O que começou como um jogo mobile de gacha sul-coreano está prestes a chegar ao PC como um jogo de compra única, e a história por trás dessa transformação é tão dramática quanto o jogo em si.
DragonSword: Awakening, desenvolvido pela Hound13, tem lançamento confirmado para 23 de julho no Steam. Trata-se de uma reformulação profunda do DragonSword original, que tinha chegado ao mercado sul-coreano em janeiro de 2026 como um jogo free-to-play com mecânicas gacha. Nesta versão para PC, toda essa estrutura de serviço contínuo foi eliminada, as recompensas obtêm-se através do jogo, e não de sorteiros pagos. Haverá DLC de cosméticos e de criaturas chamadas Familiars, mas a progressão em si não está por trás de um sistema de probabilidades.
Em termos de gameplay, o jogo situa-se no Continente de Orbis e segue Lute, um jovem que acaba por se juntar a um grupo de mercenários. Quando um Dragão lendário regressa após 60 anos de ausência e ameaça a paz da região, Lute e companhia partem em busca dos passos dos heróis que o derrotaram no passado. O sistema de combate assenta na troca entre vários personagens em tempo real, aproveitando as capacidades específicas de cada um, um estilo já familiar para quem joga Genshin Impact ou Wuthering Waves. O mundo pode ser explorado a solo ou em co-op online com outros jogadores.
Mas antes de falar do jogo, é preciso falar do que esteve prestes a impedi-lo de existir.
Tudo correu mal cedo. Um mês após o lançamento sul-coreano, em fevereiro de 2026, a Hound13 notificou a editora Webzen da rescisão do contrato de publicação, alegando que esta não tinha pago 60% da garantia mínima acordada. A Webzen reagiu no mesmo dia com uma declaração própria, afirmando que a rescisão não cumpria os requisitos legais e que era, portanto, nula e sem efeito. Entretanto, a Webzen suspendeu as funções de pagamento dentro do jogo e processou reembolsos das compras realizadas, alegando querer “proteger os direitos dos consumidores.”
A Webzen acabou por depositar o valor em falta a 27 de fevereiro, mas a Hound13 argumentou que o atraso já tinha forçado a suspensão das operações. Em abril, a Hound13 anunciou o DragonSword: Awakening como um relançamento independente, sem a Webzen. o que levou a editora a mover um processo judicial no Tribunal Distrital Central de Seul, solicitando uma injunção para bloquear o lançamento no Steam. A Webzen argumentou que os direitos de publicação continuavam a ser seus e que uma versão Steam não autorizada poderia “causar confusão e danos adicionais” aos jogadores nacionais e internacionais.
A Hound13 respondeu publicamente, reiterando que a rescisão do contrato a 13 de fevereiro tinha sido legal, feita de acordo com os procedimentos previstos no próprio acordo, e que a posição da Webzen era unilateral, cabendo ao tribunal decidir. A empresa disse ainda que continuaria a preparar o lançamento no Steam “sem interrupções”.
Aparentemente, foi o que fez. A data de 23 de julho está confirmada, a demo gratuita já está disponível no Steam, e não houve qualquer anúncio de bloqueio judicial. A Hound13 também confirmou que todos os jogadores que adquirirem o jogo até 31 de agosto receberão o familiar Abyssal Direwolf gratuitamente, passando este a ser pago após essa data. Não está prevista uma opção de pré-compra.
O conflito entre as duas empresas é também complicado pelo facto de a Webzen deter uma participação de 25,64% no capital da Hound13, após um investimento de cerca de 30 mil milhões de wons (aproximadamente 20 milhões de dólares) realizado em 2024. A disputa está longe de estar encerrada nos tribunais, mas o jogo parece encaminhado para o seu lançamento.








