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Fim dos discos da PlayStation coloca Sony Interactive Entertainment no centro de novas polémicas judiciais

PlayStation 5 slim

A redação do Wccftech noticiou que a Sony Interactive Entertainment está a enfrentar uma crescente pressão devido à decisão de deixar de produzir novos jogos em formato físico para as consolas PlayStation a partir do dia 1 janeiro de 2028 e coloca o mercado das lojas totalmente dependente do formato digital.

Segundo a publicação, as futuras edições físicas passariam a incluir apenas um código de download, à semelhança do que acontecerá com Grand Theft Auto VI quando for lançado no dia 19 de novembro de 2026 em tudo o mundo.

Esta decisão gerou uma forte reação nas redes sociais, com milhares de jogadores a manifestarem o seu descontentamento, a criarem petições para tentar inverter a decisão e até mesmo Hideo Kojima projetou um futuro negro para desaparecimento dos discos físicos e alertou que a grande ameaça serão os serviços na Cloud. No entanto, esta polémica vai muito além da reação dos fãs e do lendário criador da séries Metal Gear e Death Stranding.

Isto porque a própria Sony Interactive Entertainment enfrenta vários processos judiciais relacionados com o alegado monopólio da PlayStation Store. Nos Estados Unidos, um acordo numa ação coletiva sobre os preços dos jogos digitais recebeu recentemente aprovação preliminar, enquanto no Reino Unido prossegue o processo “PlayStation You Owe Us”, uma ação de 2 mil milhões de libras liderada pela defensora dos consumidores Alex Neill, na qual a empresa é acusada de praticar preços excessivos através da sua loja digital.

Nos Países Baixos, a organização Stichting Massaschade & Consument avançou igualmente com o processo “Fair PlayStation” que representa cerca de 1,7 milhões de jogadores do país e exige mais de 400 milhões de euros em indemnizações devido à chamada “Sony Tax”.

Lucia Melcherts, a presidente da Stichting Massaschade & Consument, afirma que o desaparecimento dos discos físicos elimina a última alternativa para adquirir jogos PlayStation a preços competitivos, além de acabar com o mercado de segunda mão e deixar a PlayStation Store como única opção de compra. Na sua perspetiva, isto permitirá à Sony Interactive Entertainment controlar não só o preço dos jogos, como também as condições de utilização que reforçam os argumentos apresentados no processo judicial.

Caso este cenário venha efetivamente a concretizar-se, a Sony Interactive Entertainment poderá enfrentar um escrutínio ainda maior por parte dos consumidores, associações de defesa dos consumidores e entidades reguladoras, numa altura em que cresce o debate sobre o nível de controlo que uma única plataforma deve exercer sobre a distribuição e comercialização de jogos digitais.

No entanto, mesmo neste autêntico vendaval, a Sony Interactive Entertainment não parece voltar atrás nas suas decisões porque uma das suas maiores fabricantes de media física vai ser completamente reestruturada para outro tipo de produtos óticos.

Bruno Reis
Bruno Reis
Vindo de vários mundos e projetos, juntou-se à redação do Otakupt em 2020, pronto para informar todos os leitores com a sua experiência nas várias áreas da cultura alternativa. Assistiu de perto ao nascimento dos videojogos em Portugal até à sua atualidade, devora tudo o que seja japonês (menos a gastronomia), mas é também adepto de grandes histórias e personagens sejam essas produzidas em qualquer parte do globo terrestre.

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