka, opõe o Império Galáctico à Aliança dos Planetas Livres e acompanha figuras como Yang Wen-li com uma atenção ao pormenor político que poucas séries conseguem igualar. A Production I.G lançou uma nova adaptação em 2018, para quem prefere uma entrada mais recente.

Tudo se desenrola como a crónica de uma guerra real. A série abandona os clichés habituais do anime, constrói os conflitos sobre ideologias credíveis e evita juízos morais evidentes, obrigando o espectador a compreender as razões de ambos os lados e a tirar as suas próprias conclusões sobre quem tem mais justificação para a sua crueldade.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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