A Samsung continua a apostar na sua série Galaxy A como ponte entre os smartphones de entrada e a gama premium, e o Galaxy A37 chega em 2026 para suceder ao Galaxy A36 com a promessa de melhorar precisamente aquilo que mais pesava contra o modelo anterior: a câmara. Esta review procura responder de forma direta a uma pergunta simples, mas nem sempre fácil de responder, será que o Galaxy A37 é, de facto, o smartphone de gama média certo para comprarem em 2026?

Design e qualidade de construção

O Galaxy A37 segue a linguagem visual que a Samsung tem vindo a consolidar em toda a família Galaxy A: uma traseira minimalista, com as três lentes agrupadas dentro de uma ilha translúcida, em vez dos anéis individuais que caracterizavam gerações mais antigas como o Galaxy A34 ou o Galaxy A35. O resultado visual é mais discreto e mais alinhado com o design da própria linha Galaxy S.

A frente e a traseira são revestidas em Corning Gorilla Glass Victus+, enquanto a moldura lateral é de plástico. Esta combinação permite manter o peso controlado, 196 gramas, sem sacrificar por completo a sensação de qualidade ao toque. Ainda assim, quem vier de um Galaxy A56 ou de um Galaxy A57, ambos com moldura em alumínio, vai notar a diferença assim que segurar o aparelho: o A37 parece ligeiramente menos robusto ao tato, mesmo tendo vidro em ambas as faces.

A grande novidade estrutural é a certificação IP68, que substitui o IP67 anteriormente visto em modelos equivalentes. Isto significa resistência à submersão até 1,5 metros durante 30 minutos, e não apenas 1 metro como acontecia antes. Um upgrade discreto mas relevante para quem usa o telemóvel perto de água ou em condições de chuva intensa.

Ergonomia no dia a dia

Com 162,9 x 78,2 x 7,4 mm, o A37 é um smartphone grande, mas não desconfortável. A espessura de 7,4mm e as bordas relativamente arredondadas ajudam a compensar o tamanho do ecrã de 6,7 polegadas. A utilização a uma mão é possível, embora exija algum ajuste de pega para alcançar o canto superior do ecrã. O botão de ligar e a disposição dos botões de volume do lado direito é confortável para destros e razoável para canhotos.

Ecrã: brilho, cores e suporte a HDR

O ecrã é, sem surpresa, um dos pontos fortes do Galaxy A37. Trata-se de um painel Super AMOLED de 6,7 polegadas com resolução FHD+ (1080 x 2340 pixels), taxa de atualização de 120Hz e densidade de 385ppi. É essencialmente o mesmo painel utilizado no Galaxy A36, sem melhorias relevantes de resolução, mas com a vantagem de já vir com a tecnologia Vision Booster e certificação Eye Care da SGS para redução de luz azul.

Os valores apontam para 1200 nits em modo HBM e um pico de até 1900 nits. Na prática, isto traduz-se numa boa legibilidade em ambientes exteriores.

A reprodução de cor é vibrante e com bom contraste, típica dos painéis AMOLED da Samsung, sendo adequada tanto para consumo de conteúdos em aplicações de streaming como para navegação geral e jogos. Comparado com o Galaxy A56 e o Galaxy A57, que utilizam painéis Super AMOLED+ com suporte a HDR10+, o A37 fica atrás neste aspeto específico.

Desempenho: Exynos 1480, benchmarks e uso real

O coração do Galaxy A37 é o Exynos 1480, fabricado num processo de 4nm e composto por quatro núcleos Cortex-A78 a 2,75GHz e quatro núcleos Cortex-A55 a 2,0GHz, acompanhado da GPU Xclipse 530. É um chip já familiar, usado anteriormente no Galaxy A55 em 2024, o que levanta a questão legítima de estarmos perante uma atualização mais discreta do que seria desejável para um lançamento de 2026.

Para efeitos de comparação direta, o Exynos 1480 do A37 chega a ser ultrapassado pelo Snapdragon 7s Gen 4 usado por alguns concorrentes, e fica visivelmente atrás do Exynos 1580 do Galaxy A56 e do Exynos 1680 que equipa o Galaxy A57.

Experiência de utilização e gaming

No uso diário, o desempenho é suficiente, mas não particularmente ágil. Existem pequenas lentidões, quebras ocasionais na fluidez das animações e algum stutter esporádico durante testes mais exigentes. Por outro lado, é uma experiência mais positiva no dia a dia, com boa resposta em tarefas comuns como navegação, redes sociais, aplicações de streaming e multitarefa ligeira.

Em jogos mais exigentes, como títulos com motores gráficos avançados, é recomendável reduzir as definições gráficas para médio ou baixo, uma vez que a GPU Xclipse 530 não é especialmente competitiva face a soluções MediaTek ou Qualcomm da mesma faixa de preço.

Aquecimento

Mesmo sob testes de stress prolongado, o Exynos 1480 não perde de forma abrupta o desempenho de pico, e a degradação térmica ocorre de forma gradual em vez de quebras bruscas. Isto sugere que a Samsung implementou um sistema de dissipação eficiente para os padrões desta gama de preço.

