
Quase uma década depois do seu lançamento, Destiny 2 vai receber a sua última atualização de conteúdo a 9 de junho de 2026. A atualização, intitulada Monument of Triumph, será gratuita para todos os jogadores e inclui o regresso permanente da Sparrow Racing League, melhorias às recompensas de raids e dungeons, e uma revisão completa da interface principal do jogo, um presente de despedida para uma comunidade que passou anos a construir personagens, a perseguir loot e a criar amizades dentro do jogo.
O anúncio, feito a 21 de maio, apanhou muitos de surpresa. Duas expansões que estavam em desenvolvimento, Shattered Cycle e The Alchemist, foram canceladas sem aviso prévio. A maioria dos próprios funcionários da Bungie soube do fim do jogo ao mesmo tempo que os jogadores, através do comunicado público.
Horas depois, a Bloomberg publicou uma reportagem a indicar que a Bungie prepara uma nova vaga de despedimentos significativa, a terceira desde que a Sony adquiriu o estúdio por 3,6 mil milhões de dólares em 2022. Segundo as fontes a empresa não tem nenhum projeto aprovado para a equipa que trabalhava em Destiny 2, e Destiny 3 não está em desenvolvimento ativo.
Uma petição que cresceu em horas
A resposta da comunidade foi imediata. Uma petição no Change.org, criada por um jogador identificado como Harley Casto com o título “Petition Sony to Develop Destiny 3”, ultrapassou as 189 mil assinaturas desde o seu lançamento a 22 de maio, e os números continuam a subir.
O texto da petição é direto: “A franquia Destiny cativou milhões de jogadores em todo o mundo com o seu universo imersivo, jogabilidade emocionante e forte sentido de comunidade. No entanto, com o fim das atualizações para Destiny 2, é tempo de dar o próximo passo e manter esta adorada série a prosperar. Este passo é o desenvolvimento de Destiny 3”.
O que torna este número especialmente relevante é a comparação com Marathon, o novo jogo da Bungie. O extraction shooter lançado a 5 de março de 2026 atingiu um pico de 88.337 jogadores simultâneos no Steam no dia de lançamento, muito abaixo das expectativas, sobretudo tendo em conta que o beta gratuito realizado em fevereiro tinha chegado a 143 mil jogadores. Segundo os dados do SteamDB, o jogo já caiu para menos de 15% do seu pico de lançamento. Ou seja, a petição por Destiny 3 tem atualmente mais assinaturas do que Marathon alguma vez teve jogadores em simultâneo no PC.
Por detrás desta agitação existe uma realidade financeira difícil de ignorar. A Sony registou uma perda por imparidade de 765 milhões de dólares sobre os ativos da Bungie no ano fiscal de 2025, dividida entre uma primeira tranche de 200 milhões no segundo trimestre e outros 565 milhões no quarto trimestre, terminado a 31 de março de 2026. Isto representa mais de 20% do valor pago pela aquisição do estúdio.
Mesmo a expansão The Final Shape, lançada em junho de 2024 e considerada por muitos como o encerramento natural da saga Light vs. Darkness, não foi suficiente para travar a hemorragia. Ainda assim, foi seguida de um corte de cerca de 17% da força de trabalho da Bungie. A situação atual é a sua consequência mais visível.
Além de assinar a petição, parte da comunidade está a organizar um regresso massivo ao jogo no dia 9 de junho, precisamente quando Monument of Triumph for lançado. O objetivo é demonstrar à Sony que existe ainda uma base de jogadores ativa e apaixonada, um argumento comercial tão ou mais poderoso do que qualquer petição online.
A Bungie, por sua vez, deixou uma porta entreaberta na sua comunicação oficial. O estúdio descreveu o fim de Destiny 2 como o início de uma nova fase, mencionando que pretende “incubar os próximos jogos.” Membros da equipa têm tentado apresentar novos projetos internamente, incluindo potencialmente novos títulos da saga Destiny, mas nenhum terá sido aprovado até ao momento.
Se a Sony está ou não a acompanhar os números da petição, não se sabe. O que é certo é que a franquia Destiny, com mais de uma década de história, raids lendárias, e uma das comunidades mais dedicadas dos videojogos, não está disposta a desaparecer em silêncio.









