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10 melhores animes para fãs de The Boys

O episódio final de The Boys estreou a 20 de maio de 2026 na Prime Video e deixou uma lacuna difícil de tapar. Sete anos a construir um dos universos mais corrosivos e inteligentes da televisão recente, heróis sem moral, corporações que compram tudo e toda a gente, e uma visão do poder que nunca deixa o espectador confortável.

10
Go! Go! Loser Ranger!

Go! Go! Loser Ranger! vol 1 cover

Este é provavelmente o título desta lista que mais directamente bebe de The Boys, o autor do mangá, Negi Haruba, confirmou que a série foi uma influência central na concepção da história. E nota-se. A Dragon Keeper é uma organização de heróis que há anos combate um exército de monstros em batalhas semanais transmitidas em directo para toda a população. O problema é que os monstros foram derrotados há muito tempo, as batalhas são encenadas, os monstros são prisioneiros obrigados a perder, e toda a estrutura existe apenas para manter o financiamento e o estatuto da organização.

Um dos monstros cativos decide que já chegou. Infiltra-se na Dragon Keeper como recruta e começa a trabalhar para destruir o sistema de dentro, exactamente a mecânica que The Boys usa com Billy Butcher e os seus aliados a tentarem entrar nos esquemas da Vought. A sátira é cirúrgica, o heroísmo como espectáculo, a verdade gerida por quem controla a narrativa, e a ideia de que quem a sociedade chama de monstro pode ser simplesmente aquele que se recusou a aceitar as regras do jogo. Quem gostou da forma como The Boys desconstruiu o conceito de herói vai sentir-se em casa.

9
One-Punch Man

One-Punch Man 3 teaser visual 2027 (1)

À primeira vista, One-Punch Man parece o oposto de The Boys, um herói absurdamente poderoso, humor físico exagerado, um tom que não se leva demasiado a sério. Mas por baixo disso tudo está uma das sátiras mais inteligentes à cultura dos super-heróis que existe em qualquer meio. A Associação de Heróis que organiza e classifica quem pode lutar, quem merece reconhecimento público e quem fica esquecido na obscuridade é uma crítica direta à forma como o heroísmo se transformou numa indústria.

Saitama, o protagonista, é genuinamente o herói mais poderoso do mundo, e completamente irrelevante para o sistema porque não tem carisma mediático nem patrocinadores. Enquanto isso, heróis com menos capacidade mas melhor imagem colhem toda a glória. Qualquer pessoa que viu a Vought a construir a imagem pública dos Sete vai reconhecer imediatamente esta dinâmica. One-Punch Man faz o mesmo que The Boys, mas com comédia em vez de gore, desmonta a ficção de que os heróis existem para salvar pessoas.

8
Devilman Crybaby

Disponível na Netflix, este anime de Masaaki Yuasa é provavelmente a obra que mais se aproxima do ADN de The Boys em termos de impacto emocional e recusa absoluta em suavizar o que quer que seja. Baseado no mangá clássico de Go Nagai, conta a história de Akira Fudou, um rapaz gentil que se funde com o demónio Amon para conseguir combater outros demónios, e passa o resto da série a tentar manter a sua humanidade enquanto carrega dentro de si uma força que não pediu.

A comparação com The Boys não é superficial. Ambas as obras usam a violência e o excesso não como espectáculo gratuito, mas como linguagem para falar de coisas muito mais pesadas, o medo do diferente, a forma como a sociedade responde ao caos com mais violência, e o que acontece quando as pessoas comuns percebem que os poderosos nunca estiveram do seu lado. Devilman Crybaby não tem happy ending, não tem lição reconfortante, e não tem medo de destruir tudo o que construiu. Quem ficou a ver The Boys até ao fim vai perceber porquê isto é um elogio.

7
Psycho-Pass

Psycho-Pass 2 visual HD

Num futuro próximo, um sistema de inteligência artificial chamado Sibyl avalia continuamente o estado psicológico de cada cidadão e atribui-lhe uma pontuação de criminalidade. Se essa pontuação ultrapassar um determinado limite, a pessoa pode ser detida, neutralizada ou eliminada antes de cometer qualquer crime. Os próprios agentes da lei são muitas vezes ex-criminosos em potencial, usados como ferramentas pelo sistema que os classificou.

O paralelismo com The Boys é evidente, Psycho-Pass coloca no centro da história a questão de o que acontece quando uma entidade acumula poder de controlo total e o usa em nome da segurança e da ordem. A protagonista Akane Tsunemori é, de certa forma, o equivalente de Starlight, alguém que entra no sistema a acreditar nele, e vai sendo forçada a confrontar o que está por baixo. A série é densa, cerebral e não facilita respostas, o que a torna especialmente satisfatória para quem gosta de ficção científica que trata o espectador como adulto.

6
Vinland Saga

Vinland Saga 2 key visual

Vinland Saga começa como uma história de vingança viking e transforma-se, ao longo das suas temporadas, numa das reflexões mais perturbadoras sobre violência, propósito e o custo de viver num mundo onde a força física é o único argumento que ninguém contesta. Thorfinn cresce rodeado de homens que matam por dinheiro, por glória, ou simplesmente porque é o único ofício que conhecem, e a série não torna nenhum deles num herói ou vilão limpo.

