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CEO de Lords of the Fallen revela porque os estúdios ganham quase o dobro no digital

CEO de Lords of the Fallen expõe as contas por trás do fim dos discos: estúdios ganham quase o dobro no digital

O debate sobre o futuro dos jogos físicos ganhou um novo argumento, desta vez vindo de dentro da própria indústria. Marek Tyminski, fundador e CEO da CI Games, estúdio responsável pela saga Lords of the Fallen, publicou nas redes sociais uma explicação detalhada de quanto um estúdio recebe realmente por cada cópia vendida, física ou digital, e os números ajudam a perceber porque é que editoras como a Sony ou a Rockstar Games estão a afastar-se dos discos.

Num conjunto de publicações no X, Tyminski detalhou como se reparte o preço de um jogo físico vendido a 69,99 dólares. Segundo o gestor, o retalho fica com uma margem entre 25% e 35%, os distribuidores levam mais 10% a 20%, e a produção física do disco custa ainda cerca de 10 dólares por unidade. No final desta cadeia, resta ao estúdio pouco mais de 26 dólares por cópia vendida.

Em comparação, uma venda digital, na melhor das margens possíveis, pode render a um estúdio cerca de 49 dólares por unidade, quase o dobro do que resulta de uma venda física.

Tyminski nota ainda que esta diferença tende a agravar-se quando os preços descem, algo comum ao longo do ciclo de vida de um jogo. Mesmo as grandes editoras, que têm mais poder negocial e conseguem margens mais favoráveis do que estúdios independentes, continuam a lucrar substancialmente mais com cada venda digital do que física.

Horas antes de partilhar estes números, o CEO já tinha deixado uma crítica direta ao modelo físico, escrevendo que este “gera muito menos receita por unidade para os estúdios, implica prazos de produção mais longos e custos desnecessários numa indústria já de si exigente, onde muitos já perdem dinheiro”.

Um alerta motivado pela decisão da Rockstar e da Sony

As declarações de Tyminski surgem poucas semanas depois de a Rockstar Games e a Take-Two terem confirmado que GTA 6 não terá qualquer versão em disco, e dias depois de a Sony ter anunciado o fim da produção de discos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. Segundo Tyminski o facto de GTA 6 chegar sem disco “parece injusto para os estúdios que continuam a apostar no físico” e está a acelerar uma tendência que já era praticamente inevitável. Acrescentou ainda que a decisão da Sony de terminar o suporte físico a partir de 2028 pode reduzir drasticamente os lançamentos em disco já em 2027, ou até antes.

Questionado por um utilizador sobre se aumentar o preço das edições físicas, ou apostar em edições de colecionador com disco incluído, poderia equilibrar a equação financeira, Tyminski respondeu, de acordo com a mesma fonte, que essa margem “tornar-se-ia ainda mais pequena face ao digital e não ajudaria a justificar o formato físico junto dos fabricantes de consolas”.

Lords of the Fallen 2 continua a apostar no disco, por agora

Apesar da crítica ao modelo físico, a CI Games não vai abandonar por completo os discos, pelo menos para já. Tyminski confirmou que Lords of the Fallen 2, cuja data de lançamento foi recentemente adiada para o primeiro trimestre de 2027, continuará a ser lançado em disco. No entanto, admitiu que, do ponto de vista de negócio, isso é cada vez mais difícil de justificar, com o físico a representar bem menos de 20% das vendas do estúdio, e a situação a piorar face aos acontecimentos recentes na indústria.

O próprio CEO reconheceu que, a partir de 2028, o disco físico deixará provavelmente de ser “uma opção com significado” para a maioria da indústria.

A indústria dividida entre lucro e nostalgia

Enquanto os números apresentados por Tyminski ajudam a explicar a lógica financeira por trás da fuga ao disco, a reação dos jogadores continua a ir em sentido contrário. A petição Don’t Kill the Disc, criada no Change.org em resposta ao anúncio da Sony, já ultrapassou as 130 mil assinaturas, com apoiantes a defenderem que a posse de uma cópia física continua a ser insubstituível.

Esta tem sido uma das semanas mais divisivas da história recente da indústria dos videojogos. De um lado está uma parte da comunidade, visivelmente desiludida com o que considera ser a morte anunciada do disco físico. Do outro, há quem veja este avanço para o digital com naturalidade, uma vez que as vendas físicas já representam, há vários anos, uma fatia cada vez mais reduzida do mercado global de jogos.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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