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10 séries anime dos últimos 25 anos que merecem ser chamadas de obras-primas

Ao longo dos últimos 25 anos, o anime passou de interesse de nicho a peça central da cultura pop global, e esse percurso deixou para trás centenas de séries genuinamente boas. Mas boa não é sinónimo de obra-prima. Para merecer esse título, uma série precisa de fazer algo que ninguém tinha feito antes, ou de deixar uma marca tão profunda que se torna impossível discutir o género sem lhe fazer referência.

10
Monster

Há poucas séries de suspense psicológico capazes de se colocar ao lado de Monster, e talvez nenhuma que consiga o mesmo efeito através de um vilão só. Produzida pelo estúdio Madhouse a partir do trabalho de Naoki Urasawa, a série dedica-se, com um cuidado quase obsessivo, a dissecar a mente de um psicopata, algo que dificilmente voltará a ser feito com este nível de profundidade.

O motivo principal para isso tem um nome, Johan Liebert. Poucos vilões na história do anime conseguiram gerar tanto desconforto e fascínio ao mesmo tempo, e é em torno dele que a narrativa constrói o seu ritmo particular, deliberadamente lento, mas sem deixar nenhum ângulo por explorar. Não é um final que se resolve com respostas fáceis, e é isso que faz Monster ficar na cabeça de quem a vê muito depois dos créditos finais.

9
Cyberpunk: Edgerunners

Produzida pelo estúdio Trigger e dirigida por Hiroyuki Imaishi, esta série de dez episódios, lançada pela Netflix em 2022 e baseada no universo do videojogo Cyberpunk 2077, prova que uma obra-prima não precisa de dezenas de episódios para deixar marca. A história de David Martinez, um jovem que decide tornar-se mercenário implante a implante numa Night City sem piedade, é contada num ritmo tão intenso quanto a própria animação do estúdio Trigger.

É precisamente essa brevidade que torna a série tão eficaz. Não há espaço para desperdiçar um único episódio, e o desfecho, já hoje uma referência quando se fala do melhor que o anime conseguiu fazer com pouco tempo, acerta em cheio numa tragédia que parece inevitável desde o primeiro minuto. Não é por acaso que a própria CD Projekt Red reconhece publicamente o impacto que a série teve na forma como o próprio jogo passou a ser recebido.

8
Vinland Saga

Vinland Saga vol 1 cover (1)

Poucas séries mudam de direção a meio do percurso e saem ainda mais fortes desse processo. Vinland Saga é uma delas. A primeira temporada, produzida pelo Wit Studio, já tinha estabelecido Thorfinn como um protagonista à altura de qualquer shonen de batalha competente, mas ninguém estava à espera do salto que a segunda temporada, já nas mãos do MAPPA, viria a dar.

Essa mudança não foi apenas de estúdio, foi também de identidade. A série deixa de ser sobre vingança e passa a ser sobre as consequências dela, um tema que poucos animes de ação conseguem tratar com esta seriedade sem perder o ritmo pelo caminho. É esse salto, raro e arriscado, que continua a garantir a Vinland Saga um lugar entre as melhores séries alguma vez produzidas.

7
Hunter x Hunter

Hunter x Hunter vol 1 cover (1)

O final dos anos 90 e o início dos anos 2000 ficaram marcados por gigantes do shonen como Naruto, Dragon Ball, Bleach ou One Piece, séries que, apesar de todo o seu impacto na popularidade do anime no Ocidente, partilham também um problema comum, a duração excessiva, normalmente acompanhada de fillers e de um ritmo arrastado.

Hunter x Hunter, produzida pelo estúdio Madhouse, é a exceção que confirma essa regra. Não perde tempo com desvios desnecessários, avançando de forma direta do início ao fim de cada arco. E no centro de tudo estão Gon e Killua, provavelmente uma das duplas mais bem construídas de todo o género, o suficiente para manter uma legião de fãs à espera de mais capítulos que façam justiça a essa amizade.

6
Devilman Crybaby

Devilman crybaby na Netfilx

Dirigida por Masaaki Yuasa e produzida pelo estúdio Science Saru, esta reinterpretação do clássico de Go Nagai, lançada pela Netflix em 2018, é a primeira adaptação a conseguir contar a história de Akira Fudo do princípio ao fim, em apenas dez episódios. E fá-lo sem suavizar absolutamente nada da violência e do desespero que definem o material original.

À medida que a série avança, o que começa como uma história relativamente direta sobre um rapaz que ganha poderes demoníacos para proteger a humanidade transforma-se, episódio após episódio, num retrato cada vez mais perturbador de como o ódio se justifica a si próprio quando o mundo parece estar a acabar. O final, hoje frequentemente apontado como um dos mais influentes de toda a história do mangá e do anime, não poupa ninguém, nem sequer o próprio protagonista.

