O lançamento da Nintendo Switch 2 representou muito mais do que um simples salto geracional, abriu as portas para que vários estúdios, incluindo os da Nintendo, pudessem finalmente soltar o potencial de títulos que definiram a geração anterior. Em pouco tempo, assistimos à revitalização de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, bem como Kirby and the Forgotten Land, que encontraram no mais recente hardware uma nova casa para voltar a brilhar. Continuando esse ciclo, fomos recentemente surpreendidos com a chegada de Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition, o novo upgrade do colosso da Monolith Soft, que surge com melhorias no desempenho e na resolução.
Antes de avançar, se tiverem curiosidade em explorar a narrativa e o gameplay, podem ler a minha análise de Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition, ficando mais esclarecidos sobre as novidades introduzidas com esta versão lançada na Nintendo Switch em março de 2025.
Quanto a esta versão mais recente, o impacto da transição é sentido de imediato, uma vez que o jogo corre a 60 fps e está muito mais fluido. Tudo o que envolve movimento, voar, explorar o mapa aberto ou entrar em combate, entrega uma leveza que nem sempre existia anteriormente. Há uma sensação constante de resposta imediata, quase como se o o jogo estivesse finalmente a funcionar ao ritmo que sempre desejou. Num título como este, onde a escala monumental e a mobilidade são essenciais para a imersão, esta estabilidade técnica faz uma diferença incrível, transformando a exploração de Mira numa experiência muito mais orgânica e apelativa.
No entanto, visualmente a experiência já deixa uma sensação mais ambígua. À distância, o jogo impressiona. Os cenários continuam vastos, exóticos e com aquele design alienígena único, beneficiando agora de uma imagem mais nítida em 4K. Mas, quando se começa a analisar com mais atenção, percebe-se que essa nitidez nem sempre está presente. Há algo na forma como a imagem é construída, possivelmente devido a técnicas de reconstrução ou pós-processamento, que faz com que certos pormenores pareçam demasiado suaves, quase como se tivessem sido filtrados.
Isso nota-se sobretudo em elementos como a vegetação, estruturas ao longe ou pequenos detalhes dos cenários, que por vezes perdem definição ou parecem ligeiramente instáveis em movimento. Não é algo que se note constantemente, mas depois de reparar, torna-se difícil ignorar em certas situações.

Curiosamente, isto cria um contraste estranho. Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition parece mais próximo dos padrões atuais quando está em movimento, mas menos consistente quando se pára para olhar a paisagem. É quase como se a fluidez estivesse a compensar as falhas visuais e, na maior parte do tempo, consegue fazê-lo. Durante a exploração ou durante o caos do combate, estas questões diluem-se, porque o jogo flui melhor.
Ainda assim, sente-se a diferença dependendo do modo como jogamos. Na TV tudo funciona de forma harmoniosa e esses defeitos passam despercebidos graças à combinação dos 60fps com a imagem em alta resolução. Já no modo portátil, onde o ecrã está mais próximo dos nossos olhos, certas suavizações e artefactos tornam-se mais evidentes.
Mesmo assim, importa lembrar que, mesmo sem esta atualização, o jogo já se destacava pela beleza e diversidade das regiões e biomas do planeta Mira. Apesar do custo de 4,99 euros, ter agora a oportunidade de o revisitar com melhorias técnicas é, sempre, bem-vindo.
O facto desta edição continuar sem incluir legendas em português, é um problema que continua a persistir. Num jogo com uma forte componente narrativa e uma grande quantidade de texto, esta ausência continua a ser difícil de justificar, podendo afastar jogadores que não se sintam tão confortáveis com o inglês.

Em poucas palavras, a nova versão para Nintendo Switch 2 pode não ser o salto visual que parte dos jogadores esperavam, mas oferece uma experiência mais fluida, responsiva e agradável de se jogar e, por vezes, é precisamente isso que faz a diferença entre revisitar um clássico ou descobri-lo por completo.











