
Quando o computador está inativo, a placa gráfica fica quase sem trabalho. É precisamente esse tempo morto que a Microsoft quer aproveitar num pedido de patente publicado a 5 de novembro de 2026, que descreve um sistema capaz de distribuir tarefas de treino de modelos de inteligência artificial por telemóveis, portáteis e PC de jogos, recompensando quem ceder a sua capacidade de processamento.
O documento, com a referência US 2026/0349820 A1 e o título Opportunistic Micro-training on Edge Devices Using Spare GPU Utilization. A ideia central é evitar que o treino de um modelo fique concentrado num único centro de dados. Em vez disso, o sistema analisa as dependências do modelo e procura pontos de divisão com base no custo de comunicação, na memória necessária e na localização dos dados. O resumo da patente fala num sistema que “decompõe tarefas de treino em microtarefas treináveis de forma independente”.
Cada microtarefa é depois ajustada à capacidade do dispositivo que a vai executar. Os aparelhos que entram e saem da rede de forma imprevisível recebem tarefas mais pequenas e que os resultados devolvidos são comparados com os de outros dispositivos, com mais peso para as máquinas com bom historial.
A patente dedica bastante espaço à definição de GPU inativa. O sistema recorre a métricas como a utilização da GPU e do CPU, o uso de memória, a temperatura e o consumo de energia, e reduz a frequência das verificações quando a placa está ocupada ou quente. O sistema prevê quando o aparelho vai estar livre e o pedido inclui salvaguardas, como limites de memória e pausa do trabalho quando o dispositivo aquece.
A participação seria voluntária, e os proprietários teriam de se inscrever antes. Quem aceitasse veria a computação cedida contabilizada e convertida em créditos, que poderiam ser trocados por software gratuito, acesso ao modelo treinado ou dinheiro.
O sistema não serve apenas os projetos de IA da própria Microsoft. A empresa funcionaria como intermediária entre quem quer treinar modelos sem recursos suficientes e quem tem hardware disponível, num contexto em que a escassez de GPU é referida na própria patente. A patente não esclarece que permissões o utilizador cede nem que parte da GPU pode ser usada.
Claro que isto trata-se de um pedido de patente, e este tipo de documento não confirma que a Microsoft vá lançar o serviço.









