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Sony coloca a inteligência artificial no centro do futuro da PlayStation

Sony detalha estratégia de inteligência artificial para os próximos anos da PlayStation

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Há mais de três décadas que a PlayStation tenta manter-se na linha da frente da tecnologia em cada nova geração de consolas, e tudo indica que a próxima grande fronteira para a Sony passa pela inteligência artificial. Numa reunião recente com investidores, dedicada ao segmento de jogos e serviços de rede, os líderes da empresa deixaram claro que a tecnologia vai continuar a ganhar peso na forma como os jogos são desenvolvidos e na experiência oferecida aos jogadores.

O encontro, realizado a 5 de junho, contou com respostas conjuntas do presidente e CEO da Sony Interactive Entertainment, Hideaki Nishino, do CEO da área de estúdios, Hermen Hulst, e da vice-presidente sénior de finanças e desenvolvimento corporativo, Lynn Azar. A ata traduzida da sessão, divulgada pela própria Sony, viria a confirmar aquilo que a empresa já vinha sinalizando há vários meses, a IA deixou de ser um projeto paralelo para passar a estar no centro da estratégia de longo prazo da marca.

IA como base estrutural, não apenas ferramenta pontual

Logo na abertura da sessão, Nishino definiu a inteligência artificial como uma peça fundamental de suporte à estratégia da empresa. O executivo afirmou:

“Também vemos a IA como uma tecnologia fundamental de suporte à nossa estratégia. A IA já nos está a ajudar em vários domínios, melhorando a eficiência de desenvolvimento, reforçando a experiência do jogador, melhorando a descoberta de conteúdo e permitindo que os criadores construam conteúdos mais ricos”.

Nishino foi ainda mais longe ao sublinhar o potencial competitivo que a Sony vê nesta tecnologia a longo prazo, tendo em conta os recursos únicos que a empresa já tem à disposição:

“Com a nossa base global de jogadores, uma biblioteca profunda de propriedade intelectual e um ecossistema integrado, a IA representa uma oportunidade entusiasmante a longo prazo para nós”.

Menos sobre cortar custos, mais sobre acelerar a criação

Uma das partes mais reveladoras da sessão surgiu quando a equipa de liderança foi questionada sobre como a Sony pretende diferenciar-se da concorrência no uso desta tecnologia. Embora a resposta não tenha sido atribuída a um único interveniente, o conteúdo focou-se sobretudo em como a IA pode reforçar o trabalho dos criadores em vez de os substituir, e em como a integração desta tecnologia nos processos internos já não é propriamente uma novidade, mas antes uma prática instalada há vários anos.

De acordo com a resposta partilhada na ata da reunião:

“Como empresa de entretenimento criativo, damos prioridade aos nossos criadores, com a IA a reforçar o seu trabalho ao remover tarefas repetitivas e permitir uma iteração mais rápida e resultados de maior qualidade, nomeadamente através do uso de recursos sintéticos, incluindo vozes sintéticas, como substitutos temporários numa fase inicial. Isto tem menos a ver com eficiência de custos e mais com a melhoria da qualidade e da velocidade de desenvolvimento, algo que consideramos altamente valioso. Há já vários anos que a IA está profundamente integrada nos nossos processos de desenvolvimento, e estamos a observar cada vez mais o seu impacto em experiências de jogo mais imersivas, com personagens e mundos reforçados pelas capacidades da IA”.

A mesma resposta acrescentava ainda uma nota sobre o tipo de experimentação que a empresa está a conduzir a um nível mais estrutural:

“Ao mesmo tempo, estamos a experimentar a um nível mais fundamental com iniciativas mais pequenas centradas em IA desde a sua génese, mantendo-nos realistas quanto aos ganhos de eficiência a curto prazo. Estes esforços posicionam-nos para nos mantermos na vanguarda à medida que a IA continua a evoluir, tanto nos processos de desenvolvimento como na forma como molda futuras experiências dos jogadores”.

Exemplos concretos já em uso nos estúdios da Sony

Esta postura não fica apenas ao nível do discurso. Nishino já tinha detalhado, numa apresentação anterior, exemplos concretos de como a IA está a ser aplicada dentro dos estúdios internos da Sony. Entre eles conta-se o Mockingbird, uma ferramenta proprietária baseada em aprendizagem automática que gera animações faciais em modelos 3D a partir de captura de movimento, um processo que antes exigia longas horas de trabalho manual. Estúdios como a Naughty Dog e a San Diego Studio já recorrem a esta tecnologia, que foi inclusive utilizada em jogos já lançados, como Horizon Zero Dawn Remastered.

A automação através de IA também tem sido aplicada à animação de cabelo em personagens digitais, outra tarefa tradicionalmente morosa. Ainda assim, e apesar deste avanço tecnológico, a Sony tem repetido a mesma mensagem de fundo ao longo dos últimos meses, a visão, o design e o impacto emocional dos jogos continuam a depender do talento dos estúdios e dos intérpretes, com a IA a desempenhar um papel de apoio e não de substituição.

Uma estratégia com várias frentes

Para além do desenvolvimento de jogos propriamente dito, a Sony tem vindo a explorar outras aplicações práticas da inteligência artificial dentro do seu ecossistema. Ferramentas de encaminhamento de pagamentos baseadas em IA já geraram mais de 700 milhões de dólares em receita adicional ao longo dos últimos anos, ao otimizar a forma como as transações são direcionadas entre redes de pagamento. A empresa está também a apostar em sistemas de personalização mais avançados, capazes de recomendar não apenas o próximo jogo que um utilizador pode gostar, mas também o próximo momento de jogo, subscrição, acessório ou produto relacionado com os seus interesses.

A tecnologia tem ainda impacto direto na qualidade visual dos jogos, a PlayStation Spectral Super Resolution, disponível na PS5 Pro, recorre a aprendizagem automática para gerar imagens em 4K com taxas de fotogramas elevadas, uma funcionalidade já presente em títulos como Saros e Ghost of Yōtei.

Esta não é a primeira vez que a Sony reforça publicamente esta visão. A empresa já tinha explorado colaborações ligadas a inteligência artificial generativa com outras produtoras do setor, incluindo a Bandai Namco, naquilo que parece ser um esforço contínuo para consolidar a IA como parte estrutural do futuro da marca PlayStation, tanto ao nível interno de produção como na relação direta com os jogadores.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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