
Há uma pergunta que paira sobre a Xbox há pelo menos dois anos, a marca ainda acredita mesmo nas consolas, ou está silenciosamente a preparar a saída? Matthew Ball, o novo diretor de estratégia (CSO) da Microsoft Gaming, foi questionado diretamente sobre isso durante o Summer Game Fest, e a resposta foi mais frontal do que o habitual neste tipo de entrevistas executivas.
Numa conversa com Christopher Dring para o The Game Business, Ball foi claro sobre onde a empresa está posicionada e o que precisa de fazer a seguir.
“A realidade é que a maioria dos jogadores e a maior parte da receita está no mobile. Em segundo lugar, temos mais horas e mais jogadores no PC, mas menos receita do que no mobile. As consolas são um negócio de 40 a 45 mil milhões de dólares”, explicou, antes de acrescentar: “Será que vai crescer tão rapidamente como o PC ou o mobile? Não. Mas estamos a falar de centenas de milhões de jogadores que gastam mais de 40 mil milhões de dólares por ano numa categoria que adoram”.
A partir daí, Ball não deixou espaço para ambiguidade sobre as intenções da empresa: “Não temos qualquer desejo de abandonar o negócio das consolas. Morrer? Não. Não está em declínio. Está a crescer. Vai ter um grande ano este ano. O que é importante é que restauremos esse negócio para nós. Precisamos de melhorar no PC? Sim. Precisamos de melhorar no mobile? Sim. Mas não podemos pedir a editoras e jogadores que apostem em nós noutras plataformas onde estamos atrás, onde a nossa tecnologia é inadequada, antes de consolidarmos a plataforma que temos, a plataforma que muitos acreditam que maltratámos”.
É uma admissão rara vinda de alguém neste cargo, a ideia de que a própria Xbox reconhece ter negligenciado a sua base de consola.
Prioridades ordenadas: primeiro a consola, depois o resto
Ball foi igualmente direto sobre a sequência de prioridades, antes de pensar em crescer no PC ou no mobile, a tarefa imediata é recuperar a credibilidade da consola Xbox. A lógica é simples, não faz sentido tentar conquistar novos territórios enquanto o terreno base está por consolidar.
Parte desta recuperação passa pelo regresso aos exclusivos de consola, com Gears of War: E-Day previsto para outubro de 2026 e Clockwork Revolution anunciado para 2027, ambos confirmados como títulos permanentemente exclusivos Xbox e PC.
Uma das questões que mais preocupa a indústria é saber se a geração que cresceu com Roblox e Minecraft vai, de facto, dar o salto para as consolas tradicionais, ou se vai simplesmente ficar no PC e no mobile. Ball admite que não há uma resposta definitiva, mas não está particularmente alarmado.
Acrescentou que com o crescimento explosivo do número de jovens a jogar, mesmo que a proporção dos que migram para consolas diminua, o volume absoluto pode ainda assim aumentar. “Há, sem dúvida, um grande futuro quando se diz que um número recorde de pessoas está a jogar jogos, e que geralmente o fazem em conjunto. Para que plataforma vão migrar? Não tenho a certeza. O que posso dizer é que títulos como o Roblox são incrivelmente populares na nossa consola, e a maior parte da criação e muitos dos jogadores estão no PC”.







