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Hideo Kojima teme que os videojogos acabem por desaparecer tal como os filmes que a PlayStation já apagou

Hideo Kojima apresentaçãor Death Stranding 2 screenshot

O criador de Metal Gear Solid, Hideo Kojima, decidiu comentar publicamente uma das notícias que mais tem dividido a comunidade de jogadores nas últimas semanas, o anúncio da Sony de que vai deixar de produzir discos físicos para PlayStation a partir de 2028. Kojima falou sobre o tema durante uma aparição no festival de cinema Il Cinema in Piazza, em Itália, e mostrou-se particularmente incomodado com aquilo que classifica como um futuro assente inteiramente em streaming.

A decisão da PlayStation de terminar a produção de discos físicos foi avançada esta semana e aplica-se a todos os jogos lançados a partir de janeiro de 2028, tanto para PS4 como para PS5. A Sony já veio garantir, entretanto, que quem possui atualmente jogos em formato físico continuará a poder utilizá-los normalmente mesmo depois dessa data, mas o anúncio deixou muitos jogadores preocupados com o rumo que a indústria está a tomar.

Este receio ganhou ainda mais força depois de, poucos dias antes, a PlayStation ter removido do seu serviço mais de 550 filmes e séries que os utilizadores tinham comprado ao longo dos anos. Em causa está o fim de um acordo de licenciamento com a produtora francesa StudioCanal, que faz desaparecer das bibliotecas digitais dos utilizadores títulos como Terminator 2, Total Recall ou Bridget Jones’ Diary a partir de 1 de setembro, sem qualquer tipo de reembolso previsto.

O que disse Kojima sobre o assunto

Questionado sobre o tema durante o festival italiano, Kojima explicou que a situação dos jogos ainda é diferente da dos filmes, uma vez que os títulos descarregados continuam a ficar guardados no disco rígido do próprio utilizador. Já os serviços de streaming, como a Netflix ou a Amazon, funcionam de forma distinta, os dados residem sempre num servidor alheio, e o utilizador limita-se a aceder a esse conteúdo mediante uma subscrição mensal, sem nunca chegar a possuí-lo de facto.

O criador japonês alertou ainda para os riscos associados a esse modelo, lembrando que mudanças políticas, legais ou comerciais podem levar a que certos conteúdos deixem simplesmente de estar disponíveis para quem paga uma subscrição. Kojima resumiu essa preocupação numa frase curta: “Isso é que é assustador.”

Kojima terminou a sua intervenção com um aviso mais alargado, sugerindo que aquilo que está agora a acontecer aos videojogos pode vir a repetir-se, no futuro, com o cinema.

Um alerta com peso, vindo de um dos maiores nomes da indústria

O facto de estas declarações partirem precisamente de Kojima não é indiferente. Ao longo da sua carreira, o criador manteve uma relação próxima com a PlayStation, tendo lançado vários títulos da saga Metal Gear Solid como exclusivos da consola, além de Death Stranding e Death Stranding 2: On the Beach já através da sua própria produtora, a Kojima Productions. É também conhecido por continuar a colecionar suportes físicos, como Blu-rays e CDs, uma paixão que tem partilhado regularmente nas suas redes sociais ao longo dos anos.

A polémica em torno do fim dos discos físicos não parece próxima do fim, desde o anúncio da Sony, tem circulado online uma petição a pedir a reversão da decisão, ao mesmo tempo que utilizadores continuam a analisar os termos de utilização da PlayStation em busca de outras cláusulas que possam, no futuro, limitar o acesso ao conteúdo comprado.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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