
Sonic CD é muitas vezes descrito como o jogo que a Sega nunca soube valorizar devidamente, uma obra lançada em 1993 para o periférico Sega CD, com mecânicas de viagem no tempo, uma banda sonora que divide opiniões até hoje e a primeira aparição de Amy Rose e Metal Sonic. Agora, um antigo executivo da empresa diz ter ouvido que esse jogo está a ser refeito.
Mike Fischer foi Vice-Presidente de marketing de entretenimento na Sega of America entre 1990 e 1997, um período que abrange o nascimento do próprio Sonic. Numa entrevista extensa ao Sega-16, um arquivo dedicado à história da empresa, Fischer fez uma declaração que rapidamente circulou na comunidade: “Ouvi dizer que estão a fazer um remake de Sonic CD, o que seria maravilhoso. Esse foi o meu jogo de Sonic favorito”.
A afirmação foi feita de passagem, no final de uma conversa muito mais longa sobre os anos dourados da Sega, e sem qualquer detalhe adicional sobre o estado, o formato ou a equipa envolvida. Fischer não trabalha na Sega há mais de duas décadas, o que coloca a informação num território de rumor informado, não de anúncio oficial.
O homem por trás do comentário
Fischer entrou na Sega of America em abril de 1990, meses antes do lançamento da Game Gear, e esteve presente durante momentos decisivos da história da empresa, o lançamento do Sega CD, a ascensão de Sonic como mascote e os anos de guerra com a Nintendo que definiram uma geração de videojogos.
Na entrevista ao Sega-16, Fischer não poupou nas revelações, descreveu ter assistido ao processo interno de criação de Sonic, criticou Yuji Naka, o criador técnico da série, de forma bastante directa, e partilhou a sua visão sobre o estado atual da Sega. Entre outros créditos, tem o seu nome associado a Sonic Adventure DX, Crazy Taxi 3 e Jet Set Radio Future, de um segundo período mais curto na empresa entre 2001 e 2003.
Quando questionado sobre o estado recente da franquia, Fischer afirmou que Sonic Mania, o jogo de 2017 desenvolvido por uma equipa externa, foi “o melhor jogo que [a Sega] fez desde a era dos 16-bit”. E acrescentou: “Há uma lição aí”.
O que disse e o que não disse
A frase sobre o remake de Sonic CD surgiu no contexto de uma reflexão mais ampla sobre o futuro da Sega. Fischer falou sobre a necessidade de a empresa inovar e criar novas IPs, usou a nova direção da série Yakuza como exemplo positivo, e sublinhou que as franquias clássicas são um activo, mas não podem ser uma muleta.
“Vão ter de inovar e criar novas IPs”, disse. “É interessante pensar que o jogo de maior sucesso que tiveram nas gerações recentes é a série Yakuza, que definitivamente não foi uma experiência feita para o consumidor médio. Não fazia parte desse legado antigo. O trailer do novo jogo de Yakuza atravessa como que todo o século XX”.
E acrescentou: “É realmente incrível. É quase como a série O Padrinho. Acho que começa como que na pré-Segunda Guerra Mundial, nos anos 1900, e depois contam como que a história do jogo intercalada, e o próximo capítulo é como que no pós-guerra ou algo assim. Olho para isso e penso: ‘Wow, estão a pegar na série Yakuza e a inová-la de uma forma tão incrível que não consigo esperar para jogar.’ Portanto, se isso for um símbolo da nova direção que estão a seguir, estou bastante entusiasmado. Podem continuar a trabalhar com este maravilhoso IP clássico que têm, mas não podem depender dele”.
É neste contexto, de inovação sobre o clássico, que o comentário sobre Sonic CD ganhou peso.
Há uma camada adicional nesta história que merece atenção. O quarto filme de Sonic the Hedgehog, produzido pela Paramount, está em produção com estreia marcada para 19 de março de 2027 e inspira-se precisamente no enredo de Sonic CD. O filme introduz Amy Rose, com voz de Kristen Bell, e Metal Sonic no universo cinematográfico da franquia, as mesmas personagens que fizeram as suas primeiras aparições no jogo de 1993. Jeff Fowler regressa à realização.
É possível que Fischer tenha confundido ou sobreposto informação sobre este projecto com a de um potencial remake do jogo. Também é possível que as duas coisas existam em paralelo, não seria a primeira vez que um estúdio coordena o lançamento de um jogo com o de um filme. A Sega não comentou o assunto.
O que é claro é que Sonic CD voltou à conversa, tanto nos cinemas como potencialmente nas consolas, num momento em que a Sega tem apostado ativamente em revitalizar franquias clássicas, com projectos anunciados para séries como Golden Axe e Streets of Rage fora do medium dos videojogos.