Software: One UI 8.5, Android 16 e Galaxy AI

O Galaxy A37 chega ao mercado com Android 16 e a mais recente versão da One UI, a 8.5, exatamente a mesma versão que equipa o topo de gama Galaxy S26 Ultra no momento do lançamento. Este alinhamento de versão é um argumento de peso a favor da Samsung, que continua a ser referência na categoria média em termos de suporte de software.

Política de atualizações

A Samsung garante seis gerações de atualizações do sistema operativo Android e seis anos de atualizações de segurança, um compromisso que há poucos anos estava reservado à gama premium e que hoje se estende a modelos de entrada da série A. Este é o principal argumento de compra do aparelho, especialmente para quem pretende manter o telemóvel por vários anos.

Funcionalidades de inteligência artificial

O A37 integra parte do ecossistema Awesome Intelligence e Galaxy AI, embora não beneficie do conjunto completo de funcionalidades disponíveis na gama Galaxy S. Entre as ferramentas incluídas destacam-se:

  • Circle to Search com Google, para pesquisar diretamente a partir de qualquer conteúdo no ecrã.
  • Apagador de Objetos, para remover elementos indesejados de fotografias.
  • Sugestão de Edição, que analisa fotos e recomenda ajustes automáticos.
  • Transcrição de Voz, integrada na aplicação Gravador de Voz, útil para converter reuniões e mensagens em texto.

Vale ainda referir que o assistente Bixby recebeu melhorias ao nível da compreensão de linguagem natural e do contexto, embora continue a ser um assistente secundário face ao Google Assistant e ao Gemini.

Foto por Samsung Galaxy A37

Câmara: análise detalhada

A câmara é provavelmente a área onde o Galaxy A37 apresenta o salto mais evidente face ao Galaxy A36.

Câmara principal de 50MP

O sensor principal é a grande novidade desta geração. Com um tamanho de sensor de 1/1,56 polegadas, comparável ao utilizado no Galaxy S26 base, e estabilização ótica de imagem, a câmara principal capta fotografias com boa quantidade de detalhe, dinâmica satisfatória e uma ciência de cor que tende a favorecer tons de verde e vermelho mais saturados, resultando em imagens vibrantes especialmente em cenas com vegetação e flores. Em condições noturnas, o sensor consegue preservar boa parte dos tons escuros do céu, embora zonas sem qualquer fonte de luz possam apresentar algum ruído visível.

Ultra grande angular de 8MP

A lente ultra grande angular é o elo mais fraco do sistema fotográfico. Com apenas 8MP, tende a produzir imagens com tons mais escurecidos em condições de pouca luz e detalhe mais suave, especialmente quando comparada com a nitidez da câmara principal. É funcional para fotografias de paisagem e grupos em boas condições de luz, mas fica claramente atrás em cenários mais desafiantes.

Câmara macro de 5MP

A câmara macro de 5MP consegue capturas decentes desde que exista luz adequada e mãos estáveis.

Câmara frontal e selfies

A câmara frontal de 12MP com abertura f/2,2 suporta Super HDR para vídeo, resultando em selfies com boa exposição e contraste equilibrado, mesmo em condições de contraluz.

Vídeo

O A37 grava até 4K a 30 frames por segundo tanto na câmara traseira como na frontal, com suporte a HDR de 10 bits. Não existe gravação a 60fps em 4K, uma limitação que afeta utilizadores que procurem maior fluidez em conteúdo de vídeo mais dinâmico.

Bateria e carregamento

A bateria de 5000mAh é acompanhada de carregamento com fios até 45W, mas sem qualquer forma de carregamento sem fios, algo já esperado nesta gama de preço. De forma geral o A37 é um aparelho que consegue cobrir um dia completo de uso moderado a intenso sem grandes sobressaltos, com até dois dias de utilização típica.

O carregamento a 45W permite recuperar 60% da bateria em cerca de 30 minutos,  embora o carregador não venha incluído na caixa, sendo necessário adquirir separadamente um carregador compatível com Power Delivery e PPS.

Som e chamadas

O sistema de altifalantes estéreo do A37 é alto e claro, mantendo boa qualidade mesmo em volumes elevados, embora sem grande profundidade de graves, característica comum nesta faixa de preço. Nas chamadas, a qualidade de voz é consistente, com boa nitidez tanto em chamadas tradicionais como chamadas Wi-Fi.

Conectividade

O Galaxy A37 oferece um pacote de conectividade completo para a sua categoria, suporte a redes 5G, Wi-Fi 6, Bluetooth 5.4, NFC para pagamentos contactless e posicionamento GPS com suporte a GLONASS e Galileo. Não existe Wi-Fi 6E, uma funcionalidade reservada ao Galaxy A57 dentro da mesma família.

Leitor de impressão digital e segurança

O leitor de impressões digitais óptico está integrado no ecrã e funciona de forma fiável na generalidade das utilizações. O A37 permite registar apenas três impressões digitais, um número inferior ao permitido em modelos Galaxy superiores, que chegam a suportar cinco registos.