O que aproxima Vinland Saga de The Boys não é o contexto, mas a recusa em romantizar qualquer coisa. Cada personagem carrega o peso das suas escolhas, os líderes carismáticos revelam-se sempre mais complexos e mais perigosos do que pareciam, e o ciclo de violência não tem redenção fácil. A segunda temporada muda completamente de registo, torna-se quase um anime de guerra interior, e é nesse momento que a série atinge algo raro, uma honestidade sobre trauma e sobre o que significa tentar parar de ser o que o mundo te ensinou a ser.

5
Attack on Titan

Attack on Titan

Poucos animes da última década conseguiram construir uma narrativa tão meticulosamente construida e ao mesmo tempo tão perturbadora quanto Attack on Titan. O que começa como uma história de sobrevivência contra monstros gigantes vai revelando, camada a camada, uma estrutura de mentiras, propaganda e manipulação que transforma completamente o que o espectador pensava saber sobre tudo o que viu.

A comparação com The Boys faz-se sobretudo a partir da segunda metade da série. Quando os segredos sobre os Titans começam a emergir, o que se descobre é um sistema de controlo de populações tão cínico e calculado quanto qualquer coisa que a Vought International alguma vez engendrou. Personagens que pareciam claramente do lado certo revelam-se capazes de atrocidades; personagens que pareciam vilões ganham uma dimensão trágica que obriga a rever tudo. A série exige paciência, as primeiras temporadas são muito diferentes do que se torna mais tarde, mas a recompensa é uma das histórias mais bem construídas do anime moderno.

4
Berserk

Berserk vol 1 cover

A adaptação de 1997 do mangá de Kentaro Miura é a obra fundadora do anime adulto e sombrio tal como o conhecemos hoje. Guts é um mercenário que cresceu numa companhia de soldados e nunca conheceu outra coisa que não fosse a guerra, até se juntar ao grupo liderado por Griffith, um homem com carisma e ambição suficientes para mover exércitos.

A relação entre Guts e Griffith é o centro emocional da série, e é uma das mais complexas e dolorosas da ficção japonesa, uma amizade genuína entre dois homens que querem coisas fundamentalmente incompatíveis, e onde o poder acabará por destruir tudo. Quem viu o arco do Homelander em The Boys, um ser com poder absoluto e necessidade constante de validação, vai encontrar em Griffith uma versão medieval igualmente fascinante e igualmente aterradora. Berserk não é fácil de ver. Mas é impossível de esquecer.

3
Akame ga Kill!

Num império onde a família real é uma marioneta e os verdadeiros donos do poder operam nas sombras, um grupo de assassinos chamado Night Raid tenta demolir o sistema de dentro para fora. Tatsumi, um jovem provinciano que chega à capital cheio de ilusões, descobre rapidamente que o que lhe tinham dito sobre o mundo era mentira, e que as pessoas que o governo chama de terroristas podem ser as únicas que ainda têm algum princípio.

A estrutura narrativa tem muito em comum com The Boys, um protagonista relativamente comum inserido num grupo de pessoas com capacidades extraordinárias, a lutar contra um sistema que controla a narrativa pública e tem recursos quase ilimitados. Akame ga Kill! não tem medo de matar personagens centrais, e fá-lo com uma frequência que mantém a tensão permanentemente alta, porque ninguém está verdadeiramente a salvo. Não é uma série tão sofisticada quanto outras desta lista, mas tem uma energia e uma honestidade que conquistam.

2
Cyberpunk: Edgerunners

Com apenas dez episódios, esta série da Netflix ambientada no universo de Cyberpunk 2077 consegue dizer mais sobre poder corporativo, consumismo e a descartabilidade das pessoas do que muitas produções com o triplo da duração. David Martinez é um miúdo de um bairro pobre de Night City que tenta subir numa sociedade onde as megacorporações definem o valor de cada pessoa, e onde o corpo humano já é mais produto do que sujeito.

A ligação a The Boys não é imediata, mas é profunda. Ambas as obras chegam à mesma conclusão sobre os sistemas de poder, não estão perfeitos nem são excepcionais. Funcionam exactamente como foram desenhados, para benefício de quem está no topo e às custas de toda a gente que não está. Em The Boys é a Vought; em Edgerunners são as corporações que dominam Night City. O tom é diferente, Edgerunners é mais emotivo, quase melancólico, mas a raiva que alimenta ambas as histórias é a mesma.

1
Parasyte: The Maxim

Parasyte The Maxim anime visual

Parasitas alienígenas chegam à Terra e começam a invadir corpos humanos, substituindo os cérebros dos hospedeiros e assumindo o controlo total. Shinichi Izumi acorda a tempo de impedir que o parasita tome o seu cérebro, fica apenas com o braço direito infectado, e os dois são forçados a uma coexistência estranha e tensa, a tentar sobreviver num mundo onde nenhum dos dois sabe muito bem em quem pode confiar.

O que Parasyte faz de forma particularmente interessante é virar a pergunta do avesso: quem são os verdadeiros parasitas? Os alienígenas que matam para sobreviver, ou os humanos que destroem ecossistemas inteiros, exploram outros seres e justificam tudo com a ideia de que estão no topo da cadeia alimentar? É exactamente o tipo de questão que The Boys levanta sobre os Supes e sobre a Vought, e é por isso que as duas obras se encontram num lugar parecido, mesmo vindo de direções completamente diferentes.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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