5
Attack on Titan

Attack on Titan

Se é preciso escolher uma única série para resumir a década de 2010 no anime, dificilmente existe melhor candidato do que Attack on Titan. O impacto que teve no género, e na forma como o público ocidental passou a encarar o anime, ainda hoje se sente. Se Cowboy Bebop tinha aberto a porta ao Ocidente, foi Attack on Titan que garantiu que essa porta nunca mais se voltasse a fechar.

É uma série brutal, sombria e ao mesmo tempo capaz de deixar espaço para esperança, muitas vezes tudo isso dentro do mesmo episódio. Eren carrega grande parte desse peso dramático, mas está longe de o fazer sozinho, o elenco secundário que o rodeia está entre o melhor que o género já produziu, o que ajuda a perceber porque é que a série continua a ser o ponto de referência sempre que se discute o que definiu o anime moderno.

4
Frieren: Beyond Journey’s End

visual Temporada 2 de Frieren (1)

Normalmente, uma franquia precisa de uma ou duas temporadas para mostrar todo o seu potencial. Frieren: Beyond Journey’s End, produzida pelo estúdio Madhouse, resolveu esse processo num único episódio, deixando claro, logo à partida, que se tratava de algo diferente de tudo o resto no género.

Essa sensação mantém-se ao longo de toda a primeira temporada, que não fica aquém de um dez perfeito, quer para quem está a descobrir o anime agora quer para quem o acompanha há décadas. Com a terceira temporada já a caminho, tudo aponta para que esse nível de qualidade se mantenha, o que só reforça a posição da série entre as melhores da atual geração.

3
Takopi’s Original Sin

Takopi's Original Sin anime visual 1

Produzida pelo estúdio Enishiya, esta minissérie de seis episódios foi, sem exagero, uma das maiores surpresas de 2025, apesar de quase ninguém a esperar. A premissa inicial parece inofensiva, um alienígena alegre e ingénuo chega à Terra com a missão de espalhar felicidade, e a primeira personagem com quem cria amizade é uma criança isolada e alvo de bullying.

É precisamente nesse contraste que a série constrói o seu impacto. Já no primeiro episódio, a história vira-se de forma brutal para temas muito mais pesados, abordando o efeito devastador do abuso, da negligência e de expectativas impossíveis sobre crianças que já não sabem a quem recorrer. Apesar de tudo, e sem nunca facilitar o caminho até lá, Takopi’s Original Sin encontra espaço para uma resolução comovente, ainda que agridoce, o que ajuda a explicar por que motivo continua a ser apontada como um dos maiores casos recentes de uma série curta a dizer mais em seis episódios do que muitas outras conseguem em centenas.

2
86 Eighty-Six

86 Eighty-Six anime visual

Produzida pela A-1 Pictures a partir das novels de Asato Asato, 86: Eighty-Six esconde, por trás de um cenário de mechas em guerra, uma das críticas mais duras que o anime alguma vez fez à forma como uma sociedade justifica a desumanização de quem já decidiu descartar. A República de San Magnolia garante ao mundo que já não perde vidas humanas na guerra contra o Império vizinho, apenas máquinas autónomas. É mentira, quem pilota essas máquinas são os chamados Oitenta e Seis, cidadãos que o próprio regime já não considera humanos.

É nesse contraste, entre a propaganda confortável de quem vive dentro dos limites seguros da República e o horror absoluto vivido por Shin e pelo Esquadrão Spearhead na linha da frente, que a série constrói o seu argumento mais forte. Lena, a nova comandante à distância desse esquadrão, funciona como ponte entre esses dois mundos, e é através dos seus olhos que o espetador vai percebendo, aos poucos, a dimensão real daquilo que a própria sociedade escolheu não ver. Poucas séries de mecha conseguem ser, ao mesmo tempo, tão brutais em combate e tão desconfortáveis nas suas implicações políticas, o que torna 86: Eighty-Six uma adição praticamente obrigatória a esta lista.

1
Fullmetal Alchemist: Brotherhood

Fullmetal Alchemist: Brotherhood

Há um motivo bastante concreto para Fullmetal Alchemist: Brotherhood, do estúdio Bones, ser tantas vezes apontado como a melhor série de anime de sempre, é extremamente difícil apontar-lhe falhas reais. Não é apenas uma questão de gosto pessoal, é a forma como a série resolve, de forma quase impecável, cada elemento da sua própria história.

Em apenas 64 episódios, consegue contar algo mais completo e satisfatório do que muitas séries alcançam em centenas, respondendo a perguntas bastante ambiciosas sem nunca perder o fio à meada. Se alguma série chegar sequer a metade do nível de Fullmetal Alchemist: Brotherhood, já pode ser considerada, por si só, uma obra notável.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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