
O estúdio de animação CloverWorks (DARLING in the FRANXX, PERSONA 5 the Animation), responsável por algumas das séries mais populares dos últimos anos, voltou a registar prejuízo no ano fiscal mais recente, e desta vez o valor é ainda maior do que no período anterior.
De acordo com o aviso financeiro oficial publicado no Kanpo, o boletim oficial do governo japonês, a CloverWorks reportou um prejuízo líquido de 38,48 milhões de ienes (cerca de 238 mil dólares) referente ao ano fiscal terminado a 31 de março de 2026. O valor representa um agravamento face ao ano anterior, quando o estúdio, detido pela Aniplex, tinha fechado as contas com um prejuízo de 24,35 milhões de ienes (aproximadamente 148 mil dólares).
Os documentos financeiros divulgados detalham ainda a situação patrimonial da empresa:
- Ativos correntes: 2,12 mil milhões de ienes
- Ativos fixos: 947 milhões de ienes
- Total de ativos: 3,07 mil milhões de ienes
- Total de passivos: 2,49 mil milhões de ienes
- Ativos líquidos: 577,6 milhões de ienes
Apesar do resultado negativo, a empresa mantém ativos líquidos positivos, o que indica que continua financeiramente estável mesmo com dois anos consecutivos de prejuízo.
Uma montanha-russa nos últimos anos
Os números da CloverWorks têm oscilado bastante desde 2021. O estúdio foi lucrativo nos anos fiscais de 2021, 2022 e 2024, mas voltou a registar perdas em 2025, agravadas agora em 2026. Este padrão não é propriamente novidade na indústria, a CloverWorks já tinha passado por prejuízos em 2019 e 2020, anos que precederam justamente a recuperação registada em 2021.
Vale a pena notar que estes resultados surgem apesar do estúdio ter produzido, só no último ano, títulos de grande visibilidade como a segunda temporada de My Dress-Up Darling, a terceira temporada de Spy x Family e The Fragrant Flower Blooms with Dignity. Um prejuízo anual não significa necessariamente que o estúdio esteja em dificuldades, até porque a CloverWorks é uma subsidiária a cem por cento da Aniplex, cujo negócio de anime continua a crescer de forma consistente.
Na indústria de animação japonesa, o resultado financeiro de um único ano fiscal nem sempre reflete o sucesso comercial das produções de um estúdio, já que os números podem ser fortemente influenciados pelos calendários de produção, pelo timing dos investimentos e pela forma como os contratos estão estruturados.
Quem é a CloverWorks
Fundada em 2018 após se separar da A-1 Pictures, a CloverWorks tornou-se, em poucos anos, um dos estúdios mais reconhecidos do Japão. Além dos títulos já mencionados, o seu portefólio inclui ainda Bocchi the Rock!, WIND BREAKER e Rascal Does Not Dream of Santa Claus.
A lista de projetos futuros é igualmente extensa e ajuda a explicar porque é que, apesar do prejuízo, não há sinais de abrandamento na atividade do estúdio. Estão confirmados o filme GROTESQUE, realizado por Atsushi Nishigori, a série de anime The Case Files of Biblia Bookstore, uma nova produção de Evangelion em colaboração com a Khara e com argumento de Yoko Taro, a segunda temporada de Bocchi the Rock, o filme Rascal Does Not Dream of a Dear Friend, e a segunda temporada de The Elusive Samurai, já prevista para este verão.
Curiosamente, a divulgação destes números coincide com a publicação dos resultados de outro estúdio da Aniplex, a A-1 Pictures, que reportou um lucro de 91 milhões de ienes no mesmo ano fiscal, depois de também ter fechado o exercício anterior com prejuízo. O contraste entre os dois estúdios irmãos mostra bem como os resultados financeiros podem variar de forma significativa dentro do mesmo grupo empresarial.









