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Jogadores revoltam-se contra a Sony: petição contra o fim dos discos da PlayStation ultrapassa as 130 mil assinaturas

PlayStation 5 Pro - Screenshot trailer de lançamento

Cinco dias depois de a Sony ter confirmado que vai deixar de produzir discos físicos para os novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028, a resposta da comunidade não parece estar a abrandar. Uma petição criada no Change.org, com o nome Don’t Kill the Disc, ultrapassou as 130 mil assinaturas verificadas, e o número continua a subir a cada minuto.

O anúncio, feito através do PlayStation Blog a 1 de julho, confirma que, a partir dessa data, tanto os jogos da própria Sony Interactive Entertainment deixarão de ter versão em disco. Os jogos lançados antes de janeiro de 2028 não são afetados e continuam disponíveis em formato físico.

Segundo a empresa, esta mudança surge como resposta natural à evolução das preferências dos consumidores, que têm vindo a optar cada vez mais pelo digital em detrimento do suporte físico. Sid Shuman, diretor sénior de comunicação da Sony Interactive Entertainment, explicou no comunicado oficial que a alteração permite à empresa alinhar-se melhor com a forma como a maioria da comunidade já prefere aceder e jogar atualmente.

A petição foi lançada por Jade Pearce, responsável pela PNP Games Inc., uma loja canadiana especializada na venda de jogos físicos, tanto retro como atuais. Nas primeiras 24 horas já tinha ultrapassado as 12 mil assinaturas verificadas, um número que subiu para 16 mil pouco depois e que, em apenas dois dias, já rondava as 44 mil. O crescimento manteve-se constante e, ao quinto dia, o Change.org já contabilizava mais de 130 mil apoiantes.

Na descrição da petição, Pearce é direta quanto ao que está em causa:

“Um disco é um jogo verdadeiro que possuis. Podes emprestá-lo, trocá-lo, revendê-lo, oferecê-lo, colecioná-lo ou deixá-lo aos teus filhos”.

O texto do movimento deixa também claro que o objetivo não é rejeitar o digital como opção, mas sim opor-se a que essa passe a ser a única alternativa possível:

“Não somos contra o digital. Somos contra o digital ser a única opção”.

Pearce reforçou esta posição numa atualização recente, escrevendo que, se a comunidade não se manifestar agora, “o disco desaparece, e a escolha desaparece com ele”.

O que está realmente em jogo

Para além da questão simbólica da posse dos jogos, o texto da petição sublinha o impacto económico da decisão. Segundo os organizadores, a produção física sustenta uma cadeia inteira de negócios, entre retalhistas, distribuidores, fabricantes e armazéns, além do mercado de jogos em segunda mão. O receio manifestado é que o fim dos discos acabe por afetar milhares de postos de trabalho ligados a este setor.

A desconfiança da comunidade também é alimentada por um episódio recente, a Sony removeu, ainda em junho, mais de 500 filmes e séries das bibliotecas digitais de utilizadores que já os tinham comprado, devido a questões de licenciamento. Este caso tem sido repetidamente citado nos comentários à decisão como prova de que uma licença digital pode ser revogada a qualquer momento, ao contrário de um disco físico.

O eco de uma promessa de 2013

Um dos argumentos que tem ganho mais força junto da comunidade é histórico. Em 2013, na conferência E3, a PlayStation defendeu publicamente a possibilidade de os jogadores partilharem e revenderem os seus jogos físicos, numa altura em que criticava abertamente restrições semelhantes anunciadas pela Xbox. Mais de uma década depois, os signatários da petição consideram que essa mesma liberdade está agora a ser progressivamente retirada.

A situação ganhou ainda mais visibilidade quando o criador de jogos Hideo Kojima partilhou publicamente um alerta sobre o futuro da posse digital, avisando que, eventualmente, “nem os próprios dados digitais serão possuídos pelos indivíduos por iniciativa própria”.

Hideo Kojima teme que os videojogos acabem por desaparecer tal como os filmes que a PlayStation já apagou

Alguns estúdios independentes também se manifestaram. A Aeternum Game Studios prometeu tornar a edição física uma prioridade absoluta em todos os seus títulos, enquanto a Tesura Games condenou abertamente a decisão da Sony. Até marcas fora do setor dos videojogos aproveitaram o momento, com a Domino’s no Reino Unido a brincar sobre um futuro de “pizzas apenas digitais”.

O debate chegou igualmente à política. O candidato presidencial francês de esquerda Jean-Luc Mélenchon apelou a uma revisão legislativa sobre o tema, afirmando que “os videojogos não são meras mercadorias; são bens culturais”.

Apesar do cepticismo generalizado quanto à possibilidade de a Sony recuar, há um precedente que os apoiantes da petição não deixam de referir. A empresa já tinha anunciado anteriormente o encerramento da loja digital da PlayStation Store para a PS3, uma decisão que acabou por ser adiada depois de uma reação negativa semelhante por parte dos utilizadores. Esse encerramento das lojas da PS3 e da PS Vita está, entretanto, novamente previsto para o próximo ano.

Para já, a Sony optou pelo silêncio absoluto desde a publicação do anúncio original, não tendo reagido publicamente nem à petição nem à onda de críticas nas redes sociais. No mercado, a reação foi bem diferente da dos consumidores, as ações da empresa subiram 3,2% na bolsa de Tóquio e 2,9% nos mercados norte-americanos no próprio dia do anúncio.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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