Ao nível de segurança de dados, o A37 conta com o sistema Knox Vault, com certificação EAL5+, garantindo proteção robusta de informações sensíveis como palavras-passe e dados biométricos, mesmo em caso de comprometimento do sistema operativo.

Experiência diária: o que esperar ao usar o Galaxy A37

No conjunto, a experiência diária com o Galaxy A37 é sólida, embora não isenta de pequenas frustrações. O ecrã grande e luminoso torna a navegação e o consumo de conteúdos agradável, a câmara principal surpreende pela qualidade em boas condições de luz, e a garantia de seis anos de atualizações traz tranquilidade a longo prazo. Por outro lado, a ocasional lentidão do processador em tarefas mais exigentes pesa na experiência global.

Para quem é o Samsung Galaxy A37

O Galaxy A37 é indicado para quem:

  • Valoriza acima de tudo a longevidade de software e prefere manter o mesmo telemóvel durante quatro a seis anos.
  • Procura um ecrã grande, luminoso e de boa qualidade para consumo de conteúdos e redes sociais.
  • Quer uma câmara principal competente para fotografia casual, sem grandes exigências em zoom ótico.
  • Já está integrado no ecossistema Samsung, com outros dispositivos Galaxy como relógios ou auscultadores.
  • Prefere resistência à água robusta, com certificação IP68.

Quem deve evitar o Samsung Galaxy A37

Este smartphone pode não ser a escolha ideal para quem:

  • Prioriza desempenho elevado para jogos exigentes, uma vez que o Exynos 1480 não é o chip mais competitivo da sua categoria de preço em 2026.
  • Precisa de zoom ótico para fotografia de longa distância, funcionalidade ausente neste modelo.

O Galaxy A37 vale o preço?

Ao preço de lançamento de 459 euros para a versão de 128GB e 549 euros para a versão de 256GB, o Galaxy A37 posiciona-se num intervalo competitivo, mas não isento de concorrência direta e, nalguns casos, superior em especificações concretas. O grande argumento de valor reside na combinação entre ecrã de qualidade, câmara principal melhorada, resistência IP68 e, sobretudo, seis anos de atualizações de sistema operativo e segurança, um compromisso que ainda hoje distingue a Samsung da generalidade da concorrência nesta faixa de preço.

Dito isto, o desempenho relativamente contido do Exynos 1480 e a ausência de carregamento sem fios são fatores que pesam.

É uma boa compra em 2026?

Em 2026, o Galaxy A37 continua a ser uma escolha razoável para o público que prioriza estabilidade, suporte de software e integração no ecossistema Samsung. Não é, contudo, a escolha mais avançada tecnicamente dentro da sua faixa de preço, sobretudo ao nível de desempenho puro.

Pontos positivos

  • Ecrã Super AMOLED grande, brilhante e com boa qualidade de reprodução de cor.
  • Câmara principal de 50MP claramente melhorada face ao Galaxy A36.
  • Seis anos de atualizações de Android e de segurança, entre os melhores da categoria.
  • Certificação IP68 de resistência à água e poeira.
  • Boa gestão térmica, sem quebras bruscas de desempenho sob stress.
  • Autonomia sólida em cenários de reprodução contínua de vídeo.
  • Software One UI 8.5 atualizado e alinhado com a gama topo de gama no momento do lançamento.

Pontos negativos

  • Processador Exynos 1480 já usado anteriormente, com desempenho apenas mediano face à concorrência de 2026.
  • Câmara ultra grande angular e macro claramente inferiores à câmara principal.
  • Ausência de carregamento sem fios.
  • Limitação de apenas três impressões digitais registadas.
  • Ausência de zoom ótico dedicado.
  • Ocasionais lentidões e stutters em uso intensivo.

Veredicto

O Samsung Galaxy A37 é um smartphone coerente com a proposta histórica da série Galaxy A: fiável, bem construído, com um ecrã de qualidade e um compromisso de atualizações que continua a ser referência na indústria. A melhoria mais significativa desta geração está na câmara principal, que finalmente aproxima o A37 de um patamar fotográfico mais competitivo. Ainda assim, a reutilização do Exynos 1480, já com dois anos de existência no mercado, é uma escolha conservadora que limita o potencial do aparelho em desempenho puro.

Para o comprador típico da gama média, que privilegia fiabilidade, câmara e longevidade acima de desempenho bruto, o A37 continua a ser uma escolha segura. Para quem procura o melhor desempenho possível dentro do orçamento disponível, vale a pena alargar a pesquisa a outras opções antes de decidir.

Vale a pena comprar o Samsung Galaxy A37?

O Galaxy A37 é um smartphone competente para quem procura um ecrã de qualidade, seis anos de atualizações e uma câmara principal claramente melhorada face ao Galaxy A36. No entanto, o processador Exynos 1480, já utilizado no Galaxy A55 de 2024, revela-se pouco ambicioso para 2026, especialmente quando comparado com rivais diretos. Se o critério principal for longevidade de software e uma boa experiência fotográfica diária, o A37 cumpre. Se o critério principal for desempenho e valorização a longo prazo, vale a pena considerar alternativas antes de decidir.

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