
A Microsoft revelou esta terça-feira, 29 de abril de 2026, os resultados financeiros do terceiro trimestre do ano fiscal de 2026, e a secção dedicada ao gaming está longe de ser a melhor leitura para os fãs da Xbox. A divisão fechou o trimestre com receitas de 5,34 mil milhões de dólares, uma descida de 6,6% face ao mesmo período do ano anterior, quando registou 5,72 mil milhões, e uma queda de 10,4% relativamente ao trimestre imediatamente anterior, em que tinha alcançado 5,96 mil milhões.
O hardware continua a ser o ponto mais frágil da equação, as receitas neste segmento caíram 33% em termos homólogos, uma tendência que já vinha do trimestre precedente e que ilustra bem a pressão crescente sobre as consolas Xbox Series S e X num mercado cada vez mais competitivo.
Estes números chegam num momento particularmente delicado. Em fevereiro deste ano, Phil Spencer anunciou a sua saída da Microsoft após 38 anos na empresa, dos quais mais de uma década à frente da Xbox, e foi substituído por Asha Sharma, que até então liderava a divisão CoreAI da Microsoft. Sharma assumiu oficialmente o cargo a 23 de fevereiro, pelo que estes resultados referem-se ao período entre janeiro e março de 2026 e refletem, na sua grande maioria, a gestão anterior.
Matt Booty, responsável pelos estúdios da Microsoft, foi promovido a vice-presidente executivo e diretor de conteúdo, reportando diretamente a Sharma. Sarah Bond, que era presidente da Xbox, abandonou a empresa.
A nova CEO não tem experiência prévia na indústria dos videojogos, vinha da Instacart, onde foi diretora de operações, e antes disso foi vice-presidente de produto na Meta. A escolha surpreendeu o setor, mas o CEO da Microsoft, Satya Nadella, justificou-a pela capacidade de Sharma em construir e escalar plataformas de consumo à escala global.
“Queremos ver a Xbox voltar a crescer”
Sharma já deixou claro que o crescimento é a sua prioridade para os próximos 12 meses. Em entrevista foi direta: “Queremos ver a Xbox voltar a crescer no próximo ano, e por isso temos trabalho a fazer. Não há fórmulas mágicas, e o nosso foco vai ser, quantos jogadores estão a jogar todos os dias no ecossistema Xbox?”.
Uma das primeiras medidas visíveis foi o rebranding da divisão. Num memo conjunto enviado aos colaboradores e depois tornando público, Sharma e Booty anunciaram o abandono do nome “Microsoft Gaming”, adotado em 2022 aquando da aquisição da Activision Blizzard, em favor do nome Xbox. “A Microsoft Gaming descreve a nossa estrutura, mas não descreve a nossa ambição”, escreveu Sharma. “Então, estamos a voltar ao início e a mudar o nome da nossa equipa. Somos Xbox”.
O memo, intitulado “We Are Xbox“, anuncia também uma revisão da abordagem à exclusividade, uma redução de preço do Game Pass Ultimate e o compromisso de fortalecer o catálogo de jogos nos próximos cinco anos.
O grupo cresce, a Xbox não
Vale a pena contextualizar estes resultados no desempenho global da Microsoft. A empresa registou receitas totais de 82,9 mil milhões de dólares no trimestre, um crescimento de 18% face ao ano anterior, impulsionado sobretudo pelo Azure e pelos serviços de cloud e inteligência artificial. O lucro líquido atingiu os 31,8 mil milhões de dólares, com um aumento de 23%.
A divisão “More Personal Computing”, que engloba Windows, Xbox, Surface e Bing, gerou 13,19 mil milhões de dólares, uma descida de 1% em termos homólogos. Os resultados da Xbox acabam por contrastar de forma bastante evidente com a saúde financeira do grupo.
A orientação da Microsoft para o trimestre seguinte aponta para uma descida do gaming na casa dos mid-to-high single digits, ou seja, entre 4% e 9%, face a um período comparável forte do ano anterior. A tarefa de Sharma é árdua, e os números desta semana ainda não refletem nenhuma das suas decisões. O verdadeiro teste chegará nos próximos relatórios.









