
A Sony continua a varrer a PlayStation Store de jogos de baixo esforço. A última vítima desta campanha de limpeza é a Afil Games, um estúdio brasileiro responsável por mais de 900 títulos que em breve vão deixar de estar disponíveis na plataforma, confirmado pela própria empresa num comunicado publicado no X.
Numa publicação partilhada a 23 de junho, a Afil Games explicou os motivos da saída: “Como muitos de vocês já poderão saber, desde o início deste ano a PlayStation tem vindo a implementar diretrizes mais rigorosas para a publicação de jogos na sua plataforma. Como resultado dessas novas diretrizes e da sua incompatibilidade com o nosso modelo de negócio, a PlayStation decidiu não continuar a sua parceria com a Afil Games para futuros lançamentos na plataforma. Além disso, os nossos jogos serão removidos da PSN Store num futuro próximo. Gostaríamos de agradecer sinceramente a todos os jogadores PlayStation que nos apoiaram ao longo desta jornada”.
A Afil Games estava entre os dez publishers com mais títulos publicados na PlayStation Store. No total, serão removidos 933 jogos. Títulos como Collie Call, Cute Bonfire, Piggy’s Farm ou Snack and Quack fazem parte do catálogo, e há quem os descreva como asset flips com trofeus fáceis de conseguir como principal argumento de venda.
Um problema que se arrasta há anos
O fenómeno do shovelware, jogos de qualidade mínima publicados em massa, frequentemente direcionados a caçadores de troféus, tem sido um problema recorrente nas grandes lojas digitais. Na PlayStation Store, estes títulos costumam dividir-se em duas categorias, cópias baratas de jogos populares, e jogos projetados especificamente para dar Platinas ao jogador em poucos minutos, muitas vezes com gameplay de pressionar um botão em loop.
A ThiGames, por exemplo, tinha títulos como The Jumping Burger, um jogo em que o jogador prime o botão X para fazer um hambúrguer saltar, garantindo um troféu de Platina em menos de cinco minutos. O publisher alemão foi o primeiro grande alvo desta ofensiva da Sony, em janeiro de 2026, os seus 1.194 jogos foram silenciosamente removidos da plataforma. Em abril seguiram-se mais remoções, e em junho a Webnetic, que tinha o terceiro maior catálogo de títulos na Store, foi também removida. Entre os publishers afetados ao longo dos meses contam-se ainda CHI Laba, Nostra Games, GoGame Console Publisher, VRCForge Studios, Welding Byte e Testagamecreations.
O que torna o caso da Afil Games diferente dos anteriores é que o estúdio confirmou explicitamente a existência de novas diretrizes de publicação por parte da Sony, algo que a empresa japonesa nunca tornou público de forma oficial. Esta declaração é a primeira confirmação clara de que a limpeza não é ad hoc, mas resultado de uma política interna formal. Esta é uma mudança que surge como resposta a anos de pedidos dos jogadores por uma Store mais curada.
A Afil Games afirmou que vai continuar a publicar jogos para Xbox One, Xbox Series X|S, Microsoft Store e Nintendo Switch. Não há qualquer indicação de que os jogadores que já compraram títulos afetados percam o acesso, mas para quem ainda não os tinha adquirido, a janela está a fechar.
A reação da comunidade tem sido genericamente positiva, com muitos jogadores a considerarem que a descoberta de jogos independentes de qualidade era cada vez mais difícil num catálogo inchado por milhares de títulos de baixa qualidade. A questão que permanece em aberto é onde a Sony vai traçar o limite entre shovelware sistemático e jogos simples de pequenos estúdios com poucos recursos.








