
Kei Urana, a criadora de Gachiakuta, um dos mangás shonen mais aclamados dos últimos anos, não conseguiu ficar indiferente ao que está a acontecer com Witch Hat Atelier esta temporada. Numa publicação no X, a autora confessou ter ficado paralisada em frente ao ecrã, boquiaberta, a perguntar-se em voz alta: “Isto é magia?”.
Que uma mangaká conhecida por retratar histórias cruas sobre desigualdade social e violência urbana se renda a uma série de fantasia com bruxas e aprendizes diz muito sobre o impacto que Witch Hat Atelier está a ter na primavera de 2026.
O anime, produzido pelo estúdio Bug Films e transmitido na Crunchyroll a partir de 6 de abril de 2026, é a adaptação do mangá homónimo de Kamome Shirahama, publicado desde julho de 2016 na revista Morning Two da Kodansha. Com mais de 7,5 milhões de cópias em circulação e prémios como o Harvey Award e o Eisner Award na bagagem, a obra esperava uma adaptação digna há anos.
A estreia estava prevista para 2025, mas o próprio estúdio decidiu adiar para poder “apresentar o charme do projeto com uma qualidade ainda maior”. Quem está a acompanhar a série percebe que a espera valeu a pena.
A animação foi entregue ao estúdio BUG FILMS (Zom 100: Bucket List of the Dead), a direção é de Ayumu Watanabe (Ace Attorney, filmes de Doraemon), a produção é de Hiroaki Kojima (produção de Komi Can’t Communicate), o design de personagens é de Kairi Unabara (Pokémon Evolutions) e a música é da responsabilidade de Yuka Kitamura (Elden Ring).
Desde a estreia que a série tem mantido um nível de animação acima da média, mas foi o quinto episódio, intitulado “The Dragon’s Labyrinth” e transmitido a 4 de maio de 2026, que gerou verdadeira agitação nas redes sociais.
Clipes do episódio 5 inundaram as redes sociais nos dias seguintes, com fãs do mangá satisfeitos pela fidelidade ao material original e espectadores mais casuais completamente rendidos pela qualidade da animação.
Uma das cena mais populares do episódio estava resolvida em apenas duas páginas no mangá, mas o Bug Films transformou-a numa sequência cinematográfica que deu ao personagem em questão uma dimensão que o papel dificilmente conseguiria transmitir.
とんがり帽子アニメやばすぎて口開いてた
これが魔法か— 裏那圭◾️KEI URANA (@KEI_URANA) May 19, 2026
O que torna este anime diferente
Uma das razões que faz Witch Hat Atelier destacar-se é a forma como trata a própria magia. Num universo onde qualquer pessoa com as ferramentas certas pode praticar feitiços, o misticismo nunca se perde, algo que Kei Urana destacou na sua publicação, salientando que a série consegue manter um sentido de espanto constante.
O Bug Films aplica uma subtil textura de papel sobre os fotogramas que imita a sensação de se estar a folhear as páginas impressas do mangá de Shirahama. Quase impercetível de forma consciente, mas responsável por uma sensação de calor e tactilidade que a animação digital convencional raramente consegue.
Os designs de personagens mantêm-se muito próximos do traço original, os olhos largos de Coco, os traços afiados de Qifrey suavizados pelo sorriso fácil, sem ceder à tendência de aplanar tudo em proporções genéricas.
Kei Urana não é uma voz qualquer neste contexto. Gachiakuta, publicado na Weekly Shonen Magazine desde fevereiro de 2022 e adaptado pelo estúdio Bones Film, é uma das obras shonen mais faladas da nova geração, com 18 volumes publicados a fevereiro de 2026 e presença nas listas de bestsellers do New York Times. Atsushi Ohkubo, o autor de Soul Eater e Fire Force, chegou a designar Urana publicamente como a sua sucessora.









