
Há tweets que passam despercebidos e há tweets que, anos depois, regressam para assombrar a própria indústria que os inspirou. Foi isso que aconteceu esta semana com uma publicação de Hideo Kojima de agosto de 2021, que voltou a circular nas redes sociais depois de a Sony ter anunciado, a 1 de julho, o fim da produção de discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028.
A partir dessa data, todos os títulos futuros só poderão ser comprados em formato digital, através da PlayStation Store ou de retalhistas participantes. A Sony descreveu a decisão como “uma direção natural” para a empresa, associando-a à popularidade crescente das compras digitais face aos discos físicos, uma mudança que atinge particularmente os colecionadores que, há décadas, apostam nas edições físicas dos seus jogos favoritos.
Foi precisamente esta notícia que levou os fãs a desenterrar as antigas palavras de Kojima, publicadas há quase cinco anos num tweet dividido em duas partes, no qual o criador de Metal Gear Solid e Death Stranding partilhava os seus receios sobre o futuro dos conteúdos digitais. “Os dados digitais deixarão de ser propriedade dos indivíduos por iniciativa própria. Sempre que houver uma grande mudança ou um acidente no mundo, num país, num governo, numa ideia, numa tendência, o acesso a isso pode ser subitamente cortado”, escreveu na altura. “Não conseguiremos aceder livremente aos filmes, livros e músicas que amámos. Seríamos um ‘have-not’. É isso que temo. Isto não é ganância”.
O tweet, publicado a 5 de agosto de 2021 e ainda disponível em HIDEO_KOJIMA_EN, já tinha gerado alguma discussão na altura, mas nada comparável à onda de comentários que está agora a receber. A publicação original recebeu alguma interação em 2021, mas está agora a somar milhares de novas citações, respostas e partilhas.
A coincidência ganha ainda mais peso quando se olha para outro anúncio recente da Sony, a remoção de mais de 500 filmes das bibliotecas dos utilizadores da PlayStation, mesmo para quem já os tinha comprado. A parte do tweet de Kojima em que fala da impossibilidade de aceder livremente a filmes, livros e música parece, à luz desta notícia, particularmente premonitória.
Nas redes sociais, os comentários não se fizeram esperar. “Ele viu o futuro”, escreveu um utilizador do Twitter. “Ele tentou avisar-nos”, acrescentou outro. Entre memes, os fãs começaram a comparar Kojima a Eren Yeager, de Attack on Titan, pela sua capacidade de antever o futuro, enquanto outros o associaram a Paul Atreides, de Dune, apelidando-o de “Lisan al Gaib” dos videojogos.
Esta não é a primeira vez que o trabalho de Kojima é descrito como profético. Jogos como Death Stranding, de 2019, ou Metal Gear Solid 2, de 2001, são frequentemente apontados por fãs como exemplos de como as suas histórias antecipam, de forma incómoda, acontecimentos reais que só se materializam anos mais tarde. Neste caso, não se trata sequer de um jogo, mas de um simples comentário nas redes sociais que, com o passar do tempo, ganhou um significado que talvez nem o próprio autor esperasse.









