
Quem pensou que a segunda temporada de One Piece na Netflix ia ficar sem resposta vai ter de se acomodar pois a viagem ainda mal começou. Com a segunda temporada, intitulada Into the Grand Line, a ter estreado a 10 de março de 2026, e a terceira já em produção na África do Sul, os responsáveis pela série começaram a falar com mais detalhe sobre o horizonte da adaptação, e o que dizem é de fazer levantar as sobrancelhas.
Becky Clements, presidente da Tomorrow Studios, e os showrunners Joe Tracz e Ian Stokes deram recentemente várias entrevistas a meios como o Hollywood Reporter, onde falaram com uma franqueza pouco habitual sobre os planos de longo prazo. Clements admitiu que o objetivo é chegar às 10, 12, ou até mais temporadas, embora tenha descartado com humor a hipótese das 20: “Não estamos preparados para 20, porque se ainda estiver a fazer reuniões de Zoom convosco daqui a 20 anos, é porque alguma coisa correu muito mal”.
O número que circula com mais consistência é entre 8 a 10 temporadas para cobrir a história principal, e tendo em conta que o mangá de Eiichiro Oda já vai em mais de 1.080 capítulos, a aritmética faz sentido. Mesmo assim, a Netflix nunca confirmou publicamente qualquer comprometimento para além da temporada em curso.
O mangá como ponto de partida, o anime fora da equação
Uma das decisões mais comentadas pelos criadores é o afastamento deliberado do anime. Joe Tracz foi direto numa entrevista à IGN: “Vejo muita gente a falar da nossa série como uma adaptação do anime. Na verdade, estamos a adaptar o mangá. O mangá é o material de origem, é a Bíblia. Por vezes o anime faz as coisas de forma diferente. Obviamente, o anime tem histórias que não estão canonicamente no mangá, por isso por vezes encontramos formas de lhes fazer referência, mas em traços gerais estamos a adaptar o mangá. Estamos a tratá-lo como se fosse algo a ser adaptado diretamente da página para o ecrã pela primeira vez”.
Isto tem implicações práticas, o filler do anime, que representa uma fatia considerável de episódios, não entra nos planos do live-action, exceto em alusões pontuais.
E depois há Oda. O criador de One Piece está envolvido na produção de uma forma que vai muito além do título de produtor executivo. Segundo os showrunners, revê os esboços conceptuais, o casting, os guiões e as versões editadas dos episódios, chegando ao ponto de intervir diretamente para deixar notas em tempo real. Tracz confessou ao Hollywood Reporter: “Por vezes não concordamos logo à partida, mas ele quase sempre tem razão”.
Personagens antecipados e ausências propositadas
Os fãs mais atentos repararam que a segunda temporada introduziu algumas caras conhecidas antes do esperado, Bartolomeo, Brook e Sabo aparecem antes do ponto da história em que surgem no mangá. Tracz explicou que estas decisões ajudam a construir o mundo de forma mais orgânica e a preparar o terreno para temporadas futuras, em vez de forçar apresentações apressadas mais à frente.
Já a ausência de Karoo, o pato fiel da princesa Vivi, foi uma escolha deliberada com outra lógica. Num episódio da segunda temporada, Vivi menciona que Karoo ficou em Alabasta, uma forma da série não o apagar, apenas de o adiar. Tracz explicou ao ComicBook: “Tornava-se difícil de acreditar que Vivi fosse trabalhar de incógnito e levasse o seu pato de Alabasta. Começava a parecer que a Baroque Works não era a organização tão perigosa que é suposto ser”. E depois confirmou o que os fãs queriam ouvir: “Não te preocupes, ele está em Alabasta”.
A terceira temporada, que se vai chamar One Piece: The Battle of Alabasta, foi confirmada pela Netflix a 7 de abril de 2026 com estreia prevista para 2027. As filmagens decorreram desde novembro de 2025 na África do Sul, com previsão de conclusão em agosto de 2026. O elenco inclui Xolo Maridueña (Cobra Kai) como Portgas D. Ace, Cole Escola como Bon Clay, e o regresso de Joe Manganiello como Crocodile, agora com papel regular.









