Da bruxa que aprende a fazer feitiços desenhando à mão aos gémeos que controlam entidades sobrenaturais, a temporada de primavera de 2026 é extraordinariamente bem servida em fantasia.
10Witch Hat Atelier
A estreia de fantasia mais aguardada da temporada, e possivelmente de todo o ano de 2026. O anime baseado no mangá de Kamome Shirahama foi adiado de 2025 para 2026 precisamente para garantir qualidade de animação e os dois episódios de antestreia em março já convenceram a comunidade de que a espera valeu a pena.
O mundo de Witch Hat Atelier parte de um conceito aparentemente simples, a magia existe, mas apenas os nascidos com o dom podem praticá-la. Todos os outros vivem a contemplar um poder que nunca poderão ter. Coco é uma menina sem dom que descobre, ao observar o feiticeiro viajante Qifrey, que o que todos “sabem” pode não ser a verdade, e que a magia é, na sua essência, um sistema de escrita à mão que qualquer pessoa com os conhecimentos certos consegue dominar.
A premissa carrega uma metáfora directa sobre arte e conhecimento, a própria Shirahama admitiu que a série nasceu de uma conversa sobre como “fazer uma ilustração parece magia”. A animação é do BUG FILMS, com direção de Ayumu Watanabe (Ace Attorney).
9Daemons of the Shadow Realm
O outro título de fantasia com maior antecipação desta temporada, e com argumentos sólidos para disputar o lugar de melhor estreia do ano. Hiromu Arakawa, autora de Fullmetal Alchemist, regressa com um novo mangá adaptado pelo estúdio Bones, que fez a mesma coisa com Fullmetal Alchemist: Brotherhood. A reunião entre criadora e estúdio é, por si só, um evento.
Yuru é um rapaz que vive numa aldeia remota nas montanhas com a irmã gémea Asa, presa numa jaula por razões que ninguém explica. O que começa como um mistério doméstico expande-se rapidamente para um sistema de poder mais vasto, onde entidades sobrenaturais chamadas Tsugai podem ser controladas por humanos específicos, e onde os segredos da aldeia têm raízes muito mais antigas e violentas do que Yuru alguma vez imaginou.
A série tem dois cours confirmados, argumento de Noboru Takagi (Kingdom, Golden Kamuy), direção de Masahiro Andō (Sword of the Stranger) e música de Kenichiro Suehiro (Golden Kamuy, Re:Zero). Uma equipa que não deixa margem para desconfiança.
8MAO
Rumiko Takahashi tem um talento raro para misturar comédia, romance, ação e sobrenatural de uma forma que parece leve à superfície e que revela, episódio a episódio, uma construção muito mais sólida do que aparenta. MAO é a sua série mais recente, e a premissa é clássica Takahashi, Nanoka é uma adolescente contemporânea que atravessa um portal para a era Taisho, onde é resgatada por Mao, um exorcista amaldiçoado por um demónio felino chamado Byoki que habita também a sua espada.
A série mistura youkai, era histórica, humor e uma dinâmica entre os dois protagonistas que cresce ao longo dos episódios sem nunca se resolver demasiado depressa. Para quem conhece Inuyasha ou Ranma 1/2, o tom é familiar, mas Takahashi nunca se repete realmente, e MAO tem os seus próprios mistérios e a sua própria lógica sobrenatural. A animação é pela Sunrise, com direção de Teruo Sato e argumento de Yūko Kakihara, a mesma de Urusei Yatsura (2022).
7Agents of the Four Seasons: Dance of Spring
A adaptação da novel de Kana Akatsuki, a autora de Violet Evergarden, pelo Wit Studio é uma das estreias mais refinadas desta temporada de primavera, com um conceito mitológico que se distingue da fantasia convencional. No universo da série, as estações do ano são mantidas por Agentes, seres que transportam o ciclo. Hinagiku, a Agente da Primavera, desapareceu há dez anos, levando a estação consigo. O inverno nunca mais terminou.
A animação pelo Wit Studio (primeiras três temporadas de Attack on Titan, Vinland Saga, Ousama Ranking) garante uma qualidade de produção que raramente dececiona. A direção é de Ken Yamamoto e o argumento de Ayumu Hisao, que trabalhou em I’m in Love with the Villainess. A antestreia foi a 28 de março, com a série regular a começar em abril.
6Welcome to Demon School! Iruma-kun (temporada 4)
Uma das séries de comédia e fantasia mais consistentes dos últimos anos regressa para mais 24 episódios divididos por dois cours. A premissa é tão absurda quanto eficaz, Suzuki Iruma é um rapaz humano vendido pelos próprios pais a um demónio, que o adora e o inscreve na escola do mundo das trevas. O que se segue é uma série sobre um humano sem poderes que navega uma sociedade de demónios usando apenas engenho, sorte e a capacidade de ganhar afeto de toda a gente à sua volta.
