
Numa altura em que o PC continua a crescer e o jogo em smartphones já é o segmento mais valioso de toda a indústria, Hideaki Nishino, presidente e diretor executivo da Sony Interactive Entertainment, decidiu reafirmar uma posição que facilmente poderia soar a contracorrente, a de que uma consola continua a ser indispensável para jogar.
Nishino assumiu este duplo cargo, de presidente e diretor executivo da Sony Interactive Entertainment, em abril de 2025, continuando simultaneamente como responsável pelo grupo de negócio da plataforma. É também nessa qualidade que tem vindo a comentar, com regularidade, o rumo que a Sony quer dar ao negócio do hardware.
Uma consola continua a ser necessária, mas o formato pode mudar
A afirmação mais direta surge numa entrevista recente à revista japonesa Famitsu. Questionado sobre o futuro do hardware da PlayStation, Nishino respondeu da seguinte forma:
“A minha convicção de que uma consola de jogos é necessária para jogar permanece inalterada. Penso que podemos criar algo interessante ao utilizar tecnologias que podem ser usadas de várias formas e em vários locais para desenvolver novas experiências de consola”.
A frase, por si só, já seria suficiente para gerar debate entre quem defende que o futuro dos jogos passa cada vez mais pela nuvem ou por dispositivos móveis. Mas Nishino não ficou por aqui, e usou um exemplo concreto da própria Sony para sustentar o argumento.

O exemplo escolhido foi a PlayStation Portal
Continuando o raciocínio, Nishino apontou a PlayStation Portal, o dispositivo portátil lançado pela Sony para permitir jogar remotamente a partir de uma PS5, como prova de que o conceito de consola pode adaptar-se a diferentes estilos de vida sem deixar de ser, na sua essência, uma consola:
“Por exemplo, embora a PlayStation esteja fortemente associada a jogar na televisão da sala, desenvolvemos a PlayStation Portal para permitir uma experiência de jogo confortável também noutros locais. Queremos continuar a assumir novos desafios para que possamos oferecer experiências de jogo que se adaptem a estilos de vida diversos”.
É uma forma de Nishino justificar, ao mesmo tempo, dois argumentos que poderiam parecer contraditórios, a ideia de que o hardware dedicado continua a ser essencial, mas também de que esse hardware não precisa de se limitar à imagem tradicional de uma consola ligada a uma televisão. A PlayStation Portal, lançada em 2023, foi inicialmente recebida com alguma desconfiança, mas a própria Sony já a tinha descrita anteriormente como um sucesso comercial.
Esta abertura a novos formatos de hardware tem sido lida como um possível indício de que a Sony não descarta voltar a investir noutro tipo de dispositivos portáteis dedicados, embora a empresa não tenha, até ao momento, confirmado qualquer plano concreto nesse sentido.
A mesma entrevista voltou também a tocar no tema do PC
Esta não foi a única declaração relevante feita por Nishino durante a entrevista à Famitsu. O CEO aproveitou ainda para comentar a polémica recente em torno da retirada dos jogos exclusivos para um só jogador da Sony do PC, um tema que tinha ganho destaque no mês anterior, depois de Hermen Hulst, CEO do grupo de negócio dos estúdios da Sony, ter confirmado internamente essa mudança de estratégia.
Segundo a mesma entrevista, Nishino explicou a lógica por detrás da decisão:
“Se o lançamento de um título no PC maximizar a experiência de jogo, continuaremos a considerar essa opção. A nossa política principal atual é que, para os jogos para um só jogador desenvolvidos internamente, vamos continuar a refinar o valor da experiência de jogo que a PlayStation pode oferecer”.
E quanto aos jogos com componente online, a abordagem mantém-se distinta:
“Ao mesmo tempo, consideramos importante que os jogos como serviço alcancem um público mais vasto através do multijogador online, por isso continuamos a ver o lançamento tanto na PS5 como no PC como sendo a norma”.
No conjunto, as declarações de Nishino traçam um retrato bastante coerente da estratégia atual da Sony, hardware dedicado como pilar central da experiência PlayStation, alguma flexibilidade quanto à forma física que esse hardware pode assumir, e uma separação clara entre o tratamento dado aos grandes exclusivos narrativos e aos jogos pensados para uma audiência mais ampla.








