
Blue Lock sempre teve premissa interessante, fechar centenas de jovens avançados numa instalação de alta pressão e eliminar sistematicamente os que não provarem ser os melhores do mundo. É ficção, claro, mas a Federação Japonesa de Futebol (JFA) acabou de anunciar algo que vai fazer qualquer fã da série levantar a sobrancelha.
Em parceria com a SCO Group, a JFA lançou oficialmente o JFA × SCO GROUP “FUTURE CAMP” inspired by BLUE LOCK, o primeiro programa internacional de deteção de talentos da federação, com colaboração oficial da franquia. A primeira edição realiza-se entre 3 e 6 de agosto de 2026, no Great Park, em Irvine, Califórnia.
Quem pode candidatar-se e como funciona
O programa não é aberto a todos. Os candidatos têm de ter nascido entre 1 de janeiro de 2010 e 31 de dezembro de 2011, ou seja, ter entre 15 e 16 anos, e têm de ter nacionalidade japonesa, pelo menos um progenitor japonês, ou perspetiva de vir a adquirir nacionalidade japonesa no futuro. A residência atual não é determinante.
Serão selecionados cerca de 25 jogadores no total, com 22 vagas de campo e entre 2 a 4 de guarda-redes. Durante os quatro dias de campo, os atletas passarão por sessões de treino, jogos e avaliações físicas e técnicas conduzidas por treinadores da JFA. Estão também previstas 5 vagas para candidatos à seleção sub-15 japonesa.
As candidaturas decorrem entre 11 de maio e 12 de junho de 2026, com os resultados a serem publicados no final de junho. A seleção baseia-se no clube de origem, nível competitivo, historial de convocatórias e material de vídeo submetido pelos candidatos.
A JFA descreve o projeto como uma “versão externa do Centro Nacional de Formação”, concebida para alcançar jogadores que se estão a desenvolver fora do Japão. Após a edição inaugural nos Estados Unidos, a federação planeia expandir o FUTURE CAMP à Europa, Ásia e outras regiões.
Ficção e desporto com o mesmo objetivo
A conferência de imprensa realizada em Tóquio no dia 11 de maio contou com declarações dos próprios criadores da série. O autor do mangá, Muneyuki Kaneshiro, disse: “Um Blue Lock real está prestes a começar. Quando desenhámos o mangá com seriedade, ele ligou-se aos sonhos de pessoas sérias no futebol, e um plano sério começou. Apoio que isto se torne um lugar para a descoberta de talentos que supere mesmo o Blue Lock. Estamos à espera de egoístas sérios que ambicionam ganhar o Campeonato do Mundo”.
O ilustrador Yusuke Nomura acrescentou: “Os egoístas que imaginávamos podem também existir neste mundo real. Não, tenho a certeza de que existem! Aguardamos candidaturas de todos os impulsionados pelo ego que acreditam: ‘Sou o melhor avançado do mundo!'”.
Ryoya Arisawa, produtor do anime, revelou: “Desde que a adaptação anime foi decidida, toda a equipa de anime se empenhou seriamente em torná-la uma obra que pudesse mudar o mundo”.
Tsuneyasu Miyamoto, presidente da JFA e antigo capitão da seleção japonesa, enquadrou o projeto numa visão mais ampla: “O futebol está a tornar-se sem fronteiras, e a era em que os jogadores japoneses se desenvolvem exclusivamente no Japão acabou. Esperamos que esta iniciativa nos ajude a conectar com jogadores talentosos em todo o mundo e a apoiar o seu crescimento dentro do futebol japonês”.
Um mangá com 50 milhões de cópias e influência real
Blue Lock, criado por Muneyuki Kaneshiro e ilustrado por Yusuke Nomura, ultrapassou os 50 milhões de cópias vendidas. A obra, serializada na Weekly Shonen Magazine desde 2018, recebeu uma adaptação anime que reforçou ainda mais o seu alcance internacional. Em Portugal o mangá é publicado pela Distrito Manga.
A colaboração com a JFA não é apenas um exercício de marketing, é uma parceria institucional com candidaturas formais, treinadores profissionais e uma estrutura de avaliação bem definida. A ficção e a realidade raramente se tocam de forma tão literal.







