
Shuhei Yoshida, uma das figuras mais respeitadas da indústria dos videojogos e antigo presidente da SIE Worldwide Studios, partilhou nas redes sociais as suas impressões depois de passar algumas horas com a Steam Machine, a nova aposta da Valve para levar o PC gaming para a sala de estar. O resultado é uma análise equilibrada, mas com uma conclusão que dificilmente vai animar quem ainda esteja indeciso quanto à compra.
Elogios ao design, reservas quanto ao desempenho
Numa publicação no X, Yoshida começou por elogiar vários aspetos do dispositivo. Considerou a interface do sistema “fácil de usar” e destacou como uma das funcionalidades mais interessantes o facto de ser possível ligar a consola diretamente através de um botão no comando Steam Controller, algo que classificou como uma “funcionalidade decisiva”. Também mencionou de forma positiva pormenores como as placas frontais personalizáveis e os vídeos de arranque aleatórios, além de sublinhar que o formato compacto e o funcionamento silencioso do aparelho são “muito bons”.
No entanto, nem tudo foi elogio. Yoshida não poupou críticas ao desempenho gráfico, resumindo-o numa palavra: “meh”. Sobre a resolução recomendada por definição, questionou: “O sistema recomenda por defeito 1080p, estou a voltar aos tempos da PS4?”. Também notou que alguns jogos demoram “muitíssimo tempo” a arrancar, questionando o que estaria a acontecer nesses casos.
O preço como principal entrave
Foi precisamente o custo do aparelho que motivou o comentário mais contundente de Yoshida. Segundo o antigo executivo da Sony, “o preço era muito pouco simpático”, concluindo que é “difícil de recomendar a alguém, a não ser para fins de investigação”. Ainda assim, Yoshida reconheceu que o dispositivo tem utilidade para si próprio, uma vez que lhe permite “jogar jogos da Steam na televisão da sala, o que já é motivo suficiente para o manter”.
A Steam Machine está atualmente à venda a partir dos 1039 euros para a versão de 500 GB, um valor que a torna mais cara do que a própria PS5 Pro. A versão com 2 TB de armazenamento custa 1359 euros. Este preço elevado tem sido associado ao aumento generalizado dos custos de memória e armazenamento, provocado em parte pela procura de componentes por parte de centros de dados dedicados a inteligência artificial.
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Um contexto pouco favorável aos preços elevados
Esta análise surge numa altura particularmente sensível para o mercado das consolas, com a Sony a ter anunciado recentemente o fim da produção de discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de 2028, e com rumores a apontarem para que a próxima PlayStation possa custar cerca de mil euros. Num cenário em que os preços do hardware continuam a subir em toda a indústria, um dispositivo acima dos mil euros acaba por levantar ainda mais dúvidas junto do consumidor comum.
Vale ainda recordar que a Valve já recuou nas promessas iniciais sobre desempenho a 4K a 60 frames por segundo na Steam Machine, atualizando a página do produto para esclarecer que essa experiência dependerá de tecnologias de upscaling como o FSR da AMD em determinados jogos.









