Durante anos, anunciar uma adaptação live-action de um anime era quase equivalente a declarar guerra aos fãs. A lista de projetos mal executados é longa, e a memória coletiva de quem cresceu com estas histórias não perdoa facilmente. Mas algo começou a mudar.
7Samurai Champloo
Há uma certa ironia no facto de a Tomorrow Studios, a produtora por detrás do desastre de Cowboy Bebop, estar agora a tentar a sua sorte com outra série do mesmo criador, Shinichirō Watanabe. A confiança seria difícil de justificar se não fosse por um detalhe crucial, desta vez, Watanabe está diretamente envolvido na produção. É uma lição que o estúdio aparentemente aprendeu da pior maneira possível.
Samurai Champloo tem uma identidade muito específica, a mistura de estética do Japão feudal com hip-hop e uma energia visual caótica que dificilmente se traduz para qualquer outro formato. A série original de 2004 continua a ser uma referência, e qualquer adaptação que ignore o que a torna única está condenada antes de começar. O envolvimento de Watanabe não é uma garantia, mas é pelo menos um sinal de que ninguém está a tratar isto como um produto genérico. O projeto encontra-se numa fase muito inicial de desenvolvimento, sem distribuidora confirmada nem data de estreia à vista.
6One-Punch Man
No papel, a equipa criativa da adaptação live-action de One-Punch Man é difícil de criticar. Justin Lin, responsável por alguns dos filmes mais rentáveis da saga Velocidade Furiosa, na cadeira de realizador. Dan Harmon e Heather Campbell, as mentes por detrás de Rick and Morty, a escrever o guião. É uma combinação que gera curiosidade genuína, afinal, One-Punch Man é fundamentalmente uma sátira ao género de super-heróis, e Harmon tem uma relação longa com humor subversivo e desconstrução de convenções narrativas.
O problema é que nada disto passou ainda do estádio de anúncio. Há anos que o projeto é referido como “confirmado” sem que surja qualquer imagem, qualquer nome de ator ou qualquer data concreta. Na indústria, este tipo de desenvolvimento interminável raramente é um bom sinal. É possível que tudo mude de um momento para o outro, mas por agora é difícil sentir mais do que uma expectativa cautelosa.
5Solo Leveling
A decisão mais inteligente associada à adaptação live-action de Solo Leveling foi, provavelmente, a de não a fazer em Hollywood. A série vai ser produzida na Coreia do Sul, com os realizadores Lee Hae-jun e Kim Byung-seo à frente do projeto, uma escolha que faz todo o sentido quando se considera que o manhwa original é profundamente coreano na sua identidade, nos seus ritmos narrativos e na forma como constrói os seus personagens.
O elenco já está a ganhar forma, e os nomes são reconhecidos, Byeon Woo-seok como Sung Jinwoo, Han So-hee no papel de Cha Hae-In, e Kang Youseok como Yoo Jinho. São escolhas que sugerem ambição e uma produção que quer chegar ao público global sem abdicar das suas raízes. A indústria coreana provou repetidamente que sabe contar este tipo de histórias, de ação, de fantasia, de ascensão contra todas as probabilidades, com uma competência que rivaliza com qualquer produção ocidental. Se há um projeto nesta lista com as condições certas para funcionar, é este.
4Mobile Suit Gundam
Adaptar Gundam para o cinema ocidental é uma das tarefas mais complicadas desta lista. A franquia existe desde 1979, tem dezenas de séries, filmes e linhas narrativas distintas, e uma base de fãs que leva a sério cada detalhe do universo. Qualquer simplificação parece uma traição, mas qualquer fidelidade excessiva arrisca alienar o público que ainda não conhece o material.
A Netflix e a Legendary Pictures estão a tentar encontrar esse equilíbrio, com Jim Mickle, realizador e criador de Sweet Tooth, a assinar tanto a realização como o guião. A produção arrancou no início deste ano, e o elenco inclui Sydney Sweeney, Noah Centineo e Michael Mando. São nomes com visibilidade suficiente para garantir atenção, mas a questão central mantém-se, conseguirá o filme capturar o que faz de Gundam uma franquia com mais de quatro décadas de relevância? A resposta só chegará quando existir algo para ver.
3Voltron
De toda a lista, Voltron é o projeto mais próximo de chegar ao ecrã e talvez por isso o que gera expectativas mais concretas. As filmagens já terminaram, a distribuição está garantida no Prime Video, e a Amazon MGM Studios tem claramente apostas altas neste longa-metragem.
Rawson Marshall Thurber, realizador de Red Notice e Central Intelligence, dirige e coescreve ao lado de Ellen Shanman. O elenco inclui Henry Cavill e Sterling K. Brown, dois nomes com um historial de projetos de grande escala e a capacidade de segurar uma produção deste tipo em cima do carisma pessoal. Voltron não tem o mesmo peso cultural de Naruto ou My Hero Academia para as gerações mais jovens, mas a nostalgia associada à franquia é real, e uma produção bem executada com este elenco pode facilmente chegar além do público habitual de anime.
2My Hero Academia
My Hero Academia é talvez o anime mais adequado para uma adaptação ocidental de grande orçamento. A estrutura narrativa é familiar, um jovem sem poderes num mundo de super-heróis, determinado a provar o seu valor, mas com uma profundidade emocional e uma complexidade moral que a distingue de qualquer equivalente americano. Funciona tanto como história de formação como como crítica ao culto dos heróis, e essa camada adicional é precisamente o que pode torná-la relevante para um público mais amplo.
A Netflix e a Legendary Pictures estão a desenvolver o filme com Shinsuke Sato na direção, o mesmo realizador de Alice in Borderland e das adaptações live-action de Bleach e Kingdom, um historial que fala por si. O guião está a ser escrito por Jason Fuchs, co-criador da série IT: Welcome to Derry. As filmagens estão previstas para o outono de 2026, apontando para uma estreia em 2027 ou 2028. O elenco ainda não foi confirmado, mas a combinação de Sato com Fuchs é das mais promissoras de toda esta lista. Se há um projeto aqui que tem as condições certas para repetir o que One Piece fez à perceção geral das adaptações live-action, é este.
1Naruto
Naruto é uma história que existe há mais de duas décadas e que moldou a infância de uma geração inteira. Isso é simultaneamente a sua maior força e o seu maior risco enquanto adaptação. A margem para falhar é enorme, e as expectativas são de tal forma elevadas que qualquer desvio do esperado vai gerar debate imediato.
O projeto tem em Destin Daniel Cretton um realizador com o perfil certo, responsável por Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, demonstrou que consegue equilibrar ação espetacular com drama humano autêntico, e é precisamente isso que Naruto exige. Masashi Kishimoto, o criador do mangá, não só aprovou a escolha como se reuniu pessoalmente com Cretton em Tóquio e acompanha ativamente o processo criativo. O guião está a ser coescrito com Tasha Huo, e as filmagens poderão arrancar ainda no final de 2026, assim que Cretton conclua os seus compromissos com Spider-Man: Brand New Day. Não há data de estreia confirmada, mas tudo aponta para 2028 como o cenário mais realista.
O que torna Naruto o projeto mais polarizador desta lista não é apenas a sua popularidade, é a dificuldade de o traduzir para live-action sem perder o que o define. O design visual do personagem principal, as batalhas de chakra, o tom que oscila entre comédia e tragédia, são elementos que num ecrã real podem resultar de forma extraordinária ou tornarem-se objeto de memes instantâneos. É essa imprevisibilidade que mantém toda a gente de olho neste projeto.







