
Depois do Concord, que encerrou em menos de duas semanas após lançamento, com um custo estimado de 250 milhões de dólares, e do Marathon da Bungie, que chegou ao mercado em março de 2026 sem cumprir as expetativas de vendas da Sony, qualquer outra empresa poderia ter aproveitado a entrevista à Famitsu para mudar de assunto. Hideaki Nishino, presidente da Sony Interactive Entertainment, fez o oposto.
Numa entrevista à edição comemorativa do 40.º aniversário da Famitsu, Nishino foi direto ao ponto quando questionado sobre o futuro dos jogos live service na PlayStation: “Acreditamos que os jogos live service são conteúdo que atrai utilizadores a nível global, por isso queremos continuar a revitalizar o mercado através de conteúdo tanto de primeira como de terceira parte”.
Mas as declarações de Nishino vão além da insistência no modelo. O CEO aproveitou para clarificar algo que tinha ficado por confirmar oficialmente, a divisão entre o que fica exclusivo na PlayStation e o que chega também ao PC. A posição é clara, os jogos single-player desenvolvidos internamente vão aprofundar “o valor da experiência de jogo que a PlayStation pode oferecer”, ou seja, ficam exclusivos. Para os jogos live service, o raciocínio inverte-se, como dependem de comunidades grandes e ativas para manter os ciclos de matchmaking e monetização, a Sony considera PS5 e PC como “as plataformas base para lançamento”. Na prática, isto confirma o que estava a ser discutido há meses, de que títulos como Ghost of Yōtei e Saros não chegariam ao PC.
Nishino sublinhou também que a Sony não está apenas focada em lançar novos títulos, mas a pensar em como desenvolver os jogos existentes “a médio e longo prazo”.

O historial recente da Sony nesta área é, no mínimo, irregular. O Concord foi encerrado ao fim de duas semanas, o que levou mesmo a CFO Lin Tao a admitir publicamente em agosto de 2025 que a transformação “não está a correr completamente bem.” O Marathon, lançado pela Bungie a 5 de março de 2026 no PS5, PC e Xbox Series X/S, recebeu críticas positivas mas também ficou abaixo das expetativas de vendas. O Helldivers 2 continua a ser o caso de sucesso mais sólido neste campo.
Do lado positivo para a Sony, os dados de há um ano mostravam que os jogos live service já representavam entre 20 a 30% da receita de software first-party, uma mudança significativa para uma empresa que cinco anos antes quase não tinha presença neste segmento.
O que Nishino não disse, e que fica por esclarecer, é o que muda concretamente na abordagem após os reveses recentes. A Sony tinha planos para lançar doze jogos live service até março de 2026, um objetivo que foi significativamente reduzido na sequência do Concord. O MARVEL Tōkon: Fighting Souls foi mencionado na entrevista como um dos próximos títulos live service da PlayStation previsto para este ano.