A quarta temporada entra no Arco do Festival de Música, onde a turma dos Inadaptados, o grupo de estudantes problemáticos que Iruma foi inadvertidamente transformando nos seus melhores amigos, precisa de alcançar o rank 4 em conjunto para avançar. É uma série que cresce com os seus personagens, e a base de fãs que a acompanha há três temporadas está genuinamente investida no que acontece a seguir.
5Wistoria: Wand and Sword (temporada 2)
A sequela da série de fantasia de masmorra do autor de DanMachi regressa para continuar a história de Will Serfort, um estudante de uma academia de magia que tem um problema fundamental, não consegue usar magia. Num mundo onde a magia é tudo, Will substituiu-a por competência física e uma determinação que beira o absurdo.
A primeira temporada estabeleceu um universo de fantasia sólido com dinâmicas de grupo bem construídas e combates que usavam as limitações do protagonista como motor de tensão em vez de as disfarçar. A segunda temporada vai aprofundar o passado de personagens que a primeira apenas introduziu. Animação pelos estúdios Actas e Bandai Namco Pictures, direção de Tatsuya Yoshihara, música de Yuki Hayashi (My Hero Academia).
4Petals of Reincarnation
Um shounen de fantasia com uma premissa sobre identidade e mérito que vai além do que o conceito inicial sugere. Tōya Senji é um estudante que se compara constantemente ao irmão mais velho sobredotado, e que descobre um sistema de “Returners”, pessoas reencarnadas que reclamam talentos de vidas anteriores e que usam essas capacidades no presente.
O universo que o mangá de Mikihisa Konishi constrói à volta deste conceito é mais complexo do que parece, há política entre clãs de Returners, há questões sobre o que acontece quando o talento é literalmente herdado de outra pessoa, e há combates que usam competências históricas em contextos contemporâneos. A animação é do estúdio Benten Film (antiga Gaina), com direção de Shun Kudō, que trabalhou em Cross Ange e em episódios de Mobile Suit Gundam: Iron-Blooded Orphans.
3The Classroom of a Black Cat and a Witch
Uma das novas estreias de fantasia mágica mais acessíveis desta temporada, com um conceito que mistura escola de magia, amaldiçoamento e a dinâmica clássica de mestre-aprendiz em modo comédia. Spica Virgo quer ser bruxa mas não consegue usar magia. Para entrar na academia que sempre sonhou frequentar, precisaria de um tutor, que não tem dinheiro nem contactos para contratar.
A solução chega na forma de um gato preto falante e mágico que precisa de ter a sua maldição quebrada. Os interesses alinham-se. A complicação está na natureza da maldição, que só pode ser quebrada de uma forma específica, e na escola que os espera a seguir. É uma série que não tenta ser mais do que o seu conceito sugere, e faz isso com consistência suficiente para ser uma opção sólida para quem quer fantasia leve com personagens cativantes. Animação pelo Liden Films, direção de Naoyuki Tatsuwa.
2Kusunoki’s Garden of Gods
Uma fantasia sobrenatural de registo calmo que pode ser a surpresa mais agradável desta temporada para quem aprecia histórias com uma energia diferente do padrão de ação e aventura. Minato Kusunoki é deixado sozinho numa casa velha e aterradora, repleta de espíritos malignos que ele expulsa inadvertidamente com uma capacidade que nunca soube que tinha.
O que acontece a seguir é inesperado, em vez de continuar ameaçador, o espaço torna-se um refúgio atraente para deuses únicos e peculiares que começam a aparecer um a um. A série é essencialmente uma comédia de convivência sobrenatural, com Minato a gerir uma espécie de pensão improvisada para divindades com personalidades muito específicas. É o tipo de série que existe no mesmo território emocional de Natsume’s Book of Friends ou Mushishi, tranquila, estranha e genuinamente afectuosa. Animação pelo estúdio JUVENAGE, direção de Sekijuu Sekino.
1Mistress Kanan Is Devilishly Easy
Uma comédia romântica sobrenatural que inverte o papel habitual dos demónios no anime. Kanan infiltra-se numa escola humana com o objetivo claro de devorar almas, e acaba a namorar o primeiro estudante que escolheu como alvo sem perceber muito bem como chegou ali. A série ganha a sua energia cómica das reações de Kanan perante emoções que nunca tinha experimentado, tratadas com a mesma seriedade que ela aplicaria a qualquer missão infernal.
Não é a fantasia mais ambiciosa desta lista, mas tem algo que muitas séries do género perdem, consistência de tom e uma protagonista cuja natureza demoníaca nunca é esquecida em favor do romance. O humor nasce do conflito genuíno entre o que Kanan é e o que está a sentir, e isso sustenta a série muito além da premissa inicial. Animação pelo Studio KAI, direção de Yasushi Muroya (BLUELOCK).









